Segurança

Petrobras quer "primeirizar" força de trabalho

Gerente geral para a Bacia de Campos revela que empresa não só investirá US$ 1 bi na troca de dutos, como também já começou a modificar contratos com prestadoras de serviço. Contratos foram alongados para cinco anos e objetivo é incentivar o concurso dos terceirizados.


04/06/2004 00:00
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Disposta a aumentar a segurança nos segmentos mais sensíveis de suas operações, a Petrobras não só começou a investir cerca de US$ 1 bilhão na modernização e substituição da malha de dutos na Bacia de Campos, como também começa a tornar mais rigorosos os contratos com as empresas terceirizadas. O gerente geral da Petrobras para a Bacia de Campos, Plinio Mello, revelou que, neste ano, os prestadores de serviços terão que apresentar a mesma taxa de freqüência de afastamentos dos funcionários da companhia, de 0,48% ou o equivalente a quatro acidentes por ano.
O executivo afirmou que as mudanças não páram por aí. A Petrobras também ampliou os prazos dos contratos com as terceirizadas, que antes eram de até dois anos. Agora, passaram a ser de cinco anos renováveis por mais cinco, o que, segundo ele, permitirá a adoção dos mesmos padrões de segurança utilizados pela estatal. Mello confirmou que, atualmente, a força de trabalho mobilizada na Bacia de Campos inclui um contingente de 19 mil trabalhadores, dos quais 70% de companhias prestadoras de serviço. A intenção da Petrobras, ressalvou o executivo, é incentivar a participação dos terceirizados em seus próximos concursos.
Tais iniciativas, segundo ele, vão ao encontro de um dos grandes objetivos da empresa, que é o de "primeirizar" a força de trabalho nas áreas de atividade mais sensíveis, como a exploração e produção em alto mar e o refino. Mello admitiu, no entanto, as dificuldades encontradas pela diretoria da empresa em tal processo, em função da complexidade das atividades envolvidas. "Você não encontra especialistas nesses segmentos da noite para o dia", justificou.
Com relação à substituição da rede de dutos, o gerente admitiu que ainda é grande o percentual desse tipo de equipamento adquirido junto a empresas estrangeiras. Segundo ele, os oleodutos projetados para águas rasas são todos comprados de empresas não-brasileiras, em função da tecnologia necessária a esse equipamento. Em compensação, ponderou, os dutos destinados a águas rasas são todos provenientes de empresas nacionais.
O programa de substituição dos dutos da Bacia de Campos teve início em 2002, como parte do amplo programa de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) implantado pela companhia a partir dos acidentes ocorridos em 2000 e 2001, como o vazamento de óleo da Bacia de Campos e o naufrágio da plataforma P-36. Segundo o gerente da Petrobras, a malha dutoviária da Bacia de Campos já alcançou, na média, os 20 anos de prazo de vida de útil.
Plinio Mello participou nesta quinta-feira (03/06) de uma mesa redonda no segundo dia da Protection Offshore, feira voltada para o segmento de SMS cujo encerramento está previsto para esta sexta-feira.
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