Sustentabilidade

Petrobras é excluída de índice da Bovespa

O Estado de S. Paulo
26/11/2008 02:47
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A Petrobras foi excluída ontem do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, carteira que reúne ações de empresas que se destacam por seu “alto grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social”. A decisão acontece na esteira da polêmica do enxofre no óleo diesel. A companhia decidiu não cumprir resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que estabelecia que os níveis de enxofre no diesel deveriam ser reduzidos em 2009 para 50 partes por milhão (ppm) - mesmo padrão europeu. Hoje as regiões metropolitanas recebem o óleo com 500 ppm, e o resto do País, com 2 mil ppm.

 

Em outubro, a empresa fechou um acordo com o Ministério Público Federal para entregar o diesel mais limpo no ano que vem somente para ônibus novos das capitais. O combustível usado no interior será trocado por um com 1,8 mil ppm e, gradativamente, substituído por um de 500 ppm até 2014. O arranjo foi considerado insatisfatório por várias ONGs e autoridades governamentais, como a Secretaria do Verde de São Paulo, que enviaram uma carta à Bovespa pedindo a revisão da presença da Petrobrás no ISE.

 

“A decisão sinaliza que sustentabilidade não é só uma ferramenta de marketing, mas tem de fazer parte do negócio da empresa”, diz Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace, uma das organizações que assina a carta. Em conseqüência da decisão, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) convocou audiência pública com a empresa, sociedade civil e Ministério Público Federal para retomar a discussão.

 

Para Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, “fica mais difícil agora para a Petrobrás fazer propaganda se dizendo uma empresa socialmente responsável”. Ele diz esperar que o forte impacto que a empresa vai sofrer faça com que ela mude sua postura. “É um golpe enorme, a Petrobrás será questionada internacionalmente, acreditamos que é possível que ela reveja sua posição.”

 

Em carta encaminhada à imprensa, Grajew afirmou que a decisão de retirar a Petrobrás do índice foi tomada pelo Conselho do ISE, composto por nove instituições. Oito votaram a favor da retirada - apenas o Ministério do Meio Ambiente se absteve da votação.

 

Até o fechamento desta edição, a Petrobrás não tinha se manifestado a respeito do assunto. Mas, no início do mês, a empresa havia dito que a resolução do Conama só foi regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em outubro de 2007, o que lhe daria um prazo de mais três anos a contar dali para se adaptar às exigências. Além disso, segundo a empresa, mesmo que o diesel com 50 ppm de enxofre fosse disponibilizado em 2009, as emissões não seriam reduzidas na mesma proporção, porque os caminhões que rodam no País ainda não atendem especificações para utilizar esse combustível.

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