Energia

Térmicas a carvão dominarão leilão

Jornal do Commercio
27/10/2009 09:54
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O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, afirmou ontem que está preocupado com a possibilidade de o resultado do leilão de venda de energia nova A-5, marcado para 18 de dezembro, contratar apenas térmicas a carvão.
 
 
Segundo o especialista, a ausência da concessão de licenças prévias para sete hidrelétricas no País e o preço elevado do gás natural poderão favorecer à contratação de térmicas mais poluentes. O presidente da EPE participou do Seminário França-Brasil de Energias Renováveis e Biocombustíveis, realizado ontem no Rio de Janeiro.


Tolmasquim reforçou que apesar de a quantidade de térmicas a gás natural cadastradas no certame ser maior (49 usinas, com 15.015 MW), o preço do gás "está mais caro e a tendência é que o carvão ganhe". No leilão, estão cadastrados quatro projetos de carvão mineral nacional (1.690 MW) e três de carvão mineral importado (1.014 MW).


O último mês do ano será marcado por uma sequência de leilões no setor elétrico que definirá se a geração de energia nos próximos anos será mais ou menos limpa. Serão quatro leilões de energia entre o fim de novembro e o dia 18 de dezembro, além de uma licitação de novas linhas de transmissão. Entre essas iniciativas está o inédito leilão exclusivo para empreendimentos eólicos, no dia 14 de dezembro - tentativa de viabilizar no País esta é que é uma das formas mais limpas de produzir energia.


Tolmasquin disse também que o leilão de energia eólica poderá ter preço teto menor que R$ 200 por megawatt/hora. O especialista disse ainda que os empreendimentos que não conseguirem participar do leilão poderão entrar em outros, que segundo ele irão acontecer caso o primeiro seja bem sucedido. Os empreendimentos com mais chance de fechar contrato no leilão vão ser aqueles que apresentarem maior fator de capacidade, o que na prática, significa maior tempo de geração plena. "Quem tiver os melhores ventos, melhores condições de financiamento e melhores tecnologias vai fechar negócio", afirmou Tomalsquim.



DILEMA. Se de um lado o País avança em tecnologias limpas com o uso do vento para produzir energia, de outro a falta de licença ambiental para projetos de novas hidrelétricas atrasa planos.


Por não emitirem gás carbônico e não dependerem de combustíveis cujos preços variam no mercado, as usinas hidrelétricas são as favoritas do governo para sustentar a expansão da oferta de energia, mas como nenhuma dessas sete usinas recebeu, ainda, a licença ambiental prévia, o leilão de dezembro deve ser dominado pelas térmicas. Pelas regras do setor, usinas sem licença prévia não podem ter suas concessões oferecidas em leilão.


A emissão da licença prévia é também o que falta para o governo poder dar início aos procedimentos para o leilão da mega usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, de 11,2 mil MW. Há cerca de duas semanas, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Roberto Messias, disse que o órgão pretendia dar seu aval à obra até ontem. O governo quer realizar o leilão da hidrelétrica, cujos investimentos são estimados em R$ 16 bilhões pela EPE, até o dia 15 de dezembro. Mantido esse cronograma, os megawatts da hidrelétrica paraense começariam a ser gerados em 2014.
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