Energia
Valor Econômico
Apesar da disposição do governo em priorizar a biomassa e as usinas eólicas como fonte de energia complementar às grandes hidrelétricas, o grande desafio hoje é frear o ímpeto das usinas térmicas a óleo combustível e a carvão. Nos leilões de energia anteriores a 2009, predominou a contratação desse tipo de planta e a oferta de usinas prontas para negociar a energia em leilões ainda é alarmante, não só pelo preço do insumo, mas também pela poluição que geram.
Para se ter uma ideia, hoje há 108 usinas térmicas de origem fóssil (carvão, óleo diesel e óleo combustível) autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica, somando uma capacidade de 11.662 MW, potencial superior à da megausina do Belo Monte (11.233 MW), no rio Xingu, no Pará, que enfrentou tantos problemas em seu licenciamento ambiental e ainda gera polêmica. Como base de comparação, há apenas 43 usinas a biomassa autorizadas (1.796 MW) e 40 usinas eólicas (2.052 MW). A oferta de usinas autorizadas não quer dizer que são elas que vão suprir a demanda do país, mas já é um indicativo da distorção que o resultado dos últimos leilões de energia gerou no mercado.
O governo minimiza essa oferta gigante de usinas que geram energia a partir de combustíveis fósseis e garante que, com a maior oferta de energia hidrelétrica nos próximos leilões, os empreendimentos movidos a biomassa e pela força dos ventos vão passar a predominar como fonte complementar. "O que importará são os próximos leilões. Autorização não quer dizer nada. Ao termos uma oferta de hidrelétrica e fazermos leilões exclusivos de biomassa, PCHs e eólicas, teremos como restringir essa oferta (fóssil) de virar realidade", argumenta o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim.
Enquanto o governo tenta dirigir o futuro, as empresas que investem em termelétricas de origem fóssil fazem o dever de casa para tentar se manter no mercado nos próximos anos. A MPX - do grupo EBX, do empresário Eike Batista - garante que investe 30% do orçamento total de suas usinas a carvão em sistemas de controle de poluição.
A empresa atua em duas frentes para tentar tornar suas usinas mais amigáveis ao meio ambiente. Na primeira, instala equipamentos como caldeiras especiais, filtros nas chaminés e equipamentos eletroestáticos, que reduzem sobretudo a emissão de partículas no ar - poeira do carvão, causadora da fumaça preta de dióxido de enxofre - considerado um dos gases mais tóxicos desse tipo de usina - e de óxidos de nitrogênio. A empresa garante 90% do dióxido de enxofre e 70% dos óxidos de nitrogênio deixam de ser emitidos.
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