Mercado
A tendência de queda da cotação do petróleo será a tônica do mercado durante 2005, afirmam analistas, que prevêm, no entanto, estabilização dos preços em patamares elevados. A Petrobras, no entanto, deverá manter os preços internos dos combustíveis mais altos do que no exterior até co
A tendência de queda da cotação do petróleo, observada nos primeiros pregões de 2005, será a tônica do mercado durante o ano, afirmam analistas do setor, que prevêem, no entanto, a estabilização dos preços em patamares ainda altos, entre US$ 35 e US$ 45. A Petrobras, no entanto, deverá manter os preços internos dos combustíveis mais altos do que no exterior até compensar as perdas de 2004, o que poderá tornar a importação de combustíveis um negócio atraente.
As principais características do movimento do mercado em 2005 serão maior estabilidade, ainda que com preços elevados, e pressão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para evitar um excesso de redução nos preços.
O consultor de investimentos da GlobalInvest, Márcio Bandeira, acredita em um aumento de 5% - referente a reajustes de inflação - na média anual dos preços do petróleo, mas com tendênca de redução. "O comportamento do mercado este ano é de queda na cotação e será a Opep quem fará pressão para segurar os preços", prevê o consultor.
Segundo a GlobalInvest, o barril do WTI deverá se estabilizar entre os US$ 46 ou US$ 47 o barril, enquanto a média anual do Brent deverá ficar em US$ 44 ou US$ 45. As previsões da Espírito Santo Securities (BES) são mais otimistas e sugerem uma média anual de US$ 35 ou US$ 36 para o barril do Brent e US$ 37 ou US$ 38 para o barril do WTI.
A consultora da Espírito Santo Securities Mônica Araújo avalia que um dos principais fatores para as recentes quedas nas cotações foi a constatação de que o inverno norte-americano não está sendo tão rigoroso quanto o esperado. "Isso contribuiu para a recomposição dos estoques de combustíveis, que sofreram grandes reduções em 2004", comenta.
No longo prazo, os dois analistas concordam que a redução de preços será reflexo da diminuição das preocupações que impulsionaram as elevações. "Não podemos esquecer da crise do Iraque e da demanda chinesa, mas é como se o mercado já tivesse se acostumado com isso", avalia Bandeira, que ainda completa: "Em 2004, além dos fatores geopolíticos, houve muita especulação. O mercado se antecipou a um cenário catastrófico que não ocorreu. Em 2005 haverá a correção dessa expectativa."
No Brasil, ainda que o petróleo esteja mais barato internacionalmente, a Petrobras deverá manter os preços dos combustíveis mais elevados do que no mercado exterior até recompor as perdas de 2004. "O tempo que a empresa vai utilizar essa política compensatória é muito difícil de prever, mas essa estratégia poderá tornar vantajosa a importação de combustíveis", avalia Mônica Araújo.
A consultora admite, no entanto, que a importação tem muitas condicionantes, fundamentalmente a imprevisibilidade da estatal. "A Petrobras pode alterar os preços de uma hora para outra e uma importação demora mais tempo para se concretizar", avalia.
A cotação do petróleo voltou a subir em Nova Iorque. O petróleo cru americano subiu de US$ 41,54 o barril, cotação mínima na segunda-feira, para US$ 43,30 nesta terça-feira (04/01).
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