Economia

Petrobras capta em libras e abre nova frente de financiamento

Valor Econômico
06/12/2011 11:24
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Mesmo com toda a dificuldade dos mercados internacionais, a Petrobras concluiu ontem (5) uma rodada de captação de recursos em libras, a primeira de uma companhia brasileira no mercado inglês pelo menos nos últimos dez anos. A nova operação, a maior de uma empresa de mercado emergente na moeda inglesa, veio na sequência da emissão de papéis da petroleira também na Europa, mas em euros, lançados na semana passada. As duas operações somaram US$ 3,6 bilhões de dólares.

Apesar de o preço ainda estar relativamente mais alto do que no passado, a empresa fez o que os bancos de investimentos chamam de uma operação estratégica. Dado que a companhia tem um plano de investimentos e de financiamento de longo prazo, é interessante para a Petrobras buscar novos mercados e diversificar suas fontes de captação de recursos.

A decisão, portanto, foi abrir frentes na Europa, tanto em euro quanto em libra, diz Leandro Miranda, diretor de renda-fixa do Bradesco BBI.

A empresa programou visitas de três dias com investidores de nove regiões diferentes na Europa, apenas para ouvir as demandas, seja de prazos, seja de expectativa de prêmio de risco. Assim, conseguiu estruturar uma emissão adequada ao momento do mercado financeiro. "Essa foi uma captação estratégica, com diversificação de fonte e a companhia conseguiu estabelecer o preço da operação de forma precisa, depois de ouvir o mercado", diz Miranda.

A companhia também chegou ao mercado em um momento mais favorável, com a expectativa positiva de que os líderes da União Europeia podem apresentar soluções mais consistentes para os problemas da região no encontro desta sexta-feira (9).

O mercado de títulos reagiu positivamente e, com a demanda favorável, os bancos decidiram antecipar toda operação (euro e libras), que fecharia apenas nesta semana, diz André Silva, do Deutsche Bank. A espanhola Repsol YPF e a produtora de gás alemã, Linde AG, também fecharam operações nesses mercados ontem.

No caso da operação no mercado inglês, a Petrobras vendeu 700 milhões de libras, com prazo de quinze anos, que ofereceram retorno para o investidor de 6,379% ao ano (yield). O cupom foi de 6,25% e a demanda superou 1,1 bilhão de libras.

Segundo Alexei Remizov, diretor do HSBC, a Petrobras fechou operações com volumes historicamente muito grandes para esses mercados e conseguiu seu objetivo de diversificar a base de investidores. "Cerca de 500 aplicadores participaram das duas operações".

Mas de fato o chamado prêmio de risco (spread), que mostra quanto os compradores dos papéis estão dispostos a pagar por uma nova emissão, veio acima do que a companhia pagava em anos mais favoráveis. O spread pago para o lançamento em libras ficou em 370 pontos básicos (sobre título em libra usado como referência, os "gilts"). Na transação em euro, o spread ficou em 280 pontos no lançamento com prazo de seis anos e de 330 pontos para o papel de dez anos.

A operação de uma empresa do porte da Petrobras sempre serve para abrir os mercados. Mas Cristina Schulman, chefe da área de dívida do Santander lembra que o ano já está no fim. Em geral os investidores operaram apenas até o dia 15. Restam, portanto, duas semanas. "Existe liquidez, mas o mercado está restrito a empresas de primeira linha", diz. Segundo fontes de mercado, espera-se mais uma ou duas grandes operações de empresas brasileiras neste ano. A CSN está em visita a investidores, interessada em uma captação.
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