Mato Grosso

Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para atender crescimento do estado, avalia executivo da Trael

Para Dimas Yamanaka, Estado já superou antigos gargalos de acesso à energia e agora vive um novo desafio ligado à industrialização e à qualidade do fornecimento.

Assessoria
21/05/2026 04:14
Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para atender crescimento do estado, avalia executivo da Trael Imagem: Divulgação Visualizações: 1343

O debate sobre energia em Mato Grosso deixou de girar apenas em torno do acesso ao serviço e passou a ocupar posição estratégica nas decisões de investimento, competitividade industrial e expansão econômica. A avaliação é de Dimas Yamanaka, responsável pelas áreas comercial e de marketing da Trael Transformadores Elétricos.

Segundo o executivo, o Estado avançou significativamente nas últimas décadas ao ampliar o acesso à energia elétrica, mas agora enfrenta um novo momento, em que a demanda do setor produtivo exige maior capacidade, estabilidade e qualidade no fornecimento.

"O impacto dessa nova visão é justamente definir quem vai continuar no jogo", afirmou.

Yamanaka acompanha a evolução do setor elétrico mato-grossense desde a época em que cidades do interior conviviam com limitações severas no abastecimento. Para ele, a realidade hoje é completamente diferente, principalmente após os avanços em distribuição e expansão do sistema elétrico ao longo dos anos.

O desafio atual, segundo ele, não é mais apenas levar energia para acender lâmpadas ou manter equipamentos básicos funcionando, mas garantir capacidade energética para sustentar a industrialização, o avanço do agro e o crescimento econômico do estado.

"Qualquer decisão de investimento passa por fatores como energia, segurança jurídica, carga tributária e mão de obra. E a energia passou a ocupar um papel central nessa discussão", disse.

Durante o Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, realizado em Cuiabá nos dias 12 e 13 de maio, o setor recebeu anúncios considerados importantes para enfrentar parte desses gargalos, entre eles novos investimentos em transmissão previstos a partir de 2027, o pacote de R$ 9 bilhões da Energisa em distribuição e o avanço do programa MT Trifásico, que prevê investimento de R$ 700 milhões do Governo do Estado para ampliar a oferta de energia trifásica em Mato Grosso.

O consultor técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Lucas Simões, confirmou durante o evento que o órgão já conduz estudos estruturantes para Mato Grosso desde 2024 e que há investimentos mapeados para ampliar a capacidade do sistema.

Entre os projetos em análise está uma nova interligação no nordeste do estado conectando Mato Grosso a Goiás, utilizando a rota da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, cuja licitação deve ocorrer no próximo ano.

Na avaliação de Yamanaka, a combinação entre geração hidráulica, expansão das renováveis e sistemas de armazenamento por baterias deve ganhar protagonismo nos próximos anos, principalmente para equilibrar a intermitência da geração solar.

Ao comentar o potencial energético mato-grossense, ele afirmou que o Estado já reúne condições para se consolidar como referência nacional no setor, especialmente pela capacidade de geração limpa e pela posição estratégica dentro do país.

"A gente já avançou muito. Hoje o desafio é continuar ampliando a infraestrutura para acompanhar o crescimento do estado e permitir que essa energia chegue com qualidade onde a produção e a indústria precisam", resumiu.

Recém-chegado da feira internacional Triple E, em Chicago, nos Estados Unidos, Yamanaka também destacou que a competitividade do setor elétrico já está inserida em uma disputa global por eficiência, prazo e capacidade de entrega.

"Para definir preço e prazo de entrega, não tem como não falar de energia", concluiu.

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