Petroquímica

Petrobras retoma o papel de líder em grandes investimentos do setor

Valor Econômico
31/01/2005 00:00
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A Petrobras desenha uma nova trajetória de investimentos no petroquímico, com uma carteira de projetos próprios e com parceiros que somam quase US$ 10 bilhões. Pode ser visto como espécie de reestruturação paralela do setor se vingarem todos planos anunciados nos últimos seis meses. Ao todo são seis, distribuídos em vários Estados, envolvendo uma grande central de matérias-primas e várias unidades de resinas termoplásticas, somando US$ 9,1 bilhões. Esse valor - que não é só da estatal - corresponde a mais de três vezes os US$ 2,698 bilhões que arrecadou nos leilões de privatização da maior parte das suas participações no setor, feitos no início da década de 90.
A empresa continuou no setor apenas com participações minoritárias nos pólos do Nordeste (hoje Braskem), de São Paulo (Petroquímica União) e do Sul (Braskem e Ipiranga) e outros empreendimentos de pouca importância.
Nos projetos em parcerias que toca agora, não será a maioria do controle em todos, mas diferentemente dos pólos, obrigatoriamente está impondo poder de decisão na gestão. Analistas do mercado de ações e especialistas da área ouvidos pelo Valor duvidam que ela concretize todos os projetos, seja por problemas de rentabilidade de alguns deles, seja pelo tamanho do esforço financeiro necessário.
Esse apetite da estatal no setor contrasta com os meros 2% dos US$ 53,6 bilhões de investimentos da companhia reservados para a petroquímica em seu plano estratégico anunciado em 2004 para até 2010 - apenas US$ 1,1 bilhão.
Empresários dá área, como o diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, Armando Guedes Coelho (ex-presidente da Petrobras), consideram que a estatal deve entrar no setor, porém "mais no aspecto de fomento".
O BNDES é o mais poderoso aliado da Petrobras na sua nova investida petroquímica. O banco, que pretende financiar e também se associar às iniciativas, vem participando do grupo de trabalho da empresa que estuda seus projetos e considera que desenvolvê-los é um objetivo de governo. "A Petrobras está muito certa em avaliar todos esses projetos com vontade", afirma Cynthia Moreira, chefe do departamento de indústria química do banco.
Um estudo do BNDES concluiu que sem os projetos da Petrobras haverá escassez de produtos petroquímicos no país já a partir de 2007. Hoje, segundo levantamento dos técnicos do banco, já falta PET (resina para a produção de garrafas de plástico duro) e só não vai faltar polietileno graças à entrada em operação da Rio Polímeros, prevista para abril - a Petrobras tem 16,7% do projeto e pode chegar a 33,4%.
As projeções do BNDES indicam que o Brasil terá de investir US$ 2,27 bilhões no setor até 2008 e US$ 12,81 bilhões até 2013. O estudo se baseia em uma estimativa de crescimento do PIB brasileiro de 3,5% em 2004 (deve ficar em torno de 5%), de 4% em 2005, de 4% em 2006 e de 5% ao ano de 2007 a 2013. O fato de o crescimento de 2004 ter sido maior que o estimado no estudo é visto como razão para acelerar os investimentos.
O paranaense Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras desde meados de 2004, é quem pilota essa nova ofensiva da estatal na petroquímica. Alguns analistas consideram que com os anúncios de investimentos Costa está apenas buscando ampliar o espaço da sua área na empresa, mas o Valor apurou que a direção da estatal avaliza integralmente suas iniciativas.
A menina dos olhos dos projetos petroquímicos da Petrobras é a nova central petroquímica do Rio a partir de uma refinaria para óleos pesados da Bacia de Campos. Considerado um projeto conceitualmente bom até por opositores, absorverá US$ 3 bilhões só para a refinaria e US$ 3,5 bilhões para a fase petroquímica. O grupo Ultra e o BNDES já se comprometeram no projeto. Na avaliação de um especialista, há risco de o preço final das matérias-primas ficar muito alto.
Outro de destaque é um pólo gás-químico em Corumbá (MS), já de parceria acertada com a Brasken, com investimento de US$ 1,2 bilhão para produzir em torno de 600 mil toneladas de eteno e da resina polietileno com gás boliviano. No Nordeste, os investimentos para uma fábrica de paraxileno na Bahia e uma de PTA em Pernambuco vão exigir US$ 850 milhões, sendo US$ 400 milhões na primeira, que será 100% da Petrobras. Ambas vão garantir matérias-primas na cadeia produtiva do PET (resina para embalagens). A unidade PTA será feita em parceria com o grupo italiano Mossi & Ghisolfi, que estuda fazer em Pernambuco a maior fábrica de PET mundo.
Outros dois projetos: um de ácido acrílico em Minas (US$ 360 milhões) e um de polipropileno em Paulínia-SP (US$ 227 milhões) são considerados mais maduros, pendentes apenas de ajustes societários. A Elekeiroz (Itausa) é pré-candidata a sócia no acrílico. Em Paulínia firmou parceria com Braskem.

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