Opinião

PPSA esvaziará ANP, diz Zylbersztajn

A criação da Pré-Sal Petróleo (PPSA), empresa que irá ser a gestora da exploração de petróleo no regime de partilha, é desnecessária e perigosa. A afirmação foi dada ontem (5) pelo ex-diretor-geral da Agência N

Revista TN Petróleo, Redação/ Maria Fernanda Romero
06/08/2013 13:14
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A criação da Pré-Sal Petróleo (PPSA), empresa que irá ser a gestora da exploração de petróleo no regime de partilha, é desnecessária e perigosa. A afirmação foi dada ontem (5) pelo ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), atualmente sócio e diretor da DZ Negócios com Energia, David Zylbersztajn, durante palestra na Associação Comercial do Rio (ACRJ). 
 

Segundo ele, com a PPSA, a ANP perde sua autonomia. "Acredito que a ANP teria condições de operar essas concessões no pré-sal como já faz nas outras áreas, assim como fiscalizar as atividades e gastos das empresas que vão explorar. Não era necessário se criar uma estatal para isso, desta forma se esvazia-se a agência", enfatizou.
 

Para Zylbersztajn, criar uma estatal para comprar e vender petróleo, em qualquer governo de qualquer época, é sempre um perigo. "Já temos experiência suficiente no Brasil de que quando existiu estatais trabalhando na gestão de commodities o resultado nunca foi bom", salientou o executivo, lembrando do casos do Instituto Brasileiro do Café (IBC), Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), órgãos estatais da década de 70/80 que negociavam a compra e venda das commodities e mais tarde fecharam por uma série de problemas e irregularidades.
 

Modelo de Partilha
 

David Zylbersztajn critica fortemente o modelo de partilha definido pelo governo brasileiro. O executivo acredita que com o atual modelo, retoma-se o monopólio da Petrobras, pois ela será a única operadora do pré-sal, com obrigação de ter no mínimo 30% de participação. 
 

Na opinião dele, a Partilha de certa forma não vai atrair muitos investidores: "Cada empresa tem sua estratégia, depende da origem do seu país, pode ter atores diferentes, mas com certeza se gera uma situação de desconforto para alguém que é submetido a um processo onde as empresas terão uma participação minoritária sujeitas a uma estrutura com outros interessentes - não necessariamente voltada para os interesses comerciais comuns. Sem contar que trata-se de um processo que não é muito transparente".
 

Mercado Nacional
 

Para o executivo, o país perdeu muitas oportunidades com o pré-sal. Ele acredita que se o governo tivesse permitido que as áreas do pré-sal fossem leiloadas na 10ª Rodada em 2008 pelo modelo de concessão, poderíamos estar com o dobro da produção atual de petróleo.
 

"Com a retomada dos leilões este ano, teremos que esperar de seis a oito anos para ver essa produção", explicou. De acordo com Zylbersztajn, nos seis anos de letargia que o país ficou sem renovação das áreas de explroação, o mundo mudou muito e perdemos diversas oportunidades - como o gás e o óleo de xisto que os Estados Unidos descobriram nesse período e provocará uma grande mudança no mercado mundial.
 

Na ocasião, ele comentou ainda que o petróleo é um recurso finito e que é extremamente importante se investir em outras fontes, pois daqui há 20 anos a situação vai mudar. "O petróleo é um mal necessário ainda, mas é preciso ir além", apontou.
 

Petrobras
 

Zylbersztajn disse que se preocupa com a atual situação da Petrobras, que segundo ele, está no limite do seu endividamento. A estatal terá que desembolsar no mínimo R$ 4,5 bilhões no Campo de Libra, do leilão que será realizado em outubro.
 

O ex-diretor da ANP estimou que para o desenvolvimento do pré-sal serão necessários investimentos entre US$ 6 bilhões e US$ 1 trilhão até 2020.
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