Petroquímica

Petrobras terá mais de 30% no novo pólo de Paulínia

Valor Econômico
02/06/2005 00:00
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A Petrobras terá uma participação no novo pólo de polipropileno de Paulínia (SP) maior que os 30% inicialmente previsto no contrato com sua parceira, a Brasken, controlada do grupo Odebrecht. A estrutura societária final deverá ser aprovada na última semana deste mês pelos conselhos de administração da Brasken e da Petroquisa, subsidiária da Petrobras para o setor petroquímico.
A nova unidade terá capacidade para produzir 350 mil toneladas/ano de polipropileno (resina usada na produção de materiais plásticos), devendo absorver investimentos de aproximadamente US$ 250 milhões. Ontem, em entrevista ao Valor, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que a estatal não precisa ser majoritária, mas deseja ter uma participação que lhe assegure uma atuação efetiva no controle da empresa, tanto no conselho de administração como na diretoria executiva.
"Nós não queremos participar como suporte. A nossa participação será como a de um jogador principal", afirmou. Para Costa, o arranjo na base de 30% para a estatal e 70% para a Brasken é insuficiente para assegurar a presença que a Petrobras pretende ter no projeto. "Nós não necessariamente precisamos ser majoritários. Agora, é fundamental que tenhamos participação ativa na gestão, seja nos conselhos ou na diretoria", enfatizou.
O projeto de polipropileno de Paulínia, idealizado no começo dos anos 90, sempre enfrentou resistência dentro da Petrobras por causa do arranjo societário que ficou estabelecido já naquela época. O argumento, especialmente dos setores mais à esquerda dentro da empresa, era de que entrando com apenas 30% a Petrobras não passaria de um suporte, assegurando o fluxo de matéria-prima (da refinaria de Paulínia) para que a OPP (hoje Brasken) ficasse com a parte do leão nos lucros auferidos.
Até o mês passado dirigentes da Brasken consideravam que essa era uma discussão superada, mas ontem uma fonte da empresa admitiu que a estatal terá "uma participação maior" que os 30% inicialmente previstos. Embora nenhuma das partes revele qual deve ser a nova estrutura, é provável que ela seja na base de 60% para a Brasken e 40% para a Petrobras. Concluída a formação da sociedade, a expectativa dos sócios é de que as obras da unidade de polipropileno sejam iniciadas no quarto trimestre deste ano e que a fábrica entre em operação em 2007.
Além da associação para o pólo de Paulínia, Petrobras e Brasken têm um novo assunto para concluir até dezembro, a definição sobre o exercício da opção que a estatal tem para aumentar sua participação na maior petroquímica privada do país. A Petrobras tem hoje 8,45% da Brasken e, com o exercício da opção, chegaria a 30%.
A opção deveria ter sido exercida até o final de abril deste ano, mas as duas empresas decidiram assinar novo acordo, prorrogando para dezembro o desfecho, com um novo desenho. Pelo compromisso anterior, ao exercer a opção a Petrobras teria que sair de outros projetos petroquímicos nos quais está envolvida, como a Rio Polímeros, a ser inaugurada neste mês. No novo acordo, ainda por assinar, a estatal fica desobrigada desse compromisso, fato que, segundo os analistas, favorece o exercício da opção.

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