Mercado

Preço do petróleo pode chegar a US$ 60

Jornal do Commercio
06/01/2009 01:59
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A queda mais vertical já registrada pelos preços do petróleo bruto no ano passado deverá preparar os investidores em petróleo para uma alta este ano, a julgar pelos históricos anteriores. A curva conhecida como avançada dos contratos futuros negociados na Bolsa Mercantil de Nova York sugere que o petróleo vai se valorizar 23,13%, para US$ 60,10 o barril, até dezembro deste ano. A curva tem uma aparência quase igual à de 10 anos , depois que o calote da dívida da Rússia e o colapso do fundo de hedge Long-Term Capital Management LP (LTCM) elevaram o receio de que um desaquecimento da economia mundial reduziria a demanda por combustíveis. Os preços do petróleo bruto caíram 25% no último trimestre de 1998, sua maior queda de sete anos.

 

As apostas numa recuperação renderam frutos na época, quando a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reduziu a produção em 6,9%, levando os preços a mais do que duplicarem em 1999. Agora, a Opep está prometendo cortar a oferta em 9%, empresas desde a Royal Dutch Shell Plc até a Valero Corp. estão adiando novos projetos energéticos e os BCs estão reduzindo as taxas de juros para pôr fim à pior crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial.

 

"A economia mundial vai entrar num ambiente de maior estabilidade mais provavelmente no segundo semestre de 2009", disse Christoph Eibl, co-gestor de mais de US$ 1 bilhão na Tiberius Asset Management de Zug, na Suíça. "As commodities devem, portanto, se recuperar. O petróleo bruto é a que tem o maior potencial para isso."

 

 

Mercado futuro. As operadoras já estão se beneficiando do fato de os preços do mercado futuro ultrapassarem os fixados pelos contratos para entrega imediata, situação conhecida como contango. Até os últimos meses deste ano cerca de 26 milhões de barris de petróleo deverão ser estocados em navios-tanque. O petróleo bruto armazenado, avaliado em US$ 1,2 bilhão aos preços atuais, estará valendo US$ 1,57 bilhão, com base nos contratos para entrega em dezembro, embutindo potencialmente um lucro para os investidores após gastos com financiamento, estocagem e seguro para o petróleo.

 

Vinte e oito dos 30 analistas consultados pela Bloomberg prevêem preços mais elevados para o petróleo no fim deste ano, com a mediana das estimativas para o quarto trimestre alcançando US$ 70 o barril.

 

Adam Sieminski, economista-chefe de combustíveis do Deutsche Bank AG de Washington, é o mais pessimista dentre eles. Ele disse em dezembro último que o petróleo será negociado a US$ 40 no quarto trimestre de 2009, quase 14 % menos do que o fechamento de 2 de janeiro, segundo mostram dados reunidos pela Bloomberg. A desaceleração econômica mundial deverá reduzir a demanda em cerca de 700.000 barris/dia este ano, disse ele.

 

"Embora os preços das commodities tenham caído acentuadamente em relação a seus picos de julho de 2008, vejo um risco de maior queda, de 15 a 20% , para as commodities em 2009 e talvez uma recuperação desses preços apenas mais para o fim do ano, se houver sinais de um fortalecimento da economia mundial", disse Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York, que previu a instauração da crise financeira mundial.

 

 

Estabilidade. A duração do desaquecimento continua a representar o maior risco à recuperação das matérias-primas. O Japão, a segunda maior economia do mundo, poderá não voltar a uma trajetória de crescimento antes do quarto trimestre deste ano, enquanto a zona do euro deverá encolher até o fim deste ano, segundo sondagens da Bloomberg junto a economistas.

 

O petróleo subiu em 1999 quando a Opep reduziu sua produção em 1,71 milhão de barris/dia, volume equivalente ao extraído atualmente pela Líbia, o maior produtor do Norte da África.

 

A Opep está "determinada a instaurar a estabilidade no mercado do petróleo", disse o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, no último dia 21 de dezembro em Londres, e o rei saudita Abdullah disse em novembro que US$ 75 era um preço justo. Naquele mês seu país reduziu a produção em 3,2%, o maior percentual desde abril de 2006, segundo mostram dados reunidos pela Bloomberg.

 

A Opep vai cortar as remessas diárias de petróleo bruto em 1% no período de quatro semanas a encerrar-se no dia 17 de janeiro, num momento em que o grupo implementa os cortes de produção aprovados na Argélia no mês passado, segundo a consultoria setorial Oil Movements.

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