Tecnologia
Jornal do Commercio
No setor de energia elétrica, as perdas comerciais na sua distribuição resultam num prejuízo de mais de R$ 1 bilhão por ano e, segundo Welson Jacometti, diretor executivo da empresa CAS Engenharia, a identificação e eliminação dos fatores que determinam estas perdas é a forma mais eficiente de melhorar os resultados financeiros das concessionárias.
Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, o índice de perdas por furto ou fraude registrado pelas distribuidoras alcança 5% de toda a energia produzida no País, o que representaria cerca de 21 mil dos 422 mil gigawatts-hora produzidos no ano passado que, somadas às perdas naturais nas linhas de transmissão, que atingem 12%, faz com que a perda geral no Brasil chegue a cerca de 17%.
"Com custos operacionais quase sempre já otimizados ao limite, resta à indústria de distribuição de energia tornar-se mais eficiente, identificando, combatendo e eliminando as perdas não técnicas", diz Domingos Iório, diretor de produção da CAS Engenharia.
A solução RS2000 e-Power, sistema de monitoramento de fluxo de energia, junto com a plataforma Hemera, desenvolvidas pela empresa, permitem a coleta automatizada de dados e sua análise em tempo real, verificando inconsistências no sistema de medição, evitando perdas técnicas - medidor com defeito, cabo solto, por exemplo - e perdas comerciais, informando diretamente ao centro de controle da concessionária.
"A partir da análise dos dados enviados ao cliente pela rede de telefonia celular, caso seja identificada alguma inconsistência, é disparada uma ordem de manutenção, a um custo muito baixo. Antes a comunicação via rede celular era feita a partir da troca de mensagens de texto, o que encarecia o produto. Com a rede GPRS você tem o pacote de dados a preços muito mais baixos e com contratos especiais para este tipo de cliente", diz Iório.
Como utiliza o mesmo padrão universal utilizado na internet (o protocolo IP), o GPRS otimiza as comunicações de dados através das redes móveis.
Sendo baseado em pacotes, permite que a utilização da infra-estrutura da rede de comunicação existente se dê somente quando uma operação de transmissão e ou recepção é requerida ao invés de estabelecer um link permanente. Isto aumenta a eficiência do meio de comunicação e melhora a qualidade dos serviços de conexão.
O grande atrativo da tecnologia GPRS está na possibilidade de se manter uma conexão "permanente" de dados e assim, os usuários não precisam conectar o sistema toda vez que necessitarem de acesso aos serviços.
Outra vantagem é que a tarifação é feita apenas sobre os dados efetivamente transmitidos e dessa forma o usuário não paga pelo tempo de conexão.
O custo de implantação da solução - hardware, que é instalado junto com o medidor da concessionária no cliente + software - depende da aplicação de cada empresa mas, como exemplo, Iório cita o caso de uma concessionária que, há dois anos, com a identificação de apenas três fraudes pagou todo o seu investimento, de cerca de R$ 6 milhões.
Segundo Jacometti, "a tecnologia nos permite hoje conhecer cada um dos consumidores de uma companhia de distribuição em moldes similares ao que ocorre na indústria financeira ou de telecomunicações. Neste novo cenário, a eficiência das companhias na medição irá refletir-se, então, em dois aspectos: a capacidade de entender tecnicamente o que ocorre em campo com o instrumento de medição em tempo real e o ambiente que o cerca, e a capacidade da companhia de relacionar-se com seus consumidores de forma rápida, eficiente e positiva".
Além da medição de energia elétrica, a solução também é utilizada por concessionárias de água e gás, controlando vazão e pressão e indexando todos os dados.
"O hardware é o mesmo, o que muda é o software. Para as distribuidoras de água, é muito importante ter este controle, até para evitar acidentes, além do desperdício. Nestes casos, o consumo é muito maior durante o dia e, de madrugada, se a vazão continuar a mesma e não houver ajuste das válvulas, existe o risco de rompimento de tubulações", diz Iório.
Criada há oito anos, a CAS Tecnologia tem hoje como clientes Light, Cemig, Sabesp, CET, ItaúBBA, Citibank, Dell, ThyssenKrup, Alcoa, Roche, Siemens e Garoto, entre outras, e clientes na República Dominicana, Chile e África do Sul.
Tem cerca de 12 mil pontos instalados para concessionárias e a expectativa é instalar mais 10 mil pontos até o final deste ano.
O serviço de monitoramento e análise remota do fluxo de consumo de energia representa 65% do faturamento da empresa que, em 2007, atingiu R$ 20 milhões.
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