Negócios

Petrobras divulga balanço, mas atenção está na capitalização

Valor Econômico
13/08/2010 10:12
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O mercado não espera nenhuma surpresa no resultado da Petrobras no segundo trimestre que possa melhorar o desempenho de curto prazo das ações da companhia na bolsa de valores. A estatal divulga hoje o balanço trimestral, depois do fechamento do mercado, mas a única questão no foco do mercado é a capitalização, marcada para setembro.


"Mais uma vez, não esperamos resultados que possam ser um gatilho para ações da Petrobras, uma vez que o foco dos investidores permanece na evolução de sua capitalização e simultânea aquisição de 5 bilhões de barris de óleo equivalente do governo", diz o banco Credit Suisse em relatório assinado pelos analistas Emerson Leite, Marcos Guerra e Vinicius Canheu.


Ontem, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que a Gaffney, Cline & Associates vai entregar no dia 19 as "primeiras informações" sobre a avaliação que está sendo feita para definir o preço dos 5 bilhões de barris de óleo equivalente que serão transferidos para a Petrobras. A agência não confirma se o preço sugerido para o barril será informado no dia 19, já que o relatório completo será entregue apenas no dia 31 de agosto. É pouco tempo para preparar a oferta, que segundo cronograma da Petrobras vai acontecer no dia 15 de setembro.
 
 
O preço do barril é a principal incógnita que hoje cerca o processo. Declarações de Haroldo Lima, diretor-geral da ANP, de que o preço esperado pelo mercado, entre US$ 5 e US$ 6 por barril, não é vantajoso para a União, defendendo um valor maior - indicam que pode haver um conflito no governo. O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, já menciona algo entre US$ 5 e US$ 10.


No mês passado, o Ministério Público Federal no Distrito Federal iniciou um Procedimento Preparatório para "apurar eventual irregularidade" e "potencial prejuízo à União na cessão de barris de petróleo a sociedade de economia mista, com benefício a acionistas privados". O MPF-DF acionou em seguida o Tribunal de Contas da União (TCU).
 
A suspeita do Ministério Público foi embasada pelo estudo de um consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo César Ribeiro Lima, de que "o processo de cessão onerosa poderia resultar em perdas para a União, proprietária do petróleo, de no mínimo US$ 39,5 bilhões".


Esse valor calculado pelo consultor é resultado de algumas premissas como custo de extração de US$ 13,52 por barril, preço futuro de US$ 75 para o petróleo, a instalação de sete plataformas na área, cada uma com capacidade de processar 180 mil barris por dia, e ainda uma taxa de desconto de 15% ao ano, entre outras premissas não informadas, como a vazão de cada poço. Como reforço para a projeção, o técnico calcula em US$ 15 cada barril de óleo pesado do campo de Peregrino, no pós-sal da bacia de Campos e operado pela Statoil. A norueguesa vendeu 40% do campo à Sinochem por US$ 3,07 bilhões mas não são conhecidos dados como reservas, custo de extração e produtividade da área.


O custo dessas indefinições para a Petrobras e seus acionistas minoritários está sendo enorme. Em três dias desta semana - entre segunda e quarta-feira - a companhia perdeu US$ 8,6 bilhões em valor de mercado. O maior baque aconteceu entre terça e quarta, quando US$ 6,2 bilhões viraram pó de um dia para o outro. No ano, a desvalorização já chega a US$ 50,9 bilhões, o que representa uma queda de 34,3% em relação ao que ela valia no dia 31 de dezembro de 2009.
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