Petroquímica

Projeto da UPI avança, mas localização continua indefinida

O coordenador do projeto admite que é mais importante estar próximo do mercado consumidor do que da matéria-prima, mas considera tanto o norte quanto o sul do estado do Rio boas localizações.


28/09/2005 00:00
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A fase de análise de viabiliade técnico-econômica da Unidade de Petroquímica Integrada (UPI) já passa da metade, segundo informa o coordenador do projeto, Victor Manuel Martins. No entanto, a micro-localização da unidade continua indefinida. O governo do estado defende o norte-fluminense, enquanto a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considera a região de Itaguaí como a melhor opção.
O coordenador do projeto e a presidente da Petroquisa, Maria das Graças Foster, reafirmam que a fase ainda é de estudos e não descartam nenhuma das regiões. Martins admite que a proximidade do mercado pode ser melhor para o empreendimento do que o fato de estar próximo ao centro produtor de matéria-prima, mas adverte que tanto o norte quanto o sul do estado do Rio de Janeiro estão próximos do mercado consumidor. "A diferença é de 250 km", destaca.
Para o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, a instalação da UPI no norte-fluminense representa um aumento de custo R$ 600 milhões para a sociedade, em função dos subsídios que seriam necessários para que a área se tornasse competitiva. O empresário exalta as qualidades logísticas de Itaguaí, principalmente em razão da proximidade do porto de Sepetiba. "Itaguaí está situada em um raio de 500 km que concentra 70% do PIB brasileiro, está mais próxima dos mercados consumidores e tem acesso direto ao porto", resume.
Para o sub-secretário de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, Marcus Abreu, as cifras sugeridas por Gouvêa Vieira não tem fundamento, uma vez que de acordo com os estudos da Secretaria o projeto de Itaguaí é que seria mais caro. "Em Itaguaí, o projeto ficaria mais caro porque terá que utilizar técnicas mais elaboradas para reduzir os riscos sócio-ambientais, que são mais impactantes do que no norte-fluminense", avalia.
Segundo Abreu, a região de Itaguaí já possui uma forte concentração industrial devido à instalação das siderúrgicas. "A cidade vai ficar na cerca do terreno da unidade. Vai ser como Cubatão ou como a Reduc, onde a cidade está muito próxima e começa a haver problemas de expansão. O norte-fluminense é uma região pouco populosa, onde é possível oferecer um terreno já com uma ampla área de amortecimento ao redor", justifica.
A Unidade Petroquímica Integrada foi definida por Martins como "uma máquina de triturar petróleo de alta eficiência". Segundo ele, a unidade proderia produzir derivados de altíssima qualidade apesar de utilizar como matéria-prima o petróleo pesado de Marlim, de 19º API. "Nós poderíamos produzir a melhor gasolina da Petrobras, de alta octanagem, o diesel quase sem enxofre, mas queremos produzir petroquímicos porque é onde agregamos mais valor", resume.
A UPI é composta de duas unidades, uma chamada de Unidade de Petroquímicos Básicos (UPB), onde serão produzidos eteno, propeno, benzeno e p-xileno; e outra chamada de Unidade Petroquímicos Associados (UPA), onde serão produzidos os derivados GLP, diesel e coque. A UPI também chegará a produzir os polímeros de segunda geração, polietilenos, polipropilenos, PTA (resina utilizada para a fabricação de PETs) etc. e ainda deverá atrair a indústria de terceira geração, a de transformação de plásticos.
O investimento previsto é de US$ 6,5 bilhões na unidade propriamente dita e US$ 9 bilhões, considerando a integração da terceira geração. O cronograma do projeto prevê que o projeto conceitual seja entregue até janeiro de 2006 e que a Unidade comece a operar em 2010.

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