Economia

Sobram recursos em linha para canaviais

Valor Econômico
05/06/2012 11:11
Visualizações: 661
Enquanto o governo discute um novo pacote para estimular a retomada do crescimento do segmento sucroalcooleiro, medidas lançadas há cinco meses continuam inócuas. Anunciado em janeiro, o programa Prorenova, que pretende destinar este ano R$ 4 bilhões para o plantio de canaviais, ainda não se traduziu na liberação de nenhum centavo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) garante, porém, que isso vai acontecer a partir deste mês.

Até agora, o banco de fomento tem na carteira do programa R$ 1,080 bilhão, distribuídos em operações de 19 empresas diferentes, a maior parte de grande e médio portes. Aprovados mesmo, são R$ 230 milhões - quase tudo para o grupo Santa Terezinha, do Paraná, que terá R$ 226,2 milhões. Outros R$ 95 milhões estão em análise e mais R$ 210 milhões estão ou em consulta ou "enquadrados" nos critérios definidos pelo banco. Há ainda R$ 550 milhões em operações prospectadas, mas que ainda não foram protocoladas oficialmente na instituição.

A dificuldade das usinas de entregar todos os documentos ambientais exigidos está no centro do rol de motivos que explica a demora do programa em deslanchar, apesar da grande necessidade do segmento por crédito para recuperar seus canaviais - afetados por anos de baixos investimentos e sucessivos problemas climáticos.

O acesso pode estar sendo ainda mais dificultado pela cobrança de spreads elevados pelos bancos repassadores, segundo o chefe do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti. "Usinas reclamaram desse custo. Mas acredito que agora está havendo convergência desse spread, pois a demanda pelo programa aumentou significativamente em maio", disse Cavalcanti. Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) preferiu não comentar.

O presidente interino da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, afirmou que o custo do Prorenova sempre foi considerado elevado, desde o anúncio da linha, em janeiro. Mas a atratividade diminuiu mais na medida em que taxa Selic foi sendo reduzida. "É possível que algumas usinas, que têm condições de captar dinheiro mais barato, busquem crédito fora do Prorenova. Outras, não terão outra saída", explica Rodrigues.

A procura ainda fraca também se explica, em parte, pela restrição de acesso ao crédito por empresas controladas por capital estrangeiro, que hoje respondem por 30% da moagem de cana do Centro-Sul. "Mas essas empresas não estão deixando de investir em canaviais. Estão buscando, no entanto, outras fontes de recursos", explica Rodrigues.

A linha para renovação de canaviais sai do BNDES a um custo de 8,8% ao ano, prazo de amortização de 72 meses, sendo 18 de carência. Os bancos repassadores ainda cobram taxa de spread, que depende da negociação com o cliente. Com endividamento total de R$ 42 bilhões - equivalente a seu Produto Interno Bruto (PIB) - o setor sucroalcooleiro teve seu risco de crédito elevado nos últimos meses. "Esses spreads mais altos podem estar refletindo esse risco", avalia Cavalcanti.

Apesar disso, ele defende que o programa é atrativo até mesmo diante das taxas atuais do mercado. Além disso, em maio algumas exigências de documentação foram flexibilizadas, mediante compromisso por parte das usinas de cumprimento progressivo das exigências ao longo do contrato.

Cavalcanti conta que o banco exigia que a propriedade que fosse objeto do recurso fosse totalmente georreferenciada. Devido à dificuldade de atendimento dessa exigência, o BNDES passou a solicitar que apenas um ponto da propriedade fosse georreferenciado para identificar se a propriedade está em área permitida pelo zoneamento agroecológico da cana.

O banco também estabelecia inicialmente que as usinas tivessem o cadastro de todos os seus fornecedores de cana para acessar o recurso. Agora, passou a permitir que esse cadastro seja construído e atualizado durante o período de duração do contrato com o banco. "Foi uma forma de o BNDES tornar o financiamento possível a partir da adoção progressiva de boas práticas ambientais pelo setor", disse Cavalcanti.

Ele acredita que, apesar dos percalços, o programa terá êxito e o banco conseguirá liberar os R$ 4 bilhões previstos para este ano. "Se a demanda avançar, teremos mais chances de criar um novo programa para o ano que vem", afirmou.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Biometano
ABiogás alerta sobre risco de perda de lastro para emiss...
06/10/26
Oferta Permanente
ANP realiza em 07/10 4º Ciclo de Partilha e 6º Ciclo de ...
06/10/26
Gás Natural
ANP divulga relatório da consulta pública sobre Programa...
05/10/26
PPSA
9º Leilão Spot: PPSA oferta cargas remanescentes nesta q...
05/10/26
IBP
RELIVRE parabeniza acordo que destrava o mercado livre d...
03/10/26
Gás Natural
Firjan celebra acordo para efetivar abertura do mercado ...
03/10/26
Gás Natural
Naturgy, Agenersa e Governo do Estado assinam acordo sob...
02/10/26
Margem Equatorial
Nova descoberta de petróleo em águas ultra profundas na ...
02/10/26
Biometano
Corredor Verde com 100 caminhões a biometano e pontos de...
02/10/26
Gasodutos
Acesso de terceiros a gasodutos de escoamento e instalaç...
02/10/26
Margem Equatorial
ANP aprova delimitação de 11 novos setores exploratórios...
02/10/26
Agronegócio
Agro diversifica matriz energética e busca alternativas ...
02/10/26
Firjan
Manifesto Firjan defende o voto consciente em 4 de outubro
02/10/26
PPSA
ExxonMobil e TotalEnergies vencem o 9º Leilão Spot de Pe...
02/10/26
Workshop
Petrobras, Shell, ArcelorMittal e IBRAM discutem desafio...
01/10/26
Resultado
Produção de petróleo e gás em agosto de 2026 alcançou 6,...
01/10/26
Normas
ANP recebe contribuições sobre revisão da norma para reg...
01/10/26
ROG.e 2026
Petrobras e Petronect levam nova solução para compras de...
30/09/26
Premiação
Mirante Tecnologia vence prêmio da Petrobras de melhor f...
30/09/26
ROG.e 2026
Empresa Piracicaba apresentou lançamentos em um dos prin...
30/09/26
Combustíveis
Diesel S-10 acumula alta de 15,1% em 12 meses, aponta Mo...
30/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25