Biometano

Produção de biometano cresce 75% no Brasil e amplia desafio de controle da qualidade

Nova resolução da ANP aprovada em agosto aprimora regras para o combustível em um momento de expansão do mercado; monitoramento da composição do gás é estratégico para acompanhar processo e qualidade da produção.

Redação TN Petróleo/Assessoria Clean
12/09/2026 10:02
Produção de biometano cresce 75% no Brasil e amplia desafio de controle da qualidade Imagem: Divulgação Visualizações: 114

O avanço do biometano no Brasil começa a trazer um novo desafio para o setor: crescer mantendo controle sobre a qualidade do combustível produzido. Em 2025, a produção nacional aumentou aproximadamente 75%, passando de 606,6 mil metros cúbicos por dia, em 2024, para 1,06 milhão de metros cúbicos diários. No início de agosto, conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país já somava 21 plantas autorizadas para comercialização e outras 48 em processo de autorização.

A expansão acontece em paralelo a mudanças no ambiente regulatório. Em agosto, a ANP aprovou a Resolução nº 1.006/2026, que consolida e aprimora as regras de especificação e controle da qualidade do biometano, até então distribuídas em duas resoluções distintas. A norma atualiza métodos de ensaio e procedimentos de controle, uniformiza a frequência de monitoramento do enxofre total e aperfeiçoa regras relacionadas à análise de riscos e ao gerenciamento de barreiras técnicas.

Para a Clean Environment Brasil, empresa de Valinhos/SP especializada em tecnologias para monitoramento ambiental, detecção e análise de gases, o crescimento do mercado reforça uma etapa que acontece longe dos olhos do consumidor, mas é determinante para o desenvolvimento do setor: conhecer com precisão a composição do gás durante o processo de produção.

O biometano é obtido a partir do processamento do biogás, gás proveniente da decomposição de matéria orgânica e composto principalmente por metano e dióxido de carbono. Para chegar ao combustível final, o biogás passa por processos de purificação destinados a aumentar a concentração de metano e reduzir componentes indesejados. Nesse percurso, informações sobre componentes como metano (CH₄), dióxido de carbono (CO₂), oxigênio (O₂) e sulfeto de hidrogênio (H₂S) permitem acompanhar o comportamento da planta e identificar variações no processo. Dependendo da origem do biogás e da aplicação do produto final, outros componentes e características também precisam ser analisados.

"Quando a produção ganha escala, a qualidade dos dados precisa acompanhar esse crescimento. Não se trata apenas de saber quanto gás está sendo produzido, mas de entender continuamente o que está acontecendo com a composição dele ao longo do processo. Quanto mais rápida uma alteração é identificada, maior é a capacidade de avaliar o processo e tomar uma decisão técnica", explica Eliezer Santos, Engenheiro Sanitarista e Diretor de Negócios  da Clean Environment Brasil.

Monitoramento operacional e controle da qualidade

A análise do gás pode cumprir funções diferentes dentro de uma planta. Há ensaios e procedimentos relacionados à comprovação da qualidade do produto, enquanto o monitoramento operacional permite acompanhar o comportamento do processo de forma recorrente ou contínua.

É nessa segunda frente que os dados em tempo real ganham importância. Variações na concentração de metano, aumento de CO₂ ou presença de determinados gases podem indicar mudanças que merecem ser investigadas pela equipe responsável pela operação.

"Uma análise pontual mostra as condições de uma determinada amostra naquele momento. Já o acompanhamento contínuo permite observar tendências, oscilações e mudanças de comportamento. Isso gera histórico e oferece ao operador mais informações para entender o processo, em vez de perceber uma alteração apenas posteriormente", acrescenta Eliezer.

A distinção é importante também diante da nova regulamentação. A Resolução nº 1.006/2026 atualiza procedimentos de controle da qualidade e métodos de ensaio, mas isso não significa que todos os parâmetros tenham a mesma frequência de análise. O monitoramento contínuo pode ser utilizado como ferramenta de gestão e controle operacional da planta, complementando as análises previstas para comprovação das especificações do produto.

Mais plantas, mais dados

Segundo os dados divulgados pelo setor, as 21 plantas autorizadas no país tinham, no início de agosto, capacidade instalada de aproximadamente 1,33 milhão de metros cúbicos normais por dia. Com outros 48 empreendimentos em processo de autorização, a capacidade nacional pode aumentar significativamente nos próximos anos. O cenário aponta para aumento da exigência em qualificação de métodos de medição.

"O biometano está deixando de ocupar apenas o campo do potencial e começando a ganhar escala efetiva no Brasil. Com mais plantas, diferentes matérias-primas e novas aplicações, aumenta também a quantidade de informações que precisam ser geradas e interpretadas. A expansão física da produção precisa vir acompanhada de capacidade técnica para monitorá-la", conclui.

Sobre a Clean - A Clean Environment Brasil também atua com tecnologias para monitoramento, detecção e análise de gases em aplicações de biogás e biometano. Entre as soluções estão sistemas de análise fixa e equipamentos portáteis capazes de acompanhar diferentes componentes do gás e gerar dados para gestão operacional. Em agosto, a empresa também participou do 13º Fórum do Biogás, em São Paulo, um dos principais encontros do setor na América Latina. Com sede em Valinhos (SP), a empresa já está há mais de três décadas com tecnologias voltadas ao meio ambiente, monitoramento de processos e segurança ocupacional.

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