Retomada

Pedidos do Eisa podem chegar a US$ 2 bi

<P>Em uma das linhas de produção do Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), sob o calor de quase 40 graus do verão carioca, funcionários soldam chapas de aço para um dos navios em construção na empresa, no bairro da Ilha do Governador, à beira da Baía de Guanabara. O trabalho é intenso e representa a ...

Valor Econômico
14/01/2009 22:00
Visualizações: 752

Em uma das linhas de produção do Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), sob o calor de quase 40 graus do verão carioca, funcionários soldam chapas de aço para um dos navios em construção na empresa, no bairro da Ilha do Governador, à beira da Baía de Guanabara. O trabalho é intenso e representa a retomada das atividades de um estaleiro que surgiu na esteira do Plano de Metas do governo Juscelino Kubtischeck, nos anos 50, e que nas décadas seguintes enfrentou diversas crises que quase o levaram à lona.


Hoje, o Eisa tem em carteira 18 projetos de navios que somam US$ 1,5 bilhão. As últimas unidades estão previstas para serem entregues até o fim de 2014. O pacote inclui dez navios para transporte de petróleo e derivados para a Petróleos de Venezuela (PDVSA), em contrato de cerca de US$ 800 milhões.

Um dos navios da PDVSA já está em montagem na “carreira de construção”, onde os blocos são montados como “legos”. O estaleiro também ganhou contrato com a Log-In para construir cinco navios porta-contêineres de 2,8 mil TEUs (contêiner equivalente a pés) cada um.

As perspectivas levam o Eisa a acreditar que a carteira passe para quase US$ 2 bilhões ainda este ano. O aumento será garantido pela encomenda de quatro navios Panamax da Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, orçados em cerca de US$ 460 milhões, cuja construção ainda depende de acertos financeiros.

O Eisa também disputa com o Estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco, a construção de quatro navios Suezmax e de três Aframax da segunda fase de encomendas da Transpetro, cujas propostas já foram recebidas pela estatal. Os ganhadores devem ser conhecidos entre março e abril deste ano.

A demanda por novos navios, inclusive de armadores do exterior, levou o Eisa a investir US$ 10 milhões com recursos próprios para aumentar em 50% a capacidade de montagem de estruturas no terreno do estaleiro, uma área aterrada de 150 mil metros quadrados com saída para o mar e cercada de favelas. O Eisa investiu em oficinas e na construção de uma terceira linha de produção no estaleiro, que tem três mil funcionários e baixo índice de robotização, embora parte do recente investimento tenha sido direcionado para um novo sistema de solda.

Atualmente, o Eisa tem capacidade de montar 1,5 mil toneladas de blocos prontos pintados por mês, volume que deve passar para 2,25 mil toneladas em meados deste ano. Esse volume, se anualizado, corresponde a 27 mil toneladas de blocos ou quatro navios de 7 mil toneladas de peso cada um, em média, prontos a cada 12 meses, calcula Jorge Roberto Gonçalves, diretor do Eisa.

O estaleiro é controlado pelo Synergy Group, de German Efromovich, que também é dono do estaleiro Mauá, de Niterói (RJ). Gonçalves disse que os acionistas do Eisa têm plano de construir um novo estaleiro, o Novo Eisa, projeto de US$ 500 milhões cujas instalações teriam capacidade de construir plataformas e navios de apoio offshore. O Synergy, segundo disse o executivo, está em busca de investidores para o empreendimento, que já tem projeto e áreas indentificadas no Sudeste e Norte. O novo estaleiro foi desenhado para produzir cinco a seis navios de 25 mil toneladas de peso cada um por ano.

Seriam 150 mil toneladas anuais de blocos prontos, número cinco vezes maior do que a capacidade ampliada do Eisa.

“Hoje, se alguém chegar aqui e quiser um navio para entrega em 2012 não tenho como fazer”, diz Gonçalves. Ele é filho de Manoel Ribeiro Gonçalves, presidente do Eisa, cuja história se confunde com a do estaleiro. As instalações hoje ocupadas pelo Eisa abrigaram, no início das atividades, há quase 50 anos, o antigo estaleiro Emaq, que foi considerado, em meados da década de 90, como o “patinho feio” entre os grandes estaleiros fluminenses.

A partir do início da década, o Eisa entrou em uma nova fase de crescimento com encomendas de embarcações variadas, incluindo barcaças oceânicas e navios de apoio offshore. Em 2008, um dos navios lançados ao mar pelo estaleiro foi o graneleiro Gypsum Integrity, encomendado pelo armador americano Gypsum Transportation Limited (GTL). O Eisa também lançou ao mar, no ano passado, um navio de apoio às atividades das plataformas e o casco de uma sofisticada embarcação offshore.

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