Petroquímica

Petrobras define priorizar os novos empreendimentos

Valor Econômico
13/09/2004 00:00
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A Petrobras não pretende resolver o jogo de xadrez que hoje representa a petroquímica brasileira, e nem é essa a intenção da estatal. Quem garante é o novo diretor da área de Abastecimento, Refino e Comercialização da empresa, Paulo Roberto Costa, que assumiu o cargo há quatro meses. Segundo ele, a estatal quer promover "uma mudança radical" na área petroquímica, em que a nova filosofia, atendendo às diretrizes do Plano Estratégico, é participar de novos empreendimentos.
"Porque é que eu tenho que resolver o xadrez petroquímico? No planejamento estratégico não está definido que vamos comprar pólo petroquímico nenhum. O que temos agora dentro da nossa estrutura é uma área de análise de portfólio. E vamos analisar. Hoje participo de Camaçari com 9,5%, da PQU com 15%, e na Copesul com 10%. Então, eu participo com pouco de nada", complementa o diretor frisando que, a princípio, a Petrobras não tem planos de comprar participação de terceiros nos pólos onde já participa.
O objetivo, ressalta, é participar de novas unidades sem que tenha, necessariamente, participação majoritária. E lembrou que a nova filosofia da companhia para a petroquímica busca a participação em novos empreendimentos. "Não precisamos ser majoritário em todos, mas eu quero ter gestão, participação na diretoria e nas decisões do conselho de administração", ressalvou.
Questionado sobre como resolver o impasse, já que os grupos que hoje controlam os pólos no Sul, São Paulo e Bahia já manifestaram a intenção de continuar tendo a Petrobras como sócia, e considerando ainda as dificuldades de comprar a participação da estatal, ele afirma que "tudo é uma questão de negócios".
Mas frisa que a estratégia da companhia está voltada agora para as novas unidades de polietileno, ácido acrílico, fenol, e no pólo petroquímico na fronteira com a Bolívia. Sobre esse último, que poderá usar parte do gás que entra no país pelo gasoduto Bolívia Brasil, mas que desperta dúvidas sobre a distância do mercado consumidor, o diretor da Petrobras informa que os estudos mostram crescimento de consumo que permitirá não só colocar a produção nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, como também na Bolívia e norte da Argentina e do Chile, além de outras possibilidades. "A grande vantagem é que eu tenho lá a matéria prima, que é o gás natural".
Costa encerrou a reestruturação da diretoria de Abastecimento com a nomeação de Kuniyuki Terabe, um executivo de carreira, para a gerência executiva da área petroquímica, antes ocupada por Carlos Fontes. Com isso, Terabe passa a acumular também o cargo de presidente da Petrobras Química S.A. (Petroquisa), braço da estatal responsável pela gestão das participações nas três centrais e nas empresas de terceira geração. Mas as mudanças não ficaram só aí. A estrutura gerencial da petroquímica, que antes tinha apenas duas gerências - uma encarregada das participações nas centrais e outra nas participações em empresas de segunda geração - foi ampliada. Foram criadas uma área para focar novos negócios; e outra responsável pelo planejamento e análise de portfólio. "Não só aumentei a estrutura como foquei. Tudo com base no novo plano estratégico", diz.

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