Aço
Jornal do Commercio
O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) defendeu, nesta quinta-feira (15), que o parque nacional de produção de aço estará preparado para atender ao aumento da demanda interna até 2015. De acordo com levantamento divulgado pelo instituto, o País aumentará sua capacidade instalada de produção de 41 milhões de toneladas/ano, contabilizada ao final de 2007, para 63 milhões de toneladas/ano daqui a sete anos.
O volume, ainda de acordo com projeções da entidade, seria suficiente para atender ao consumo aparente nacional em 2015, estimado em 39,8 milhões de toneladas/ano. Desta forma, o Brasil teria 16,9 milhões de toneladas anuais excedentes, que poderiam ser destinadas à exportação.
As estimativas feitas pelo IBS consideram que o País terá um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% ao ano, com base em informações de mercado apuradas pelo Banco Central, e que foram cruzados com projeções populacionais fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em um outro exercício feito pelo IBS, a produção de aço nacional, de 63 milhões de toneladas em 2015, é confrontada com o consumo de aço a partir da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Esta seria de 43,3 milhões de toneladas/ano, portanto quase 20 milhões de toneladas/ano abaixo da capacidade instalada.
"Havendo previsibilidade de pelo menos três meses, não haverá risco no abastecimento de aço no País. Nossa capacidade instalada hoje é 60% superior que a demanda interna", afirmou o vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Melllo Lopes. Segundo ele, um dos motivos que vem ajudando nos cálculos de previsibilidade é a corrida das siderúrgicas pela compra antecipada de insumos, uma tentativa de se proteger de futuros aumento de preços. Lopes conta que algumas siderúrgicas já negociam o preço do carvão com alta de 260%.
No que diz respeito às importações de aço, que no primeiro trimestre cresceram 92,9% em volume, Lopes explica que as compras ainda representam volumes pequenos (de 571 mil toneladas) e se devem a siderúrgicas que não querem perder clientes no exterior e à encomenda de alguns tipos de aços especiais. "As importações têm sido feitas pelas próprias usinas para atender a seus clientes e não deixar o mercado externo sem produto", acrescentou. Pelas estimativas do IBS, o volume de aço a ser importado pelos próximos anos deve se manter em torno de 5% do total consumido no País.
Nos cálculos de aumento de capacidade produtiva feitos pelo IBS, os 63 milhões de toneladas estimados para 2015 seriam obtidos por meio do acréscimo de 15,3 milhões de toneladas/ano em parques instaladas até 2010. Outros 6,8 milhões de toneladas/ano viriam dos chamados novos entrantes, como é o caso da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). A capacidade instalada poderia alcançar 80.6 milhões de toneladas caso outros 17,5 milhões de toneladas/ano sejam adicionadas ao parque após 2010. Neste caso estão projetos como o da Companhia Siderúrgica de Vitória (parceria entre Vale e a chinesa BaoSteel) e a Siderúrgica de Peceém (Vale e a coreana Dongkuk). O desembolso para desenvolver todos os projetos listados seria de US$ 47,5 bilhões.
O forte aquecimento do mercado doméstico - puxado, principalmente, pelos setores automotivo, de bens de capital e construção civil - forçou o IBS a rever suas estimativas para este ano, anunciadas no final de 2007. As vendas internas de aço foram elevadas de 10,7% para 13,1%, para 23.248 mil toneladas. Houve aumento também para as importações: antes estimava-se redução de volume da ordem de 4,1%, que foi revertida para elevação de 11,5%. Em contrapartida, o instituto reduziu suas projeções de vendas ao exterior, que, de acordo com a previsão anterior, cresceriam 20,7%, mas que foram reavaliadas para 15,9%. A estimativa para o consumo aparente passou de 10% para 13,7%.
Em relação à Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançado na segunda-feira pelo governo, Lopes lembrou que os setores que mais usam aço estão contemplados no programa industrial, o que deixou o setor mais otimista.
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