Economia

Seca já afeta preço de energia da indústria

E pode chegar ao consumidor.

Agência Brasil
01/11/2012 16:31
Visualizações: 823

 

Os efeitos da seca prolongada que castiga várias regiões do país, principalmente nos extremos do Brasil, como o Semiárido nordestino e a Região Sul, ainda pode chegar ao bolso do consumidor. O alerta não recai apenas sobre os preços de produtos afetados pela perda de culturas, como a de grãos, ou os impactos na produção animal. Especialistas temem agora os efeitos desse cenário no preço da energia consumida pelas indústrias e residências. A estiagem deste ano levou autoridades a decretar situação de emergência em mais de mil cidades brasileiras.
A explicação está nos atuais níveis dos reservatórios em todo o país, que alimentam as usinas hidrelétricas, geradoras das energias mais baratas. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios no Sudeste estão com apenas 37% da capacidade, enquanto no Nordeste, essa porcentagem chega a 34% e no Norte e Sul, 41%.
“Está chovendo pouco, as hidrelétricas estão com os reservatórios baixos e estamos sendo obrigados a gerar energia com térmicas caras”, explicou Paulo Pedrosa, presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).
Como o volume não é suficiente para atender a demanda do mercado, o sistema busca energia oferecida por outras usinas, como as térmicas a gás, óleo e diesel, que podem custar mais de dez vezes o valor da energia gerada a partir dos reservatórios. O resultado, segundo Pedrosa, já é sentido pelas indústrias que compram direto do mercado livre de energia, como as de aço, alumínio, cimento e produtos químicos. Pelas contas da Abrace, a fatura de novembro para o setor pode chegar a R$ 500 milhões.
“O último leilão de hidrelétrica, o de Teles-Pires, ofertou energia de R$ 58 o megawatt/hora. Hoje estamos gerando até com térmicas que custam R$ 1.060”, exemplificou. Segundo ele, quando o reajuste chegar nas distribuidoras de energia, como a Light e a Eletropaulo, o preço será cobrado dos consumidores.
Pedrosa destaca que o Brasil tem uma condição especial para produzir energia barata a partir de reservatórios, mas, segundo ele, a situação atual, somada à estiagem prolongada mostra que esse potencial não tem sido aproveitado. “Infelizmente temos usado menos do que poderíamos dessa vocação e temos diminuído a capacidade de reservatórios das hidrelétricas. As últimas [hidrelétricas] construídas têm menos reservatórios. Estamos perdendo a capacidade de armazenar energia quando tinha muita chuva e usar essa energia no período da seca”, afirmou.
O presidente da Abrace lembra que a situação deste ano se aproxima da do cenário de 2008 e de 2001, quando ocorreu o racionamento de energia que ficou conhecido como “apagão”.
Com a seca atípica deste ano, o volume de chuva, apenas no mês de outubro, no Nordeste atingiu 42% da média, no Norte e Sudeste do país, o nível de chuva não ultrapassou os 65% da média dos meses de outubro. Apesar do cenário ainda pessimista, Pedrosa acredita que a forte chuva que caiu nesta madrugada (1º), em Brasília, pode ser um bom sinal para os próximos dias. “Mas tem que chover um pouco abaixo de Brasília, na área de Minas Gerais. É aquela água que enche os principais reservatórios do Brasil inclusive do Nordeste”, disse.
Apesar das perspectivas de reajustes nos preços de energia, Pedrosa afasta qualquer possibilidade de um novo racionamento. “Temos mais recursos hoje. O problema não é um problema de apagão, mas de pagão”, garantiu. “Há problema de preço que afeta a competitividade muito em função desta baixa chuva. Mas não há problema estrutural e o sistema não está em risco nem por falha de razão elétrica nem por falhas de razões energéticas”, acrescentou.

Os efeitos da seca prolongada que castiga várias regiões do país, principalmente nos extremos do Brasil, como o Semiárido nordestino e a Região Sul, ainda pode chegar ao bolso do consumidor. O alerta não recai apenas sobre os preços de produtos afetados pela perda de culturas, como a de grãos, ou os impactos na produção animal. Especialistas temem agora os efeitos desse cenário no preço da energia consumida pelas indústrias e residências. A estiagem deste ano levou autoridades a decretar situação de emergência em mais de mil cidades brasileiras.


A explicação está nos atuais níveis dos reservatórios em todo o país, que alimentam as usinas hidrelétricas, geradoras das energias mais baratas. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios no Sudeste estão com apenas 37% da capacidade, enquanto no Nordeste, essa porcentagem chega a 34% e no Norte e Sul, 41%.


“Está chovendo pouco, as hidrelétricas estão com os reservatórios baixos e estamos sendo obrigados a gerar energia com térmicas caras”, explicou Paulo Pedrosa, presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).


Como o volume não é suficiente para atender a demanda do mercado, o sistema busca energia oferecida por outras usinas, como as térmicas a gás, óleo e diesel, que podem custar mais de dez vezes o valor da energia gerada a partir dos reservatórios. O resultado, segundo Pedrosa, já é sentido pelas indústrias que compram direto do mercado livre de energia, como as de aço, alumínio, cimento e produtos químicos. Pelas contas da Abrace, a fatura de novembro para o setor pode chegar a R$ 500 milhões.


“O último leilão de hidrelétrica, o de Teles-Pires, ofertou energia de R$ 58 o megawatt/hora. Hoje estamos gerando até com térmicas que custam R$ 1.060”, exemplificou. Segundo ele, quando o reajuste chegar nas distribuidoras de energia, como a Light e a Eletropaulo, o preço será cobrado dos consumidores.


Pedrosa destaca que o Brasil tem uma condição especial para produzir energia barata a partir de reservatórios, mas, segundo ele, a situação atual, somada à estiagem prolongada mostra que esse potencial não tem sido aproveitado. “Infelizmente temos usado menos do que poderíamos dessa vocação e temos diminuído a capacidade de reservatórios das hidrelétricas. As últimas [hidrelétricas] construídas têm menos reservatórios. Estamos perdendo a capacidade de armazenar energia quando tinha muita chuva e usar essa energia no período da seca”, afirmou.


O presidente da Abrace lembra que a situação deste ano se aproxima da do cenário de 2008 e de 2001, quando ocorreu o racionamento de energia que ficou conhecido como “apagão”.


Com a seca atípica deste ano, o volume de chuva, apenas no mês de outubro, no Nordeste atingiu 42% da média, no Norte e Sudeste do país, o nível de chuva não ultrapassou os 65% da média dos meses de outubro. Apesar do cenário ainda pessimista, Pedrosa acredita que a forte chuva que caiu nesta madrugada (1º), em Brasília, pode ser um bom sinal para os próximos dias. “Mas tem que chover um pouco abaixo de Brasília, na área de Minas Gerais. É aquela água que enche os principais reservatórios do Brasil inclusive do Nordeste”, disse.


Apesar das perspectivas de reajustes nos preços de energia, Pedrosa afasta qualquer possibilidade de um novo racionamento. “Temos mais recursos hoje. O problema não é um problema de apagão, mas de pagão”, garantiu. “Há problema de preço que afeta a competitividade muito em função desta baixa chuva. Mas não há problema estrutural e o sistema não está em risco nem por falha de razão elétrica nem por falhas de razões energéticas”, acrescentou.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
PD&I
ANP fará consulta e audiência públicas sobre credenciame...
09/10/26
Combustível
ANP retoma restrição à venda de biodiesel entre distribu...
09/10/26
Logística
Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano ...
08/10/26
Pessoas
CEO da Necta assume presidência do Conselho do CIBiogás ...
08/10/26
Oferta Permanente
PPSA passa a gerir 36 contratos de partilha após resulta...
08/10/26
Resultado
Oferta Permanente de Concessão (OPC): 6º Ciclo tem maior...
08/10/26
Leilão da ANP
Firjan destaca os resultados positivos do leilão de Part...
07/10/26
Bacia de Campos
PRIO vence leilão de Oferta Permanente de Partilha da Pr...
07/10/26
Drilling
Constellation obtém certificação em tecnologia pioneira ...
07/10/26
ANP
4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP tem set...
07/10/26
Gás Natural
PPSA publica edital do 1º Leilão de Gás Natural da União
07/10/26
Biometano
ABiogás alerta sobre risco de perda de lastro para emiss...
06/10/26
Oferta Permanente
ANP realiza em 07/10 4º Ciclo de Partilha e 6º Ciclo de ...
06/10/26
Gás Natural
ANP divulga relatório da consulta pública sobre Programa...
05/10/26
PPSA
9º Leilão Spot: PPSA oferta cargas remanescentes nesta q...
05/10/26
IBP
RELIVRE parabeniza acordo que destrava o mercado livre d...
03/10/26
Gás Natural
Firjan celebra acordo para efetivar abertura do mercado ...
03/10/26
Gás Natural
Naturgy, Agenersa e Governo do Estado assinam acordo sob...
02/10/26
Margem Equatorial
Nova descoberta de petróleo em águas ultra profundas na ...
02/10/26
Biometano
Corredor Verde com 100 caminhões a biometano e pontos de...
02/10/26
Gasodutos
Acesso de terceiros a gasodutos de escoamento e instalaç...
02/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25