Energia

Projetos de hidrelétricas estão na fila desde a década de 70

Valor Econômico
27/01/2011 09:23
Visualizações: 453
Ao menos três usinas hidrelétricas devem dar trabalho neste primeiro ano do mandato da presidente Dilma Rousseff: Pai Querê, Itapiranga e Baixo Iguaçu, as duas primeiras entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e a última no Paraná. São projetos que vêm desde a década de 70, mas ficaram na fila dos empreendimentos não realizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
 

A hidrelétrica de Pai Querê, um investimento de R$ 969 milhões, deverá ser construída no rio Pelotas, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, uma área rica em Mata Atlântica. A obra foi licitada em 2002, para a SPE Consórcio Empresarial Pai Querê (Grupo Votorantim, DME Energética e Alcoa), mas o governo federal exigiu um novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima), que até o momento não foi aprovado pelo Ibama.
 

No ano passado, cogitou-se que o início das obras poderia ocorrer no começo deste ano, mas a fase de licenciamento ambiental ainda se arrasta. Na semana passada, o Ibama rejeitou a nova versão do EIA-Rima preparado pelo consórcio. Segundo o instituto, o relatório apresentado não atendeu às exigências do termo de referência. Em agosto de 2010, o Ibama informou que o documento não apresentava uma linguagem acessível ao público e não trazia alternativas na região para a geração de energia além da usina. Procurado, o consórcio respondeu que as empresas não tinham sido informadas oficialmente sobre os motivos da decisão, e aguardavam esclarecimentos sobre as adequações que devem ser feitas no relatório.
 

Existe um movimento ambiental contra a usina. O biólogo Paulo Brack diz que a obra é inviável, por ficar numa área remanescente de Mata Atlântica, com fauna e flora restritas. "Nós temos alternativas para a geração de energia, sem ter que atingir 4 mil hectares de Mata Atlântica". Como exemplo, cita a possibilidade de investimentos em parques eólicos na região.
 

A briga é antiga. O primeiro EIA-Rima foi elaborado no começo de 2003 pela Engevix. O processo ficou parado até 2006 por pendências em relação a outros projetos de hidrelétricas na bacia do rio Pelotas. O Ibama, então, exigiu estudos ambientais integrados com as demais usinas. Em 2008, o consórcio Pai Querê começou a elaborar novo relatório. A usina terá capacidade instalada de 292 megawatts (MW) e alagará uma área de 61,3 km2. Entre os municípios atingidos estão Lages, São Joaquim e Bom Jesus. A previsão para o início de operação é março de 2015.
 

No caso da usina de Itapiranga (SC), a maior discussão é sobre os pequenos agricultores que vivem na região. Calcula-se que aproximadamente 1,5 mil famílias devem ser atingidas, em sua maioria produtores de feijão, fumo, frango e leite. A usina está em fase de licenciamento ambiental. Ela deve ser instalada no rio Uruguai e terá capacidade de 725 MW.
 

No meio do ano passado, o Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil público motivado por representações do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e da prefeitura de Mondaí (SC), argumentando que o empreendimento provocará grande impacto socioambiental e prejuízo para as cidades.
 
 
Segundo Gilberto Servinski, diretor nacional do MAB, os recursos que a região deve receber com os royalties da exploração dos recursos hídricos não compensam as perdas com a produção local. "Fizemos um levantamento com 217 famílias, que possuem em média 20 hectares, e o faturamento gerado é de R$ 4 milhões por ano. Em royalties, estão previstos R$ 1,7 milhão por ano", diz Servinski.
 

Outra usina que enfrenta resistência é a de Baixo Iguaçu. O leilão do empreendimento foi suspenso em 2008 por questionamento em relação ao licenciamento ambiental. Em fevereiro de 2010, o Ministério Público Federal anulou a licença concedida à obra. A decisão considerou que o licenciamento é de competência do Ibama, e não do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que realizou o processo, por se tratar de uma obra em área de influência do Parque Nacional do Iguaçu. O empreendimento aguarda recurso da Advocacia Geral da União (AGU) contra a ação civil pública que impede a execução do projeto. O investimento estimado é de R$ 1,6 bilhão. 
Mais Lidas De Hoje
veja Também
PPSA
TotalEnergies e ExxonMobil arrematam cargas de Atapu e d...
31/07/26
SOG 2026
Sebrae Sergipe fortalece pequenos negócios e amplia cone...
31/07/26
SOG 2026
Eneva reforça compromisso com Sergipe e destaca expansão...
31/07/26
PPSA
PPSA espera realizar primeiro leilão de gás natural da U...
30/07/26
SOG 2026
Benel apresenta práticas de segurança e gestão de resídu...
30/07/26
SOG 2026
AZ-TECH apresenta soluções de engenharia industrial no S...
30/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 começa com foco em investimentos,...
30/07/26
SOG 2026
Diretora da Petrobras abre o Sergipe Oil & Gas com anál...
30/07/26
Firjan
Agrega + Indústria reúne entidades, empresas e governo p...
29/07/26
SOG 2026
ABPIP leva ao Sergipe Oil & Gas debate sobre o fortaleci...
28/07/26
GLP
Copa Energia reúne setor de GLP em ação nacional voltada...
27/07/26
Biodiesel
Volatilidade do petróleo reforça importância estratégica...
27/07/26
Fenasucro
ApexBrasil traz investidores internacionais de SAF e e-S...
27/07/26
Energia Elétrica
ENGIE contrata WEG para fornecimento de equipamentos da ...
27/07/26
Combustíveis
Etanol amplia perdas e encerra a semana pressionado
27/07/26
ANP
ANP aprova relatório de estudo sobre controle de queima ...
24/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 impulsiona inovação e investiment...
24/07/26
Gás Natural
ANP aprova participação no Pacto Nacional para o Desenvo...
24/07/26
Combustíveis
ANP aprova Avaliação de Resultado Regulatório sobre ativ...
24/07/26
Evento
BR Aviation apresenta seu portfólio de soluções personal...
23/07/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de maio foram d...
23/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.