Porto de Paranaguá

Porto de Santarém pode gerar economia de R$ 600 mi para MT

O porto de Santarém (PA), que já vem sendo bastante utilizado pelos produtores mato-grossenses das regiões norte e noroeste, com médias de cargas exportadas superiores ao volume que sai pelo porto de Paranaguá (PR), será ampliado nos próximos anos

Diário de Cuiabá - MM
15/07/2010 07:24
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O porto de Santarém (PA), que já vem sendo bastante utilizado pelos produtores mato-grossenses das regiões norte e noroeste, com médias de cargas exportadas superiores ao volume que sai pelo porto de Paranaguá (PR), será ampliado nos próximos anos com o projeto da norte-americana Cargill. A decisão da trading segue o exemplo do grupo André Maggi, que detém concessão do porto de Itacoatiara, no Amazonas, para exportação de soja.
 
 
 
Na opinião do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Glauber Silveira, o porto é de fundamental importância para o escoamento da soja e para a sustentabilidade do agronegócio mato-grossense, podendo gerar uma economia de até R$ 600 milhões em frete. “Vamos percorrer no mínimo mil quilômetros a menos para colocarmos nossos produtos nos portos exportadores. O ganho será enorme”.
 
 
 
O primeiro passo para a ampliação do porto foi dado ontem pela manhã, com a realização de audiência pública em Santarém para discutir os impactos das obras para a comunidade local.
 
 
 
“A Cargil apresentou o projeto, inclusive com os impactos ambientais e as implicações econômicas e sociais para a comunidade de Santarém. As entidades que participaram da audiência gostaram da apresentação e acredito que a ampliação do porto é só uma questão de tempo mesmo”, disse Glauber Silveira, que participou do evento no Pará. “A comunidade de Santarém entendeu a importância da obra e os esforços empreendidos para a sua construção, que irá gerar emprego para a mão-de-obra local”.
 
 
 
Com a realização da audiência a Cargill depende agora só de licenciamento ambiental para iniciar as obras, que deverão ser concluídas em um prazo de três anos.
 
 
 
EXPORTAÇÕES – A Aprosoja/MT estima que num prazo de dois anos Mato Grosso poderá exportar cerca de 10 milhões de toneladas de soja via porto de Santarém, que em comparação à produção desta safra (09/10), em cerca de 18,8 milhões de toneladas, significa dizer que mais de 46% do grão seria ecoado pelo Norte do país.
 
 
 
O volume estimado pela entidade representa incremento de 1.150% em relação ao que se exporta atualmente pelo porto (cerca de 800 mil toneladas).
 
 
 
A projeção foi feita com base na ampliação do porto de Santarém, que atualmente tem capacidade para exportar apenas 2 milhões de toneladas, e na conclusão da pavimentação da rodovia Cuiabá-Santarém, a BR-163, até dezembro de 2011. “É a nossa grande alternativa [de escoamento]”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro.
 
 
 
De acordo com cálculos da Aprosoja/MT, a rota Cuiabá-Santarém vai reduzir em até US$ 39 o custo do frete por tonelada de soja transportada, em relação ao que se paga pelo escoamento do produto via Santos (SP) e Paranaguá (PR), cerca de US$ 130 por tonelada no caso da região de Sorriso, por exemplo. Por Santarém, este custo poderia ser reduzido em até 30% (US$ 91), garantindo maior competitividade aos grãos produzidos em Mato Grosso.
 
 
 
“É importante ganharmos novas saídas de escoamento da produção, pois precisamos reduzir os custos do frete e tornar a nossa soja mais competitiva no mercado internacional”, afirma Carlos Fávaro. Ele diz que o porto de Paranaguá “deixou de ser uma boa opção” para os produtores mato-grossenses com lavouras fora da região Sul.
 
 
 
“Com a busca de melhorias pelo transporte modal, vamos abrir novas saídas para a soja, otimizando o transporte, ganhando tempo e reduzindo custos. A preocupação é melhorar a renda do produtor, e uma das formas é ampliar as rotas de escoamento da produção”, disse, lembrando que o produtor deve avaliar o que é melhor para ele em termos de frete.

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