Negócios

Petrobras se aproxima de endividamento-limite de 35%

DCI
16/08/2010 17:28
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Em meio à turbulência que envolve a interdição da plataforma P-33 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobras informou na última sexta-feira que o investimento total no primeiro semestre de 2010 aumentou 17% em comparação com o de mesmo período do ano passado. Segundo dados da empresa, o valor dos aportes entre janeiro e junho alcançou R$ 38,1 bilhões.


Ao mesmo tempo em que a empresa investe, o endividamento bruto sobe. Com uma geração de caixa de R$ 31 bilhões, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Almir Barbassa, reportou que a Petrobras está próxima ao limite estabelecido pelos acionistas. No mês de junho, a dívida atingiu R$ 118,4 bilhões, R$ 10,2 bilhões a mais do que no fechamento do trimestre anterior. O nível de alavancagem (relação entre dívida e patrimônio) está em 34%; o nível máximo de endividamento é de 35% em relação ao patrimônio.


Em junho, a companhia apresentou o Plano de Negócios para o período 2010-2014, no qual a estatal apontava para investimento de US$ 224 bilhões, média de quase US$ 45 bilhões, cerca de R$ 79,65 bilhões à cotação do dólar a R$ 1,77. Dessa forma, no primeiro semestre a companhia aplicou 48% do programado para o ano.


Apesar dessa proximidade, Barbassa afirmou que não teme perder o grau de investimento. Além disso, essa estrutura de capital demonstra a urgência do processo de capitalização da companhia, que deve terminar em setembro.


Esta situação delicada não desanimou o executivo, que preferiu comemorar o desempenho da companhia. Ele afirmou que esse movimento da estatal está em linha com as promessas de maior investimento. "Nós estamos crescendo, fazendo mais exploração e descobrindo mais petróleo. Além disso, estamos desenvolvendo os campos descobertos, o que proporciona a ampliação da produção da companhia no futuro."


Dentre esses aportes em desenvolvimento de campo, Barbassa citou o segundo teste-piloto do Campo de Tupi, o contrato de aquisição de cuja plataforma foi assinado e que deverá entrar em operação em cerca de 34 meses.


É neste campo que a Petrobras já desenvolve o primeiro teste-piloto do pré-sal com a plataforma Cidade de São Vicente. Os investimentos diretos e indiretos (aqueles realizados por empresas em que a estatal possui participação) na área de Exploração & Produção de óleo e gás somaram R$ 18,304 bilhões, ou 48% do total. Em seguida veio a área de Abastecimento, com R$ 14,1 bilhões, ou 37%. A diretoria de Gás e Energia ficou com R$ 3,804 bilhões. Em Distribuição foram investidos R$ 285 milhões, e R$ 1,548 bilhão foi aportado no Corporativo.


Resultados
Apesar da alta expressiva dos investimentos, o lucro líquido da petrolífera no segundo trimestre permaneceu próximo do do mesmo período do ano passado. Entre maio e junho a estatal ganhou R$ 8,295 bilhões, crescimento de 1,65% em relação aos R$ 8,160 bilhões apurados em igual intervalo de 2009. Nesse período de comparação, a geração de caixa medida pelo Ebitda (resultado antes de impostos, juros, depreciação e amortização) totalizou R$ 15,927 bilhões, queda de 9,5%. A receita líquida da estatal somou R$ 53,631 bilhões, perfazendo um crescimento de 20,2%, impulsionado pelo preço do barril mais elevado nesse período.


Na base de comparação semestral, a estatal reportou crescimento de 11% do lucro líquido do primeiro semestre de 2010, ante 2009: passou de R$ 14,451 bilhões para R$ 16,021 bilhões. Nesse período, a geração de caixa medida pelo Ebitda ficou estável, em R$ 31,003 bilhões; já a receita líquida somou R$ 104,043 bilhões, aumento de 19%.


O custo operacional da empresa para extração de petróleo ficou em R$ 17,54 no segundo trimestre deste ano. Comparado com o dos primeiros três meses de 2010, o valor ficou estável.


Interdição
 
A Petrobras informou que soube da interdição da P-33 pela imprensa e que não havia sido notificada pela ANP. A empresa rebateu a afirmação de que a segurança a bordo da plataforma não estaria adequada. Segundo a estatal, a análise de riscos da unidade de produção foi atualizada em 2007 e, seguindo as melhores práticas internacionais, essa análise sofre revisão a cada 5 anos, portanto estaria válida até 2012. Ainda na sexta-feira, a estatal informou que iria antecipar a parada programada da P-33, originalmente programada para outubro, para fazer trabalho de manutenção que deverá durar 25 dias.
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