Energia elétrica

Shoppings adotam mercado livre de energia

Valor Econômico
21/07/2004 00:00
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Os shoppings centers do Brasil começam a aderir ao mercado livre de compra de energia elétrica, antes basicamente restrito aos grandes grupos industriais. Ao escolher o fornecedor, os shoppings conseguem reduzir em até 20% a conta de luz no final do mês. A energia representa um dos maiores custos do lojista, ao lado de segurança e limpeza.
O grupo Cyrela acaba de tornar "livre" os seus dois shoppings em São Paulo - o D e o ABC - que eram atendidos pela distribuidora AES Eletropaulo e agora receberão energia da Cesp. O grupo Peralta, que também atua no varejo de supermercados paulista com a rede Paulistão, adotou o sistema livre para o Mauá Plaza Shopping, antes alimentado pela AES Eletropaulo. E o shopping Dom Pedro, em Campinas, do português Sonae, nasceu sob o sistema livre.
"Já conseguimos uma economia média de 15%", atesta Amilcar Chiarini Alcântara, da BRX, braço de administração de shoppings do grupo Cyrela. A redução no valor da conta de luz deu-se tanto no Shopping ABC, com 300 lojas, quanto no Shopping D, com 260 lojas.
O grupo animou-se com a possibilidade de cortar ainda mais os custos e estuda incluir os prédios comerciais na lista de consumidores livres. Dentre eles, figuram os recém-inaugurados JK Financial Center (onde está a sede da Credicard e a do BNDES) e o Corporate Park (sede da AmBev), ambos na capital paulista.
"Estamos fazendo estudos, porque, como são prédios modernos, eles já foram construídos visando economias", diz Alcântara. Como exemplo, ele cita o sistema de ar condicionado que, neles, é movido a gás e não a energia elétrica. Em shoppings, o ar condicionado é o grande vilão, sendo responsável por 60% dos gastos com energia.
A figura do consumidor livre ainda é recente no Brasil. Surgiu efetivamente em 2001, apesar de ter sido desenhada em 1995, em meio ao processo de privatização. Na prática, são "livres" aqueles clientes que consomem acima de 3 megawatts (MW) - como um shopping de médio porte, a exemplo do D. Os que consomem menos que isso, como prédios comerciais e condomínios de casas, podem escolher de quem querem comprar energia, desde que o insumo venha de fonte alternativa (biomassa, eólica, solar ou de pequenas usinas hidrelétricas).
O shopping D fez contrato de compra de energia com uma pequena central hidrelétrica (PCH), pois o consumo soma 3,3 MW. Caso semelhante ao do Mauá Plaza Shopping igualmente suprido por uma PCH. "Em quatro meses identificamos uma redução média de 10% na conta", diz Fernando Alvarez Rodriguez, gerente geral do Mauá Plaza.
Mas Rodriguez tem expectativa de economizar ainda mais. Até porque, lembra o executivo, a energia de fonte alternativa, apesar ter um preço considerado mais alto do que uma hidrelétrica convencional, embute uma enorme vantagem ao consumidor: desconto de 50% no "aluguel" do fio da concessionária local que transporta a energia. "Aguardamos com ansiedade a publicação dessa resolução no Diário Oficial da União", diz. A economia passa então de 10% para 18%, nas contas dele.
Para os lojistas a economia é importante porque tem um impacto direto na redução do valor do condomínio. Rodriguez diz que o grupo Peralta iniciou estudos para incluir o Shopping Praia Grande (SP), com 200 lojas, no consumo livre. Mas antes terá que aguardar que se expire o contrato de fornecimento de energia que o empreendimento tem com a distribuidora CPFL Piratininga.
A adesão do comércio nesse mercado vem pautando mudanças também na vida de companhias como a Dental Energia - uma empresa que funciona como um "corretor" e que faz a intermediação da compra de energia ao preço mais barato possível para um consumidor que não quer mais ser atendido pela distribuidora local. Ela atende a Cyrela.
José Ricardo Meirelles, da Delta, está prospectando novos clientes. "Começamos a focar nesse segmento de comércio há um ano, quando pouco se falava no assunto", diz. Sem revelar nomes, ele conta que há um volume considerável de shoppings estudando migrar para o mercado livre.

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