Economia

Reajuste alivia caixa da Petrobrás

Agência Estado
31/10/2011 09:59
Visualizações: 516
As perdas da Petrobrás com a manutenção do preço defasado, sem reajuste, da gasolina e do diesel somam, de janeiro a outubro deste ano, pelo menos R$ 4 bilhões, de acordo com cálculo do Centro-Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), empresa de consultoria e informação especializada em serviços de inteligência e gestão de negócios no mercado de energia.

Para o diretor do CBIE, Adriano Pires, que elogiou a decisão do governo federal de baixar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e aumentar o preço da gasolina e do diesel, a medida, anunciada ontem à noite, "está longe de ser suficiente, mas, nessa altura do campeonato, pelo menos serve para estancar a hemorragia".

Em nota oficial divulgada na última sexta-feira (28), a Petrobrás informou sobre a modificação dos preços da gasolina e do diesel nas refinarias. A gasolina subiu 10%. O diesel, 2%. "Esse reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional, em uma perspectiva de médio e longo prazos, que vem apontando um novo patamar para os preços praticados", informa o comunicado da empresa.


‘Caixa sangrando’

A avaliação de Adriano Pires é bem mais dramática. "O caixa da Petrobrás estava sangrando. E a empresa está cheia de compromissos com o pré-sal, com as novas refinarias e muitos outros mais", observou ele. A hemorragia a que o especialista se refere é consequência do fato de o governo não autorizar o reajuste dos dois combustíveis desde 2009, como forma de evitar o aumento da inflação.

"A situação melhora bastante. A Petrobrás vinha perdendo muito dinheiro porque o preço da gasolina no mercado internacional disparou. A única maneira de o governo tentar reverter esse quadro era promover uma renúncia fiscal. Então, reduziu a Cide a favor da Petrobrás. O governo praticamente zerou a Cide", afirmou Pires, para quem "o que é interessante é que a preocupação do governo com a inflação é tão grande que faz uma pirotecnia danada".


Crescimento da frota

Com o crescimento do mercado interno e a entrada de milhões de veículos novos por ano, a gasolina produzida no Brasil tem se mostrado insuficiente para o atendimento da demanda. Em 2012, as montadoras produzirão mais 3 milhões de carros, que serão somados à frota em trânsito pelo País. A chegada desses veículos tenderá a agravar o quadro de escassez dos combustível.

A importação de gasolina pela Petrobrás, aliada à manutenção dos níveis dos preços internos, vinha onerando a empresa. Nesta semana, o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, reafirmou que, em 2011, as importações de combustíveis terão mais que triplicado em relação às compras no mercado externo ocorridas no ano passado.
 
Segundo Costa, a Petrobrás vai fechar este ano com a importação média de 32 mil barris de gasolina por dia. Em 2011, foram comprados 9 mil barris diários do produto, afirmou ele, que negou a possibilidade de desabastecimento. "Já estamos com as cargas compradas", anunciou.

O reajuste, que começa a vigorar em 1º de novembro, não será capaz de zerar a defasagem do preço dos combustíveis, de acordo com relatório da LCA Consultores. "Nossos cálculos mostram que, considerando a média móvel de 30 dias, a defasagem no preço da gasolina esteja em torno de R$ 0,21", diz a análise, ressaltando que, com a valorização do real, essa diferença está se aproximando de R$ 0,15.

"No caso do diesel, o efeito do aumento sobre a defasagem é quase simbólico, na medida em que a diferença entre o custo do litro importado e o preço do litro vendido esteja bem maior, em torno de R$ 0,40 (dada uma estimativa de R$ 0,07 para o custo com frete e seguros sobre o litro de diesel importado)", completa.

Os usineiros manifestaram preocupação ontem com o que vai ocorrer depois de 30 de junho de 2012, data final para a redução da Cide. Segundo o empresariado do setor, se a partir dessa data o governo voltar a elevar a Cide e mantiver o preço na refinaria estável, os preços ao consumidor deverão subir, tornando o etanol mais competitivo. Mas, se o governo voltar a aumentar a Cide de forma casada e reduzir os preços da gasolina, o etanol perderá competitividade.
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