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Sinal de demanda menor na China agita setor de petróleo

BusinessWeek
20/07/2005 00:00
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Até a enorme sede chinesa por energia parece ter limites. Há crescentes sinais em toda a Ásia nos últimos dias de que o preço do petróleo finalmente ficou muito alto para a China, país responsável por mais de 40% do crescimento na demanda mundial em 2004 e que continua pressionado a demanda este ano. Anteontem, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) baixou em 150 mil barris/dia sua previsão para crescimento da demanda neste ano, citando uma redução na China.
Há a percepção generalizada de que o consumo de produtos brutos e refinados de petróleo na China tem sido o fator crucial por trás dos recordes atingidos pelo petróleo em 2004 e em 2005. Mas traders, analistas e fontes do setor em toda a Ásia contatados pela Platts Global Alert dizem que a recente e brusca alta nos contratos futuros de petróleo, para o recorde nominal de US$ 62,10 em 7 julho, parece ter provocado um estouro na bolha de demanda chinesa (a Platts, como a "BusinessWeek" e a "Standard & Poor ? s", é uma subsidiária da McGraw-Hill Companies). Ontem, o petróleo fechou com pequena alta a US$ 57,46 em Nova York.
Segundo fontes chinesas, a alta abrupta nos preços dos contratos futuros de petróleo durante boa parte do início de julho criou fortes dificuldades para praticamente todos os níveis do setor petrolífero chinês, ao arrastar os preços do petróleo também para cima.
Fundamentalmente, segundo as fontes, a relutância do governo chinês em permitir repasses nos "preços de referência" de importantes produtos vendidos no varejo interno - como o diesel e a gasolina -, levou refinarias estatais e independentes a um ponto de ruptura. A disparidade entre os elevados preços do petróleo na Ásia e os supercontrolados preços dos produtos que são refinados a partir desse petróleo impôs consideráveis cortes à produção nas refinarias e freou a demanda chinesa.
Além disso, os preços artificialmente baixos no varejo interno também converteram a China em exportador de produtos de escassa oferta. As principais trading chinesas - China Oil e Unipec -, vêm exportando grandes volumes extras de óleo para aquecimento e diesel nas últimas semanas, um produto que a China normalmente importa em grande volume. Em outros mercados de produtos refinados onde a normalmente a produção interna não cobre a demanda chinesa, os importadores pararam totalmente de adquirir produtos petrolíferos estrangeiros.
Enquanto isso, os preços internos de revenda de outros hidrocarbonetos - óleo combustível, propano e butano - na China ficaram abaixo dos preços de importação em boa parte do ano, fenômeno chamado "dao gua", na China. Em períodos de "dao gua", os importadores de óleo combustível e gás liqüefeito de petróleo normalmente estocam o produto. Esses estoques estão agora tão altos em alguns portos que as importadoras pararam totalmente de comprar por semanas a fio - provocando uma segunda grande diminuição na demanda chinesa por petróleo, além da redução na produção de petróleo na própria China.
O fenômeno repercutiu nas estimativas para a demanda chinesa, que recentemente registraram queda. Em seu mais recente relatório mensal sobre petróleo, a Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que a demanda chinesa caiu "consideravelmente" em conseqüência das políticas do país para produtos petrolíferos e eletricidade. As baixas tarifas de eletricidade puseram as termoelétricas a óleo no sul e leste da China no mesmo barco que algumas das refinarias: ou param de produzir energia ou a vendem com prejuízo.
A AIE disse que as importações líquidas de produtos petrolíferos parecem ter caído para apenas 150 barris/dia, bem abaixo dos 730 mil barris/dia de maio de 2004. O aspecto possivelmente mais notável citado pela AIE é que aparentemente a demanda chinesa por petróleo e derivados no segundo trimestre de 2005 foi de 6,47 milhões de barris/dia - ou uma queda de 60 mil barris/dia (ou quase 1%) em comparação com o segundo trimestre de 2004. Caso seja confirmada, uma queda na demanda no segundo trimestre seria notável.
Uma alta fonte anônima de uma das principais refinarias estatais disse à Platts que as duas gigantescas petrolíferas chinesas - Sinopec e PetroChina - vêm adotando fortes medidas de cortes de custos há mais de um ano para amenizar os problemas decorrentes de estreitíssimas margens de refino e revenda impostas pelo governo.
Uma das coisas estranhas na equação econômica petrolífera chinesa em 2005 é que, enquanto os fornecedores internos de gasolina e diesel têm se queixado de escassez na oferta no sul da China, as refinarias reduziram seus volumes de produção ou interromperam totalmente suas operações.
Comenta-se que a Sinopec, responsável por 55% dos 5,8 milhões barris/dia de capacidade de refino chinesa, baixou sua produção em até 400 mil barris/dia abaixo dos volumes operacionais normais, em torno de 2,9 milhões de barris/dia. A PetroChina, que opera mais refinarias que a Sinopec em uma área geográfica mais ampla, responde por menor capacidade produtiva, totalizando apenas 38% da capacidade de refino chinesa. Sabe-se que a companhia está operando a 140 mil barris/dia abaixo da taxa habitual de produção, em torno de 2 milhões de barris/dia.
Há fortes evidências de apagões generalizados e de grandes esquemas de racionamento, com uma notável migração de usuários para carros menores. Gideon Lo, analista da DBS Vickers em Hong Kong, diz que os aumentos nos preços de óleo combustível neste ano obrigaram grandes produtores de eletricidade a reconfigurar sua tecnologia para permitir a queima de carvão. Para que a China cumpra previsões anteriores, de crescimento de 6,5% na demanda de petróleo este ano, a demanda no segundo semestre teria de subir mais de 6%, o que parece improvável.

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