Porto do Rio

Revitalização ampliará as oportunidades para todos

O Rio de Janeiro vai se redescobrir a partir da retomada da região do porto como espaço central de desenvolvimento da cidade. É o que afirma o secretário especial de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa. Como frisa, a proximidade com

Jornal do Commercio
25/08/2009 08:10
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O Rio de Janeiro vai se redescobrir a partir da retomada da região do porto como espaço central de desenvolvimento da cidade. É o que afirma o secretário especial de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa. Como frisa, a proximidade com o Centro da cidade, o fácil acesso a diversos bairros e o potencial para crescimento são vantagens comparativas que podem atrair empresários para a região. Para ele, a região portuária une três pontos fundamentais, o aspecto urbanístico, o econômico e o social, que, juntos com o projeto de revitalização, vão requalificar o espaço urbano da cidade.

"Com a revitalização, toda a região portuária poderá desenvolver-se economicamente. A proximidade com o Centro da cidade, somada com o aumento do movimento de turistas, de escritórios comerciais e de moradores serão grandes atrativos da zona portuária", assinala. De acordo com ele, o objetivo é o de construir na área um polo gastronômico e comercial com o desenvolvimento do porto, que certamente irá atrair comerciantes. "A região tem grande potencial de crescimento econômico e cultural para ser desenvolvido", acrescenta.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário (Sedes) faz parte da comissão do projeto Porto Maravilha. Segundo Costa, parte das funções da secretaria é estudar de que forma este projeto poderá impulsionar o crescimento da região, com melhorias não só para os atuais moradores, como para a cidade como um todo.

"A população que já mora e possui comércio na região vai ser beneficiada com as melhorias e com o aumento do movimento. Estamos pesquisando quanto e de que forma poderão ser aproveitado o trabalho dos atuais comerciantes e dos moradores com o incremento turístico que a região desenvolverá. Neste momento, estamos fazemos o diagnóstico dos potenciais sócio-econômicos da zona portuária, levando em conta a vocação turística e cultural da área."

Além do aumento do movimento de turistas e salas comerciais, o projeto Porto Maravilha também estimula o aumento no número de moradores na região. Segundo o presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), Felipe Góes, cerca de 20 mil pessoas moram na região da zona portuária e as estimativas são de que existe potencial para receber 100 mil pessoas.

"Para atender essa nova demanda de pessoas, que surgirá na zona portuária, será preciso comércio, restaurantes e serviços. Com isso, vamos atrair também a população e os empresários da cidade para o potencial de crescimento que o porto possui. Como já aconteceu em diversas cidades do mundo, o porto carioca vai se tornar um espaço central e sofisticado de lazer da cidade, com casas noturnas, restaurante, lojas e serviços."

A requalificação da região vai gerar empregos e riquezas para a cidade, de acordo com o secretário. "A cidade toda é beneficiada, com a revitalização dos espaços urbanos que são históricos, com a criação de novas oportunidades e com a geração de renda. Com estas mudanças a arrecadação cresce e então é possível aumentar a segurança. Estas mudanças fazem a imagem do Rio fica mais positiva e com isso o número de turistas que querem visitar a cidade também ficará maior."

Costa destaca que a rua Sacadura Cabral, onde já existem duas boates no mesmo quarteirão, pode se tornar um espaço sofisticado de lazer atraindo pessoas de toda a cidade. "A zona portuária tem vocação para ter polos gastronômicos e comerciais. Junto com o desenvolvimento da revitalização e com o crescente interesse dos empresários pela região, é possível que algum polo já esteja formado em 2010, com empreendimentos novos no porto." Os polos são parcerias público-privadas (PPP) e para serem formalizados cada um precisa ter no mínimo 12 empresários organizados.

A movimentação de procura de espaços comerciais na zona portuária já aumentou muito, segundo o secretário Costa. "Conforme o carioca comece a sentir cada vez mais firmeza no projeto a procura só vai crescer ainda mais. Tanto os pequenos empreendedores quanto os grandes vão buscar espaços na região para não perder as oportunidades que serão desenvolvidas na zona portuária para toda a cidade."

O presidente do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (Sindilojas), Aldo Carlos de Moura Gonçalves, concorda com o secretário que o interesse dos empresários pela região portuária já começou a aumentar. "Com o movimento dos turistas é claro que as grandes grifes e lojas serviço de serviços vão querer estar na região. As concessões que o governo deve fazer para construção de prédios deve estimular a oferta e a procura por imóveis. Eu também posso querer candidatar a Silhueta Infantil para ir para zona portuária."

Segundo Aldo Gonçalves, a revitalização vai estimular o comércio principalmente o voltado para o lazer e turismo. "Esta iniciativa é muito importante e deveria ter sido feita há vários anos. Os exemplos de sucesso de outros países e mesmo do Brasil de revitalização porto fortaleceu o comércio e o turismo da região. O comércio contribui muito para a cidade, com aumento da segurança, o movimento de pessoas e para a economia. Este projeto é excelente sob todos os pontos de vista."

O aumento no número de residências, que também faz parte do projeto do governo, vai favorecer o incremento de lojas na região, de acordo com Aldo Gonçalves. "A população vai ganhar áreas de lazer e turísticas. Com isso, o movimento cresce e empresários procuram levar para a região suas empresas. Para os moradores, além do aumento de serviços próximo de casa, o comércio também contribui para melhorar a segurança da região, pois quando tem comércio aberto as ruas ficam iluminadas e cheias, com circulação de pessoas."

A proximidade do Centro da cidade também é, para Aldo Gonçalves, um diferencial que irá contribuir para a abertura de grifes e centros comerciais. Ele destacou que a região está sendo mal explorada atualmente. "Este área tem capacidade ociosa enorme. A zona portuária fica extremamente bem situada, muito próxima ao Centro, já possui infraestrutura básica e ainda tem uma vista muito bonita, mas ainda possui imensas áreas não utilizadas ou subaproveitadas. A região também possui fácil acesso para diferentes regiões da cidade."

O presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio), Alexandre Sampaio, também ressalta o esvaziamento da região do porto atualmente. "Podemos definir que existem alguns polos gastronômicos e comerciais próximos ao porto, como na região da Lapa e no início da avenida Rio Branco. O polo Rio Cidade Nova acabou de ser criado é a única referencia que podemos dizer que está quase na extensão da zona portuária. Este polo tem também o conceito do Porto Maravilha e poderia ser até uma referencia ao projeto."

A proximidade dos moradores e trabalhadores da cidade à região do porto é uma vantagem para o comércio da região, de acordo com Sampaio. "Os consumidores da própria cidade aproveitam os bares e restaurantes da Lapa e isso também pode acontecer no porto. O público não ficaria restrito aos turistas, o que garante maior sustentabilidade ao projeto."

Sampaio afirmou ainda que a expectativa da revitalização já fez com que o preço do metro quadrado na região subisse quase 25%. "Alguns grupos econômicos significativos já afirmaram ter interesse em levar sua empresa para o porto. A maioria ainda está esperando o projeto estar mais desenvolvido para fechar negócio. Ainda faltam questões legais para a realização das obras, mas acredito que ao longo do processo diversos grupos de investidores devem se manifestar."

Por unir entretenimento, lazer, gastronomia, comércio, hotelaria e moradias na região, o projeto tem tudo para dar certo e se tornar financeiramente possível, destacou Sampaio, que afirmou que o projeto foi concebido de maneira inteligente.

O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, destaca a importância da revitalização para o desenvolvimento da cidade. "A proposta de transformar a zona portuária do Rio em polo de negócios, turismo e entretenimento recupera e valoriza o espaço que é uma das portas de entrada da cidade. A revitalização pode ganhar impulso ainda maior através de incentivos fiscais, atraindo empresas, comércio e serviços." QUALIFICAÇÃO

O secretário Marcelo Henrique da Costa explica que um dos projetos da Sedes em parceria com o Sebrae é o de qualificar os moradores da zona portuária para que eles possam trabalhar nos novos empreendimentos que surgirão. Os cursos ainda estão em fase de definição, mas seriam realizados simultaneamente com as obras do Porto Maravilha para que ao final os moradores estejam preparados para trabalhar nos negócios da região.

"Inicialmente, em torno de 5 mil moradores que vivem nos morros em volta do porto vão ser capacitados para que sejam aproveitados em atividades relacionadas a turismo, lazer e entretenimento. Este número de pessoas pode aumentar de acordo com o aumento de investimentos privados na região. Até por que ao contratar um morador da região existe até a economia da passagem, o que ajuda o empreendimento ser mais sustentável."

Os comerciantes locais também estão incluídos nos projetos do Sedes. Costa explicou que a secretaria está fazendo um diagnóstico com os potenciais para os comerciantes da região que possuem atividades relacionadas com turismo e cultura. Ele destacou que tanto comércios pequenos como artesãos poderão estar integrados ao projeto.

"Estamos pensando de que forma a revitalização do porto vai possibilitar o incremento das atividades econômicas locais, principalmente para o micro e pequeno empreendedor. O ideia é aproveitar os comerciantes atuais e estimulá-los a desenvolver atividades voltadas para o turismo e gastronomia. Com isso, acredito que algumas atividades marginais que ainda existem na Praça Mauá, por exemplo, vão perder espaço."

 

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