Meio ambiente

Protocolo de Kyoto acelera projetos de tecnologia limpa no país

Agência Brasil
16/02/2005 00:00
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A partir desta quarta-feira (16/02), quando entra em vigor o Protocolo de Kyoto, começa um movimento mundial no sentido de atingir a meta de redução de emissão de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa determinada no acordo internacional. A proposta é diminuir em 5,2% em relação aos níveis registrados em 1990.
Segundo o coordenador-geral de Pesquisa em Mudanças Globais do MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguêz, no Brasil haverá poucas mudanças já que esse processo ocorre há alguns anos. "O que vai acontecer aqui é que mais empresas e projetos serão submetidos ao governo para serem registrados como projetos de mecanismos de desenvolvimento limpo, o chamado MDL."
Os primeiros projetos nacionais, apresentados pelo MCT, para diminuir a emissão dos gases poluentes se iniciaram em 2004. Miguêz explicou que eles contribuem para o desenvolvimento sustentável e que a partir da sua implementação, os resultados serão avaliados e poderão transformar-se em créditos de carbono para comercialização no mercado internacional, resultando em recursos externos adicionais para o país.
Ele salientou ainda que mais do que recursos, esses projetos podem significar para o Brasil melhores condições sanitárias e de saúde. "Projetos de MDL viabilizam a mudança na qualidade de vida das pessoas, na geração de emprego e de energia elétrica, usando fontes renováveis de energia. Em 21 anos, cada projeto poderá reduzir as emissões em 14 milhões de toneladas."
Para que a meta de redução estipulada no protocolo seja atingida entre 2008 e 2012, o professor de oceanografia da Uerj - Universidade Estadual do Rio de Janeiro, David Zee, afirma que os investimentos em pesquisa terão que aumentar. "Para chegar a esse objetivo é preciso desenvolver uma série de outros mecanismos que minimizem e transformem esses gases nocivos em outro tipo de gás que seja inerte."
Além dos projetos de MDL, o meteorologista do Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Carlos Nobre, diz que o Brasil precisa investir no combate às queimadas e desmatamentos. Para ele, esse é ainda o ponto mais vulnerável do país. "Enquanto não atuarmos nesse segmento, todo esforço brasileiro será pequeno. Temos que nos preocupar com projetos de reflorestamento que tenham potencial para retirar grandes quantidades de gás carbônico da atmosfera."
Segundo Nobre, o Brasil, devido aos desmatamentos e queimadas, é um emissor considerável. "Ele não está entre os maiores, mas também não figura entre os menores", lembra. Na sua opinião, o país tem grande possibilidade de se envolver em projetos de melhoria de eficiência energética, mas principalmente em projetos de reflorestamento. "A idéia é plantar uma floresta para que esta floresta, durante seu crescimento, possa absorver o gás carbônico que é o principal causador do efeito estufa", explica.
Nobre lembra que o Brasil e os demais países em desenvolvimento são os que mais sairão prejudicados com as mudanças climáticas globais. "Nossa economia é de uma base de recursos naturais muito grande e as mudanças climáticas que poderão ocorrer no futuro não trazem boas notícias. Temos que ter um papel proativo e de liderança mundial na luta contra a possibilidade dessas mudanças", conclui.

Sem EUA - Após oito anos da assinatura do Protocolo de Kyoto, no Japão, o tratado internacional entra em vigor amanhã (16) sem a participação dos Estados Unidos e da Austrália.
Embora muitos considerem as reduções previstas muito tímidas e pouco significativas, o acordo também é visto como um forte peso simbólico, pois é a primeira vez que governos se unem para enfrentar um problema que afeta a todos. Ameaçado ao esquecimento o Protocolo sobreviveu com a ratificação do documento pelo presidente Wladimir Putin, da Rússia, no ano passado.
Com o aumento da queima de combustíveis fósseis como carvão, gasolina e petróleo a emissão de gás carbônico também cresceu e junto de gases como o metano, óxido nítrico e clorofluorcarbono (CFC) retém o calor, fazendo com que o planeta aqueça - princípio do efeito estufa. O aquecimento da Terra provoca uma série de distúrbios no clima e na natureza, como os ciclones e o calor excessivo no sul do país, por exemplo, que são anomalias que modificam o processo e os modelos de circulação do ar.
Muitas vezes o aquecimento global é confundido com efeito estufa. Embora relacionados, são fenômenos diferentes. O efeito estufa é um processo natural, sem o qual a vida no planeta estaria comprometida, pois ele seria 30º mais frio.
O professor David Zee afirma que dentro de 100 anos, se os níveis de emissão de gases do efeito estufa não forem estabilizados, 60% da zona costeira desaparecerá pelo aumento dos níveis dos mares e oceanos. "Por causa desse e outros problemas é que a implementação do Protocolo de Kyoto se torna cada vez mais importante", lembra Zee.
O valor da taxa de emissão dos gases poluentes - 5,2% abaixo dos níveis de 1990 - gera divergência entre os especialistas. Enquanto Carlos Nobre acredita que o valor determinado seja pequeno para estabilização do clima do planeta, David Zee, diz ser o número um desafio para as nações. "A redução em 5% dos níveis de 1990 é uma meta bem ousada e que vai requerer muitos esforços. É um objetivo difícil, mas não impossível. Será preciso uma mudança de postura e muito investimento em pesquisa para que seja atingido".
Para Nobre, o Protocolo é apenas o primeiro passo para evitar o aquecimento da Terra, mas acredita que sem ele, "não se chegaria a lugar algum". "Essa primeira iniciativa demonstrará a viabilidade de reduzir as emissões e propiciar que se desenvolvam tecnologias mais limpas para a produção de energia", diz. 

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