Gás natural

Petrobras poderá importar mais GNL

Jornal do Commercio
24/10/2006 00:00
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Com as dificuldades que a indústria nacional poderá encontrar para atender à demanda dos projetos do Plano de Antecipação da Produção de Gás Natural (Plangás), a Petrobras já preparou um plano B caso encontre problemas para tirar do papel todos os projetos já em 2008. A estatal trabalha com a hipótese de ampliar a importação de Gás Natural Liquefeito (GNL), para suprir, principalmente, eventual necessidade de despacho das usinas termelétricas daqui a dois anos.

Sem entrar em detalhes a respeito do plano, o gerente de Planejamento da Produção de Gás da área de Exploração e Produção da companhia, Mauro Sant´Anna, explicou que as maiores preocupações da Petrobras passam pela questão de prazo e de custo em torno dos 1,4 mil quilômetros de dutos para escoamento da produção, 42 compressores de gás e três plataformas que envolvem o plano. E diante de um mercado aquecido, a questão de preços altos é vista com atenção pela estatal, e o GNL surge como primeira alternativa.

Aposta da Petrobras como alternativa à produção de gás natural, o GNL, inicialmente, será responsável por uma oferta adicional de 20 milhões de m³/dia em 2011, e por um investimento estimado de US$ 180 milhões, ou R$ 394 milhões, apenas nas instalações físicas dos terminais que serão construídos na Baía da Guanabara, e no Porto do Pecém (CE). Além disso, está previsto o afretamento de dois navios do tipo FSRU (unidade flutuante de estocagem e regaseificação), que ficarão parados nos terminais, para que o gás vindo do exterior seja regaseificado nessas embarcações.

O gerente executivo de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco Filho disse confiar na resposta da indústria nacional no que se refere ao atendimento da grande demanda de projetos da Petrobras. Ele acrescentou que, para acelerar a entrada em operação dos projetos, a empresa não vai apostar em novos conceitos, e pretende aproveitar experiência anteriores que foram bem-sucedidas em relação à parte de engenharia, para garantir o cumprimento do plano."Tanto o mercado nacional quanto o internacional estão muito aquecidos. Há dificuldade de se comprar equipamentos.", observou.

Barusco comentou também que o resultado da licitação para a construção da Unidade de Tratamento de Caraguatatuba (SP), que receberá o gás proveniente de Mexilhão, deverá ser divulgado até a primeira semana de novembro. O projeto está orçado em US$ 300 milhões. Ele mostrou-se confiante em relação ao aproveitamento de conteúdo nacional nos projetos do Plangás. "Estou certo de que vamos ter grandes índices. Em todos os projetos, estamos superando as expectativas. Em plataformas, estamos chegando até a 70% de conteúdo nacional. Em projetos da área industrial, varia-se entre 80% e 85%, e em relação aos gasodutos, estamos próximos dos 100%", avaliou Barusco.

O Plangás prevê antecipação da produção de 24 milhões de m³ até 2008, e mais 15 milhões até 2010. O investimento até o fim da década chegará a US$ 11 bilhões, que não estão contemplados no Planejamento Estratégico da Petrobras. A maior parte desses 15 milhões de m³/dia adicionais será proveniente da produção do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, cuja plataforma já está em construção no estaleiro Mauá Jurong, em Niterói. A previsão é de que a unidade entre em operação em junho de 2009.

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