Petroquímica

Resinas termoplásticas sobem 10%

Valor Econômico
19/06/2006 00:00
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A retomada da demanda interna por produtos plásticos está estimulando os principais produtores de matéria-prima a propor novos aumentos de preços. A Suzano Petroquímica prevê um reajuste superior a 10% nos preços de sua principal resina termoplástica. O aumento deve ocorrer em duas etapas até final de julho.

"Os custos da nossa matéria-prima aumentaram muito e não tivemos condições de repassa-los antes. Agora, com a demanda mais forte, estamos anunciando um aumento de preços", disse o executivo responsável pela operação de polipropileno da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho.

A produtora de resinas irá propor um aumento de R$ 250 por tonelada de polipropileno em junho e outros R$ 200 em julho. A Braskem, cuja política de preços é aliar suas cotações ao mercado internacional, deve seguir o mesmo caminho com suas resinas.

As fabricantes de resinas tiveram vendas 18,6% superiores nos primeiros cinco meses do ano, atingindo aproximadamente 1,4 milhão de toneladas, segundo dados da Abiquim, a associação da indústria química. Essas vendas foram estimuladas por indústrias ligadas à alimentação, bebidas, cosméticos, farmacêuticos, higiene pessoal e utilidades domésticas.

O anúncio do reajuste é o segundo realizado neste ano. Em fevereiro, as fabricantes de resinas viram frustrada sua tentativa de propor preços mais altos enquanto a demanda ainda não era forte o suficiente para convencer os donos das empresas de plásticos a absorver maiores custos. Além disso, a valorização do real frente ao dólar na ocasião serviu para os transformadores importarem um volume maior de matéria-prima do exterior.

Os fabricantes de resinas dizem que os custos mais altos estão afetando suas margens. "A nafta subiu 18% e o propeno, outros 17% desde o início do ano", afirmou Roriz Coelho, que criticou a política de preços da Petrobras, principal fornecedora de matéria-prima. O executivo lembra que os preços de resinas estão abaixo do pico de 2004. Naquele ano, os preços médios do polipropileno eram cotados no mercado a R$ 3,35 mil por tonelada, acima dos R$ 3,25 mil verificados em maio passado.

Outra razão é que os custos internos, por conta da valorização do real, estão mais altos para as empresas de resinas, e os custos de matéria-prima alcançando os níveis mais altos da história, segundo um documento elaborado pela Suzano. Nele, os produtores alegam que os ganhos estão concentrados nos produtores de matéria-prima da primeira geração e no consumo final, inviabilizando os novos investimentos no setor. O atual nível da matéria-prima está obrigando a necessidade de ajuste nos custos das empresas de resinas, justifica a companhia.

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