Energia
Invest News
O mercado no setor elétrico brasileiro durante o ano de 2008 comportou-se de forma positiva. No ano passado, pôde-se observar um aumento na demanda por energia, principalmente na região Nordeste, onde se implementou 800 mil ligações elétricas nas residências.
Além disso, aumenta cada vez mais o número de sistemas de auto-produção, o que agrega mais energia para a rede elétrica nacional. "O sistema nacional é quase inteiramente interligado. Apenas falta um projeto na região Acre-Rondônia", afirma o consultor da Trevisan, Antonio Carlos de Araújo.
Existe ainda uma certa dependência do mercado internacional, especialmente no que tange à questão do gás natural e as negociações com a Bolívia. Em uma tentativa de diminuir essa influência, no dia 11 de dezembro, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei do Gás, estimulando a produção dos gasodutos do Brasil.
É importante ressaltar também a relação direta entre o Produto Interno Bruto (PIB) do País e o crescimento da demanda por energia. De acordo com Araújo, no período 1990-1994, o PIB apresentava incremento de 5%, enquanto a demanda por energia era de cerca de 1,62% do PIB. Hoje, essa relação - elasticidade da demanda - caiu para 1,02%.
A crise de crédito global pouco afetou o setor de energia elétrica. Ainda assim, o mercado mostra que atualmente a obtenção de empréstimos nos Estados Unidos e na Europa torna-se cada vez mais complicada em virtude da insegurança dos investidores. Uma fonte alternativa para o financiamento de projetos seria o Oriente Médio.
Para o ano de 2009, o consultor da Trevisan prevê uma melhor utilização da energia, que apresentará a mesma eficiência com redução nos custos. Outro destaque será a potencialização de usinas hidrelétricas.
"Os investimentos podem indicar aumento de 600 MW e assegurar o potencial hidrelétrico. Enxergamos uma promessa no setor hidrelétrico. Existem muitas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) aprovadas, mas cujas construções ainda não tiveram início em virtude da falta de capital", esclarece Araújo.
Em relação às denominadas "energias alternativas", o consultor afirma que ainda é muito pequeno o seu percentual de participação na matriz nacional. Mesmo assim, Antonio Carlos prevê que somente a energia eólica deverá representar 15% de fornecimento brasileiro de 2015-2030.
"A energia eólica vem crescendo de maneira importantíssima. O que falta é a capacidade da indústria para ter material disponível. No momento de crise, os projetos a serem liberados serão aqueles que irão convencer os investidores a respeito da sustentabilidade", diz o consultor da Trevisan.
Quanto às demandas energéticas, este ano deverá ter necessidades maiores do que 2008, já que neste ano ocorreram algumas paradas no setor industrial. Antonio Carlos calcula que a diferença entre os dois anos deverá ser de 4000 MW.
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