Negócios

Petrobras tem proposta por refinaria

A Petrobras recebeu uma proposta de US$ 650 milhões pela refinaria Nansei Sekiyu K.K., em Okinawa, no Japão. O possível comprador é uma companhia sediada em Cingapura. A refinaria do Japão é um dos cerca de 40 ativos de exploração e produ&

Valor Econômico
22/03/2013 09:01
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A Petrobras recebeu uma proposta de US$ 650 milhões pela refinaria Nansei Sekiyu K.K., em Okinawa, no Japão. O possível comprador é uma companhia sediada em Cingapura. Segundo o 'Valor' apurou com fontes a par das negociações, a oferta pela refinaria é de US$ 80 milhões e o restante será pago pelos estoques de produtos (petróleo e combustíveis), armazenados no local.

A refinaria do Japão é um dos cerca de 40 ativos de exploração e produção, refino, distribuição de gás e geração elétrica que serão vendidos no Brasil, América Latina, Estados Unidos e África em 2013 para engordar em US$ 9,9 bilhões o caixa da Petrobras. Também estão à venda participações acionárias nas distribuidoras Gaspisa (24,5%), CEBGas (32%), Goiás Gás (19,5%); Gasap (24,5%) e SCGás (23%), que não são atendidas por sua malha de gasodutos. Essas são apenas algumas das participações da estatal, que é sócia de 21 distribuidoras de gás canalizado no país.

No ano passado, a estatal recebeu uma proposta da Concord Energy, de Cingapura, pela refinaria Nansei Sekiyu, mas na ocasião o preço oferecido foi considerado baixo. A Petrobras pagou cerca de US$ 57 milhões pela Nansei. Agora, o conselho de administração da empresa ainda precisa aprovar a proposta para que seja assinado o contrato de venda das ações.

A refinaria tem capacidade para processar 100 mil barris de petróleo leve por dia, e também um terminal capaz de armazenar quase 10 milhões de barris de petróleo e derivados. A Petrobras comprou 87% dessa refinaria em 2008, de uma subsidiária da ExxonMobil por aproximadamente US$ 50 milhões. Em 2010 pagou outros US$ 7 milhões pelos 12,5% da Sumitomo.

Já a refinaria de Pasadena, no Texas, cuja aquisição está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ficou de fora. No resultado do quarto trimestre, a Petrobras fez uma baixa contábil (impairment) de R$ 464 milhões referente à refinaria americana, mas podem vir outros. E se ela for vendida agora, a estatal precisará realizar um prejuízo bilionário. Ela gastou US$ 1,1 bilhão na aquisição e a única oferta que recebeu, da refinadora Valero, o preço oferecido foi de US$ 80 milhões.

Entre os ativos da área de gás e energia no Brasil, a Petrobras decidiu se desfazer de todas as termelétricas movidas a óleo combustível e óleo diesel (cerca de 1.035 megawatts em capacidade de geração) e os quatro parques eólicos em Mangue Seco, no Rio Grande do Norte, com capacidade de gerar 104 MW. Com um parque que soma 6.952 MW, a estatal de petróleo é a sétima maior geradora de energia do país.

A Petrobras controla ou tem participação societária em oito termelétricas movidas a óleo combustível e diesel. Também é dona de sete térmicas que podem usar óleo ou gás natural com quase 1.700 MW de capacidade instalada. A decisão da companhia é de não vender suas térmicas a gás, consideradas estratégicas para o setor elétrico brasileiro. A área teve lucro de R$ 1,638 bilhão em 2012.

Na área de exploração e produção (upstream) estão à venda metade da participação acionária da Petrobras nos campos de Xerelete e Maromba, onde ela tem 41,2% e 70% respectivamente, operados pela Total e Chevron. Nos quatro campos que formam o Parque das Conchas, operado pela Shell, tudo foi posto à venda. A Petrobras tem 35% da área, onde foram descobertos os campos de Ostra, Abalone, Argonauta e Nautilus.

No exterior, estão atraindo grande interesse os ativos da estatal no Peru, onde foram feitas descobertas gigantes de gás nos blocos 57 (campo de Sagari) - a brasileira tem 46,16% do projeto em associação com a Repsol - e no bloco 58, onde foram encontrados os reservatórios de gás Urubamba, Picha e Taini. A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse esta semana que não vai sair totalmente da Argentina, onde procura sócios.
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