Navegação Interior

Seminário busca maior parceria entre Brasil e Bélgica

<P>O ministro de Serviços Públicos, Energia e Meio Ambiente da Bélgica, Kris Peeters, o diretor do Departamento de Transportes Aquaviários do Ministérios dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro, que representou o ministro Paulo Sérgio Passos, e o diretor-geral da Agência Nacional de Transpor...

Antaq
28/03/2007 21:00
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O ministro de Serviços Públicos, Energia e Meio Ambiente da Bélgica, Kris Peeters, o diretor do Departamento de Transportes Aquaviários do Ministérios dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro, que representou o ministro Paulo Sérgio Passos, e o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Fernando Fialho, abriram nesta quarta-feira (28 de março) o Seminário Internacional sobre Hidrovias – Brasil/Bélgica, que está acontecendo hoje e amanhã no Naoum Hotel, em Brasília. Os três destacaram a importância do evento para a troca de informações sobre a navegação fluvial dos dois países e para o estreitamento dos contatos entre autoridades e empresários brasileiros e belgas do setor.

A solenidade de abertura do evento também contou com a participação dos diretores da ANTAQ, Murillo Barbosa e Decio Cunha, do diretor-geral da Agência Técnica Internacional de Flandres – FITA, Louis Van Schel, e do representante da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado Federal, senador Fernando de Souza Flexa Ribeiro.

Em seu discurso, o diretor-geral da ANTAQ, Fernando Fialho, disse que, ao selar a parceria com a Agência Técnica Internacional de Flandres para realizar um Seminário específico sobre hidrovias, a ANTAQ reafirma o compromisso em continuar promovendo e estimulando o debate a respeito do desenvolvimento do transporte hidroviário brasileiro.

“Tem sido nossa permanente preocupação estimular uma maior integração do modal hidroviário às demais modalidades de transporte, de modo a permitir a consolidação das hidrovias como importante ferramenta da infra-estrutura logística brasileira”, afirmou.

Fialho disse ver nas hidrovias um enorme potencial para absorver uma parcela significativa da movimentação de cargas no país, especialmente de grãos. “Sua maior eficiência no transporte, resultante de menor gasto de combustível, de menores perdas e de reduzido impacto ambiental viabiliza custos de frete mais competitivos, com reflexos positivos na renda dos produtores rurais e na economia regional”, apontou.

Após relatar alguns esforços que a Agência vem empreendendo para o melhor aproveitamento da extensa rede hidroviária nacional, Fialho observou que o modal hidroviário é altamente competitivo quando empregado para o transporte de grande volume de cargas por longas distâncias.  “Os dados disponíveis e as conclusões retiradas de estudos técnicos credenciados nos permite afirmar, com segurança, que a matriz de transporte brasileira não pode prescindir do modal hidroviário”, disse.

E finalizou: “Os números do agronegócio projetados para os próximos anos, aliados aos resultados promissores esperados para os novos projetos de investimento na área da agroenergia, indicam que é premente a realização de investimentos em infra-estrutura de transportes, em prol do estabelecimento de uma matriz de transportes integrada, incluindo todas as modalidades de transporte.”

Em seu pronunciamento, o  ministro de Serviços Públicos, Energia e Meio Ambiente da Bélgica, Kris Peeters, informou que, em 2006, a movimentação de cargas por hidrovias na região de Flandres foi de 460 milhões de TEUS. Disse que, com mais de 8,7 mil km de costa marítima, o transporte aquaviário também é vital para a economia do Brasil,  e que vê como de grande potencial a cooperação entre os dois países nas áreas jurídico/regulatória e de engenharia da navegação.

O ministro belga defendeu, ainda, a ampliação dos investimentos em infra-estrutura para a navegação, pois são essenciais à redução dos custos dos produtos, e disse que as hidrovias constituem uma grande prioridade em seu país.

O diretor do Departamento de Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro, saudou a iniciativa da ANTAQ, “pela realização de mais esse evento em prol da navegação interior do país e do qual são esperados excelentes resultados” e destacou a importância da presença da comitiva belga.

Palestras da comitiva belga

Na sessão de apresentações da comitiva belga, o primeiro a falar foi o diretor-geral de Recursos Hídricos de Flandres, Freddy Wens. O representante da Bélgica falou sobre os esforços do governo de Flandres e da União Européia visando à interligação e modernização da rede hidroviária européia, cuja extensão é de 37 mil km. O Brasil tem 40 mil km de hidrovias, dos quais 28 mil são navegáveis em condições naturais.

Wens observou que na região de Flandres são 1.417 km de hidrovias, sendo 1.076 km para o escoamento de cargas e 341 km destinados à navegação recreacional.

O representante da Bélgica explicou que as obras para modernização da infra-estrutura hidroviária em Flandres vêm sendo executadas por meio de parceria público privada, com 80% dos recursos provenientes do setor público e 20% do setor privado, e disse que para retirar todos os obstáculos à utilização plena do potencial do transporte hidroviário em Flandres seriam necessários US$ 1,4 bilhão.

Contudo, segundo Wens, algumas medidas nesse sentido já estão em andamento, como a modernização da frota e a implantação do serviço eletrônico de informações fluviais, que traz dados sobre o transporte de produtos perigosos, prevenção de calamidades, nível das águas, localização das embarcações, horário de funcionamento das eclusas e pontes, autorizações de navegação etc.

Em seguida, falaram o diretor-geral de Canais e Vias Navegáveis da Bélgica, Leo Clinckers, que destacou a importância da conexão do sistema hidroviário de Flandres à rede hidroviária européia; a conselheira Econômica e Comercial do Consulado-Geral da Bélgica no Brasil, Mieke Pynnaert, que fez um relato das atividades do Centro de Treinamento Portuário de Flandres – APEC; o secretário do porto de Ghent, Sas Van Rouveroij, e o diretor-geral do porto de Zeebrugge, Joachim Coens, que abordaram a ligação daqueles dois portos com a navegação interior.

Os portos belgas

O porto de Antuérpia operacionaliza 300 linhas para 800 destinos, entre os quais alguns portos brasileiros. Em 2006, o porto de Antuérpia movimentou 167 milhões de toneladas de cargas, sendo 60% contêineres. Quinto maior porto do mundo, Antuérpia possui cinco milhões de metros quadrados de armazéns e tem o segundo maior terminal de frutas da Europa, o primeiro em aço e produtos florestais e é o terceiro em transportes de automóveis (ro-ro) do continente europeu.

Situado na maior cidade universitária da região, o porto de Ghent, com os seus 27,4 km de paredes de cais, é uma porta para 500 milhões de consumidores. Com 20% dos trânsitos internacionais, onde se destacam cargas como concentrados de frutas, produtos de minério e aço e soja, o Brasil é um cliente-chave do porto. A infra-estrutura é multimodal, e o porto dispõe de conexão hidroviária para a França e Alemanha.

Zeebrugge é o porto da cidade de Brugge no mar. Sua posição estratégica apresenta vantagens em relação a outros portos europeus. Trata-se de um porto de porte médio, cuja movimentação foi de 39,5 milhões de toneladas em 2006, dos quais três quartos foram contêineres. Seus principais destinos são a Irlanda, o Reino Unido, o sul e o norte da Europa. O principal objetivo do porto é ser um portal do Velho Continente.

Fonte: Antaq

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