Transportes
<P>Sonho acalentado durante os últimos 50 anos por lideranças locais, políticos e comunidade, o projeto que garante a navegabilidade do rio Piracicaba nunca esteve tão próximo de se transformar em realidade. Forjado inicialmente para acontecer a partir da construção da barragem de Santa Maria...
Gazeta de PiracicabaSonho acalentado durante os últimos 50 anos por lideranças locais, políticos e comunidade, o projeto que garante a navegabilidade do rio Piracicaba nunca esteve tão próximo de se transformar em realidade. Forjado inicialmente para acontecer a partir da construção da barragem de Santa Maria da Serra, orçada em R$ 100 milhões, a hidrovia Tietê-Paraná ganha um desenho múltiplo que garante arrojo, competitividade e abre caminho para novas parcerias envolvendo poder público e iniciativa privada, num 'boom' de desenvolvimento para o município. Reestudo sobre a hidrovia alinhavado pela Secretaria Estadual dos Transportes revela que a navegabilidade não seria viável apenas para alavancar o turismo, como se pensava até então.
Oswaldo Rossetto Júnior, diretor do Departamento Hidroviário, órgão mantido pela pasta, explica que a nova versão da hidrovia prevê, além de programas turísticos que agregam os municípios de Piracicaba, Águas de São Pedro e São Pedro, a geração de energia elétrica e investimentos visando à interligação de outros modais, como ferrovia e dutovia, voltada ao escoamento do etanol (álcool combustível). A barragem seria a responsável, por exemplo, pela geração de 20 megawatts de energia.
A inovação é tão grande que a nova avaliação já prevê, inclusive, o aproveitamento imobiliário no entorno da barragem. Apesar de concentrar 75% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a hidrovia Tietê-Paraná utiliza apenas 20% de sua capacidade. Muito poderia ser feito, observa Rossetto Júnior. Ao todo, são 1.800 quilômetros de trecho navegável desde o município de Barra Bonita (SP) até Foz do Iguaçu, no Paraná.
O diretor do Departamento Hidroviário lembra que, nas últimas cinco décadas, foram investidos 2,5 bilhões de dólares para criar as condições de navegabilidade oferecidas atualmente ao longo do trecho Tietê-Paraná.
O reestudo assinado pela Secretaria Estadual dos Transportes começou a ser delineado em 2005. Embora ainda não haja um prazo fechado para que os projetos entrem em operação, Rossetto Júnior ressalta que o levantamento que confirma o aspecto múltiplo da hidrovia representa um grande avanço a qualquer iniciativa que possa ser incorporada ao projeto a partir de agora.
O aprimoramento da hidrovia é justificado, segundo o diretor, pelo fato deste ser o modal que mais cresce no Estado de São Paulo. O viés de alta atinge aproximadamente 12% ao ano. São transportados quatro milhões de toneladas de produtos, pela hidrovia. O valor, entretanto, ainda está longe da capacidade total, definida em 20 milhões de toneladas por ano, analisa.
Entre as vantagens competitivas do transporte hidroviário, segundo Rossetto, estão a economia de combustível, além do custo reduzido do frete, que pode chegar a um terço do preço médio de tudo o que é escoado por meio das rodovias brasileiras.
Para transportar mil toneladas por quilômetro úteis, por exemplo, são consumidos cinco litros de combustível na hidrovia, contra 10 litros na ferrovia e 96 litros nas estradas. Menor impacto ambiental, menor emissão de ruídos e maior capacidade de concentração de cargas aparecem como outros benefícios listados pelos estudiosos neste segmento.
Logística
A acessibilidade dos produtos produzidos nos municípios, aos portos, é um dos temas que mais movimentam a economia nacional. Não poderia ser diferente para a região de Piracicaba. Os gargalos logísticos afetam tanto o comércio exterior, que pesquisas e estudos, compilados ou não pelo poder público, passaram a ser apresentados de maneira freqüente.
A finalidade é criar alternativas ao transporte rodoviário, sem onerar empresários e consumidores que adquirem os itens comercializados. Ao longo da hidrovia Tietê-Paraná, por exemplo, existem vários terminais, a maioria graneleiros, que usam o sistema para escoar soja e seus derivados, além de madeira, álcool e açúcar.
Prefeitura contrata estudo
Enquanto o Departamento Hidroviário não conclui o estudo que modernizará o projeto de navegabilidade do rio Piracicaba, a Prefeitura decidiu sair na frente e antecipar algumas conclusões a respeito do tema. A Agência de Desenvolvimento do Tietê-Paraná (ADTP) foi contratada pelo município, na semana passada, com as missões de organizar análises e definir estratégias sobre a logística da hidrovia. O contrato está orçado em R$ 27 mil e a empresa terá um mês para alinhavar o levantamento.
O secretário municipal de Indústria e Comércio, Luciano Tavares de Almeida, ressalta que as informações funcionarão como um importante preâmbulo a uma avaliação maior sobre a navegabilidade do Piracicaba. Apenas sobre a barragem de Santa Maria da Serra, serão pelo menos seis meses de avaliações, num investimento inicial estimado em R$ 600 mil.
Se tudo ocorrer dentro das projeções, como esperamos, a partir do estudo poderá ser iniciado o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), ressalta. Ainda assim, a compilação de todos os dados não é esperada para já. De acordo com Almeida, serão necessários pelo menos cinco anos até que as obras comecem.
Fonte: Gazeta de Piracicaba - Piracicaba,SP(Luciana Carnevale)
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