Estaleiro

STX Promar vai contratar 500 pessoas em setembro

O novo estaleiro pernambucano nasce com uma carteira robusta formada por oito navios gaseiros encomendados por US$ 536 milhões pela Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. A mão de obra será empregada nos próximos anos. O início da pro

Valor Econômico
16/07/2012 12:56
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O estaleiro da STX Promar começa a ganhar forma na Ilha de Tatuoca, no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. À medida que as obras avançam, aumentam as expectativas sobre os efeitos do projeto nos municípios do entorno. Um dos desafios é evitar erros cometidos pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), também situado na Tatuoca. Em setembro, o STX Promar, controlado por noruegueses e brasileiros, vai contratar 500 pessoas de um total de 1,5 mil trabalhadores que devem ser empregados nos próximos anos. O início da produção está previsto para junho de 2013 a partir de investimentos de R$ 250 milhões.

O novo estaleiro pernambucano nasce com uma carteira robusta formada por oito navios gaseiros encomendados por US$ 536 milhões pela Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. Foi esse contrato que deu confiança aos acionistas, a STX OSV, da Noruega, com 50,5%, e a PJMR, do Rio, com 49,5%, para levar adiante a construção do estaleiro. Os gaseiros vão garantir trabalho para o estaleiro por mais de três anos, mas a partir de 2014 o STX Promar precisará ter novas obras. E a aposta está na construção de navios de apoio às atividades de petróleo e gás, especialidade da STX OSV.

A empresa é controlada pelo grupo coreano STX e tem operações na Noruega, Romênia, Vietnã e Brasil. No Brasil, a STX OSV faturou R$ 430 milhões em 2011, número que deve crescer 16% este ano e atingir R$ 500 milhões, prevê Waldomiro Arantes Filho, presidente da STX OSV no Brasil. Uma das vantagens do STX Promar é contar com o apoio de um estaleiro operacional pertencente ao grupo, o STX OSV, de Niterói (RJ).

As atividades da STX OSV no Brasil se dão em conjunto com a PJMR, cujos sócios criaram o estaleiro Promar, que terminou comprado pelos noruegueses. O grupo tem ainda outros dois projetos no país: um consórcio com o estaleiro Rionave, do Rio, que está começando a produção dos cascos dos dois primeiros gaseiros da Transpetro, e a construção de estaleiro de reparos para navios offshore em Quissamã (RJ).

O STX de Niterói está treinando 50 soldadores, maçariqueiros e outros técnicos recrutados na região de Suape. Em janeiro de 2013 outra turma com 50 trabalhadores pernambucanos vai desembarcar no Rio para um período de treinamento. No total, a STX OSV tem 1,8 mil trabalhadores, dos quais 1,6 mil em Niterói e 200 em Suape, onde o diretor é um norueguês que construiu outra unidade no Vietnã.

Arantes diz que o estaleiro pernambucano, a ser instalado em área de 25 hectares, começará com mil empregados e chegará a 1,5 mil no pico da operação.

O STX Promar terá capacidade de processar 20 mil toneladas de aço por ano, 20% da capacidade do Estaleiro Atlântico Sul, de 100 mil toneladas. O EAS emprega também cinco vezes mais pessoas (o número de empregados hoje no estaleiro é de cerca de cinco mil funcionários). Mas o EAS chegou a empregar cerca de 11 mil trabalhadores, muitos dos quais originários da atividade canavieira dos municípios próximos de Suape.

Parte da mão de obra que foi treinada para trabalhar no EAS e depois dispensada poderá ser aproveitada pelo STX Promar. Outro contingente desses trabalhadores está empregado em grandes projetos como a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Suape, a transposição do Rio São Francisco e a implantação da ferrovia Transnordestina, diz Alberto Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindimetal/PE).

Para Santos, é importante que no caso do STX Promar haja uma união de esforços entre empresa, estado e sindicato para evitar problemas que ocorreram no EAS. "Não acredito em apagão de mão de obra". Arantes, do STX OSV, diz que o estaleiro criou programa de treinamento e fez acordo com o governo do estado de Pernambuco e com cinco municípios da região de Suape para focar em capacitação a partir do processo seletivo de trabalhadores que começa em setembro.

Existe avaliação segundo a qual o EAS, pelo seu pioneirismo, poderá contribuir, em termos de experiência, para reduzir erros em outros projetos de construção naval em Pernambuco. Dos R$ 250 milhões investidos no STX Promar, 70% serão financiados pelo Fundo da Marinha Mercante. A expectativa é de que o projeto se pague em 15 anos.

O investimento inclui o pagamento pela cessão onerosa de uso de uma área de 25 hectares, de um total de 80 hectares arrendados pelo estaleiro. O estaleiro trabalha agora para conseguir o "aforamento", a formalização da transferência dessa área de 25 hectares feita pelo Estado de Pernambuco, junto à Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Os restantes 55 hectares continuarão arrendados pelo STX Promar.
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