Petroquímica

Suzano aumenta liquidez de seus papéis

Valor Econômico
02/09/2004 00:00
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A Suzano Petroquímica passou a contar oficialmente ontem com um formador de mercado para aumentar a liquidez de seus papéis. O trabalho de "market maker" será feito pela corretora Ágora Senior, que ficará responsável por incentivar negócios e manter um referencial de preço de compra e venda (spread) para o papel, hoje pouco negociado. O objetivo, segundo João Nogueira Batista, vice-presidente executivo da Suzano Holding, é valorizar as ações, até como forma de preparar a empresa para a oferta pública secundária prevista para acontecer ainda este ano.
"Como a empresa tinha pouca liquidez, vai ser um processo parecido com uma abertura de capital", diz Batista. Ele espera definir o tamanho e o formato da oferta de ações até o fim deste mês. Hoje, 82% do capital total estão nas mãos dos controladores, o que significa uma parcela no mercado (free float) de 18%. O ideal, diz Nogueira, é aumentar o "free float" para pelo menos 25%. Nogueira espera que outros investidores, como o fundo de pensão do Banco do Brasil, a Previ, também participem da oferta vendendo parte de suas ações, como ocorreu na Suzano Papel e Celulose.
A Suzano Petroquímica registra neste ano média de 6,5 negócios, ou R$ 107 mil, por dia. O papel fechou ontem a R$ 5,40, com alta de 1,18%. No ano a alta é de 78,01%. Ela é a sétima empresa a constituir um formador de mercado. Antes dela, CCR, Ripasa, Celpe, Rossi Residencial, Unibanco e a própria Suzano Papel e Celulose já vêm usando essa estratégia, que se mostrou eficiente para aumentar a liquidez. Em alguns casos, o número de negócios e o volume negociado mais que dobraram.
Outro sinal dos ganhos obtidos pelas empresas que adotaram o formador de mercado é que Unibanco e Suzano Bahia Sul passaram a integrar o Índice Brasil da Bovespa, o IBrX-50. "Foi um resultado muito bom, pois em quatro meses com `market maker` já conseguimos entrar no índice", afirma Batista. Integrar o IBrX-50 é uma espécie de vitrine da empresa para os investidores, que usam o índice como referencial para suas aplicações.
O número de empresas que conta com formadores de mercado tende a crescer nos próximos meses, diz Luiz Fernando Resende, da consultoria LatinFinance. Segundo ele, dez empresas já demonstraram interesse em contratar os serviços de corretoras para aumentar a liquidez de suas ações. Eternit, Marcopolo, Weg, Gol e Natura já manifestaram o interesse .
Para Ricardo Pinto Nogueira, superintendente de Operações da Bovespa, a Suzano Petroquímica deve repetir o sucesso da Papel e Celulose. "Ela foi pioneira nessa coisa de governança e está seguindo os mesmos passos para valorizar o papel", diz. Esse processo, diz, começou com a pulverização do capital entre os investidores, aumento da oferta de ações, ajuste do valor do papel e melhora da liquidez. "O formador de mercado é uma parte do processo, ele sozinho não garante a liquidez" explica Nogueira. Em alguns casos, o valor da ação é muito alto, o que torna os lotes mínimos inacessíveis para os investidores pessoas físicas. Outras, não há papel suficiente no mercado. Ele lembra que o formador de mercado dá tranqüilidade para o investidor de varejo de que, no momento em que ele precisar vender ou recomprar o papel haverá alguém negociando no mercado, e sem distorções entre os preços de compra e venda. A Bolsa de Valores de São Paulo exige que o formador de mercado faça ofertas de no mínimo 5 mil papéis, o que garante lotes razoáveis para o investidor pessoa física.
A Suzano Petroquímica pretende usar a valorização das ações para captar recursos e financiar sua expansão, diz Nogueira. A meta da empresa é ser a segunda do país em produtos petroquímicos de segunda geração, atrás da Braskem. Neste ano, a empresa deve ter faturamento de R$ 2,4 bilhões, quase o dobro do R$ 1,6 bilhão de 2003, diz o presidente da companhia Armando Guedes Coelho. A empresa está operando com quase toda a capacidade e terá de investir em expansão no ano que vem, diz Coelho.
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