Mercado

Reajuste de combustível vai depender da inflação

Afirmação são de assessores próximos de Dilma Rousseff.

Valor Econômico
14/08/2013 09:36
Visualizações: 1329

 

Reajuste de combustível vai depender da inflação
Há no governo um sentimento consolidado de que a política de contenção dos reajustes de combustíveis às custas da Petrobras não foi bem-sucedida. Há também o reconhecimento de que é preciso corrigir os preços da gasolina e do diesel no horizonte mais curto possível. Assessores próximos da presidente Dilma Rousseff afirmam que a velocidade do ajuste dependerá da inflação. O governo não arriscará um IPCA este ano acima dos 5,8% registrados em 2012.
O reajuste dos combustíveis, portanto, apesar de estar na pauta do governo, dependerá do comportamento da inflação até o fim do ano. De acordo com autoridade ouvida pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, apesar de pouco provável hoje, pode se consolidar um cenário em que a desaceleração no crescimento da economia e o repasse da desvalorização cambial para os preços internos sejam menos intensos que o esperado e a inflação fique um pouco abaixo dos 5,84% que servem de teto para o governo.
Se isso ocorrer, as chances de a Petrobras conseguir autorização para elevar os preços do diesel e gasolina aumentam significativamente. No governo, não se espera que um eventual reajuste este ano seja suficiente para compensar a defasagem dos derivados em relação ao mercado internacional.
Com a inflação pressionada, o governo dificilmente levará a discussão adiante este ano. Mas admite que em 2014 será inevitável fazer um ajuste. O melhor cenário seria fazer parte do aumento em 2013 e parte dele no ano que vem.
Não há expectativa no governo de realinhamento rápido dos preços de combustíveis e derivados ao mercado mundial. Além da inflação, o calendário eleitoral também deve influenciar na decisão. De acordo com o interlocutor da presidente, porém, houve o reconhecimento de que será preciso fazer "correções e ajustes". Essa seria a principal mudança no cenário.
De acordo com cálculos do mercado, a defasagem entre preços internos e externos da gasolina varia entre 22% e 23,5%. No caso do diesel, de 18% a 24%. A situação piora com a volatilidade do dólar, já que a desvalorização eleva em reais o custo dos produtos importados.
Na segunda-feira, o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, disse que a empresa busca "intensamente" uma correção nos preços ainda este ano e que, caso isso não aconteça, pode haver aumento no nível de alavancagem da companhia. A notícia foi mal recebida pelo mercado, que derrubou a cotação das ações da estatal.
A decisão de segurar os preços dos combustíveis vem desde 2010 e o objetivo tem sido segurar a inflação. Agora, se encontra numa armadilha: os preços continuam altos e a estatal já não tem caixa suficiente para queimar, sem comprometer seus indicadores. No segundo trimestre, a Petrobras investiu R$ 23,1 bilhões. Para isso, usou R$ 7 bilhões do caixa, já que as receitas operacionais, R$ 16,1 bilhões, não foram suficientes.
Para reajustar o preço da gasolina e demais derivados, a Petrobras precisa de autorização do Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O último aumento foi autorizado em janeiro, quando a gasolina subiu 6,6% e o diesel 10,5%. A Petrobras usa hoje 99% de sua capacidade de refino. Ao mesmo tempo, de 2008 a 2012, o consumo de gasolina cresceu 58% e o Brasil saiu da situação de exportador, com receita de US$ 1,8 bilhão em 2007, para a de importador, com gasto de US$ 3 bilhões em 2012.
Na avaliação do governo, as ameaças de CPI para investigar denúncias de corrupção na área internacional da Petrobras não devem ter fôlego longo. A expectativa é que nem se chegue a instalar a comissão e de que a necessidade de interferência direta para conter eventual comissão de inquérito não será necessária.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem, que o governo reconhece que há defasagem em relação ao preço internacional, porém isso não quer dizer que o pedido da Petrobras será atendido. Lobão ressaltou que a decisão passa pelo Ministério da Fazenda. Ele disse que, além das avaliações de impacto econômico da medida, o ministro Guido Mantega é o presidente do conselho de administração da estatal.

Há no governo um sentimento consolidado de que a política de contenção dos reajustes de combustíveis às custas da Petrobras não foi bem-sucedida. Há também o reconhecimento de que é preciso corrigir os preços da gasolina e do diesel no horizonte mais curto possível. Assessores próximos da presidente Dilma Rousseff afirmam que a velocidade do ajuste dependerá da inflação. O governo não arriscará um IPCA este ano acima dos 5,8% registrados em 2012.


O reajuste dos combustíveis, portanto, apesar de estar na pauta do governo, dependerá do comportamento da inflação até o fim do ano. De acordo com autoridade ouvida pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, apesar de pouco provável hoje, pode se consolidar um cenário em que a desaceleração no crescimento da economia e o repasse da desvalorização cambial para os preços internos sejam menos intensos que o esperado e a inflação fique um pouco abaixo dos 5,84% que servem de teto para o governo.


Se isso ocorrer, as chances de a Petrobras conseguir autorização para elevar os preços do diesel e gasolina aumentam significativamente. No governo, não se espera que um eventual reajuste este ano seja suficiente para compensar a defasagem dos derivados em relação ao mercado internacional.


Com a inflação pressionada, o governo dificilmente levará a discussão adiante este ano. Mas admite que em 2014 será inevitável fazer um ajuste. O melhor cenário seria fazer parte do aumento em 2013 e parte dele no ano que vem.


Não há expectativa no governo de realinhamento rápido dos preços de combustíveis e derivados ao mercado mundial. Além da inflação, o calendário eleitoral também deve influenciar na decisão. De acordo com o interlocutor da presidente, porém, houve o reconhecimento de que será preciso fazer "correções e ajustes". Essa seria a principal mudança no cenário.


De acordo com cálculos do mercado, a defasagem entre preços internos e externos da gasolina varia entre 22% e 23,5%. No caso do diesel, de 18% a 24%. A situação piora com a volatilidade do dólar, já que a desvalorização eleva em reais o custo dos produtos importados.


Na segunda-feira, o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, disse que a empresa busca "intensamente" uma correção nos preços ainda este ano e que, caso isso não aconteça, pode haver aumento no nível de alavancagem da companhia. A notícia foi mal recebida pelo mercado, que derrubou a cotação das ações da estatal.


A decisão de segurar os preços dos combustíveis vem desde 2010 e o objetivo tem sido segurar a inflação. Agora, se encontra numa armadilha: os preços continuam altos e a estatal já não tem caixa suficiente para queimar, sem comprometer seus indicadores. No segundo trimestre, a Petrobras investiu R$ 23,1 bilhões. Para isso, usou R$ 7 bilhões do caixa, já que as receitas operacionais, R$ 16,1 bilhões, não foram suficientes.


Para reajustar o preço da gasolina e demais derivados, a Petrobras precisa de autorização do Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O último aumento foi autorizado em janeiro, quando a gasolina subiu 6,6% e o diesel 10,5%. A Petrobras usa hoje 99% de sua capacidade de refino. Ao mesmo tempo, de 2008 a 2012, o consumo de gasolina cresceu 58% e o Brasil saiu da situação de exportador, com receita de US$ 1,8 bilhão em 2007, para a de importador, com gasto de US$ 3 bilhões em 2012.


Na avaliação do governo, as ameaças de CPI para investigar denúncias de corrupção na área internacional da Petrobras não devem ter fôlego longo. A expectativa é que nem se chegue a instalar a comissão e de que a necessidade de interferência direta para conter eventual comissão de inquérito não será necessária.


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem, que o governo reconhece que há defasagem em relação ao preço internacional, porém isso não quer dizer que o pedido da Petrobras será atendido. Lobão ressaltou que a decisão passa pelo Ministério da Fazenda. Ele disse que, além das avaliações de impacto econômico da medida, o ministro Guido Mantega é o presidente do conselho de administração da estatal.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Margem Equatorial
Após descoberta de petróleo, Governo do Amapá avança na ...
20/08/26
Descarbonização
ABPIP e ANP debatem novas regras de descarbonização do m...
19/08/26
Navalshore
Sotreq leva a Navalshore 2026 soluções em peças, motores...
19/08/26
Diesel
Vibra lança o Supera Plus, o único diesel premium desenv...
19/08/26
Termelétrica
Eneva e GE Vernova iniciam operações na usina Azulão
19/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana encerra 32ª edição com movimentação...
19/08/26
Navalshore
ABEEMAR e ApexBrasil lançam na Navalshore projeto para a...
18/08/26
Firjan
Panorama Naval no Rio de Janeiro destaca novo ciclo de o...
18/08/26
Gás Natural
Decisão judicial de São Paulo sobre taxa de fiscalização...
18/08/26
Navalshore
Firjan SENAI apresenta o Rede de Oportunidades para Forn...
17/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana bate recorde de países visitantes e...
17/08/26
Etanol
Aprovação do PLP 114 representa avanço para o setor de e...
17/08/26
Combustíveis
Etanol encerra a semana em alta, com forte recuperação d...
17/08/26
Margem Equatorial
Poço Morpho: Petrobras descobre hidrocarbonetos em águas...
15/08/26
Fenasucro
Necta destaca biometano como alternativa ao diesel duran...
14/08/26
Fenasucro
Binatural defende ampliação do uso de biodiesel em setor...
14/08/26
Petrobras
Ao completar 20 anos, ativo de Tupi alcança produção acu...
14/08/26
Fenasucro
Do biobunker ao biometano, bioenergia avança sobre novos...
14/08/26
ANP
Participação Especial: valores referentes à produção do ...
14/08/26
Evento
IBP discute os impactos da tecnologia e inovação no futu...
14/08/26
Premiação
Tereos é destaque no prêmio MasterCana com projetos de i...
14/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.