Meio ambiente

Polo Petroquímico avança em soluções para controle ambiental

Redação/Assessoria
17/09/2019 16:22
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As indústrias do Polo Petroquímico do ABC avançam em soluções para controle ambiental com foco no desenvolvimento sustentável do complexo industrial. Cases foram apresentados no Seminário Práticas Sustentáveis no Polo do Grande ABC, realizado pelo Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC (COFIP ABC), com o apoio da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), em uma das unidades da Braskem, em Santo André.

Na terceira edição, o encontro reuniu profissionais de indústrias, entidades de classe e órgãos públicos em programação de palestras e cases, cuja proposta foi mostrar os indicadores de desempenho em meio ambiente da indústria no Brasil e na região, bem como compartilhar as melhores práticas de gestão do Polo Petroquímico.

Indicadores - Os indicadores da indústria química nacional foram apresentados por Paula Tanaka, assessora de Economia e Estatística da Abiquim. Com a participação de 81 empresas, que respondem por 225 plantas em todo o País, o estudo mostrou que em 2018 a indústria conseguiu reduzir a captação de água em 34%, a geração de resíduos em 21% e o consumo de energia elétrica em 11%, em relação ao início da série histórica, em 2006. No diálogo com a comunidade, 100% dos contatos realizados foram solucionados.

Andrea Carla Barreto Cunha, diretora de Assuntos Técnicos da Abiquim, apresentou o Programa Atuação Responsável®, iniciativa voluntária da indústria química mundial, coordenada no Brasil pela Associação, e que promove a melhoria contínua da indústria química em saúde, segurança e meio ambiente. Andrea ainda destacou que o compromisso do setor com a gestão segura não se limita à unidade industrial. Neste contexto, destacou o trabalho realizado pela Abiquim na produção da Agenda Estratégica de Logística, que propõe a diversificação da matriz de transporte, hoje dependente do modal rodoviário: “a exemplo de outros países precisamos utilizar a cabotagem e o modal ferroviário para que nossa matriz seja mais competitiva e sustent&aac ute;vel”.

Depois, Carlos Barbeiro, consultor técnico da Abiquim e do COFIP ABC, divulgou os indicadores do Polo, a partir de estudo realizado com as 13 empresas associadas ao Comitê. Entre os números apresentados, Barbeiro apontou que o Polo consumiu 10,9 milhões de m³ de água em 2018, sendo 9,7 milhões de m³ (89%) provenientes da Aquapolo, que abastece o complexo com água de reúso industrial. “Esse volume equivale ao abastecimento de 45.300 casas com quatro pessoas, então essa água que antes era consumida nas indústrias agora é disponibilizada para os lares”, afirmou.

João Carlos Mucciacito, químico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), contou que a Companhia possui duas estações para monitoramento da qualidade do ar, instaladas nas proximidades do Polo, e frisou que a substituição do combustível utilizado no complexo industrial permitiu significativo ganho do ponto de vista ambiental. “Os outros polos petroquímicos utilizam carvão ou óleo enquanto aqui é 100% de gás natural, o que fez reduzir a emissão de materiais particulados e compostos de enxofre”, contou.

Em seguida, Carlos Barbeiro contou que a população ainda confunde o vapor d’ água que sai das chaminés - observado no Polo - com emissão de poluentes, no entanto destacou que o vapor é água, resultado de processos de aquecimento ou resfriamento. Barbeiro ainda apontou que as emissões veiculares representam a principal fonte de poluição atmosférica. “Um carro antigo tem a equivalência ambiental de 40 novos”, comparou. No caso de um carro 0 km, o catalisador precisa ser trocado após cinco anos de uso ou 80 mil km rodados para evitar a emissão de poluentes ao meio ambiente, de acordo com o palestrante.

Cases – O encontro também contou com exibições de cases em sustentabilidade. Renata Vallerio, coordenadora de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Cabot, mostrou solução que permite fazer o aproveitamento energético de gases residuais. Na planta, os gases resultantes do processo produtivo são direcionados para caldeira capaz de gerar vapor. Parte do vapor é enviada a uma turbina, sendo transformado em energia elétrica para consumo próprio. “Geramos 60% da energia consumida”, apontou Renata.

Alberto Amano, gerente de Projetos da Braskem, apresentou o projeto de modernização Vesta, que permitirá reduzir o consumo de energia a partir da substituição de turbinas com 25% eficiência por motores elétricos com 95% de eficiência, em desenvolvimento na Alemanha com previsão de chegada em março. “Vamos economizar o equivalente ao abastecimento de uma cidade com 1 mi de habitantes”, afirmou o executivo. A empresa ainda estima reduzir em 11,4% o consumo de água e 6,3% as emissões de CO2.

Em seguida foi a vez de Oscar Abreu, gerente de fábrica da Bandeirante Química, com case sobre redução da geração de vapores orgânicos voláteis na armazenagem de solventes, com o uso de selo flutuante interno em tanque de armazenagem cilíndrico vertical, onde o selo metálico, impermeável aos vapores, flutua na superfície do líquido, reduzindo a velocidade de evaporação e as perdas por evaporação. As estimativas demonstram que selo flutuante reduz em até 95% as emissões de vapores orgânicos voláteis para a atmosfera.

Marcelo da Silva Gomes, engenheiro de Meio Ambiente da Oxiteno, falou sobre a parceria estabelecida com a Cabot para recebimento de vapor gerado a partir da recuperação de gases residuais do processo produtivo, o que possibilitou à Oxiteno a desativação de uma das caldeiras e a manutenção da segunda em stand-by para eventuais necessidades de geração de vapor. “Entre os ganhos nós tivemos diminuição no consumo dos recursos naturais, assim como redução das emissões atmosféricas”, afirmou.

Luís Pazin, presidente do COFIP ABC e diretor industrial das Unidades de Químicos da Braskem no Sudeste, afirmou que as empresas do Polo possuem processos claros para cumprir legislações aplicáveis e, mais do que isto, estão engajadas em ações de melhoria contínua. Frisou que a oportunidade é avançar na comunicação com os todos os stakeholders, principalmente a comunidade, no sentido de manter a “licença social” de operação. “Não basta ser, é preciso mostrar que nós somos”, disse.

 

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