Economia

Tractebel amplia teto para captar recursos

Valor Econômico
14/05/2012 10:03
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A Tractebel Energia, maior geradora de energia privada do país, abriu caminho para aumentar a capacidade de endividamento em até 40% ao longo dos próximos meses, com um cenário de investimentos que incluem grandes projetos, caso da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, empreendimento de R$ 15,1 bilhões.
 

A empresa também prevê custos de captação mais baixos, em até 30 pontos básicos, por causa da melhora do grau de investimento concedido por agências de classificação de risco.
 

A Tractebel conseguiu aprovar, na semana passada, em assembleia de debenturistas - detentores dos papéis da segunda emissão no montante de R$ 350 milhões lançados em 2007 - a elevação do limite de endividamento, passando do atual teto de 2,5 vezes o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 3,5 vezes. O que representa uma margem maior de 40% sobre um patamar que, em 31 de março, era de R$ 714,4 milhões para o Ebitda.
 

Já a composição da dívida bruta da companhia na mesma data atingia R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 382 milhões vencendo em 2012 e 500 milhões em 2013.
 

"Estamos aumentando nossa flexibilidade para investir", disse em entrevista exclusiva ao Valor, por telefone de São Paulo, o diretor Financeiro e de Relações com os Investidores da Tractebel, Eduardo Sattamini.
 

O executivo ponderou que a empresa não pretende trabalhar com esse níveis de alavancagem de maneira estrutural, mas aponta que haverá um período marcado por maior endividamento para suportar a concentração de investimentos em projetos mais intensivos de capital, como a usina hidrelétrica de Jirau. "[Esse patamar] Não quer dizer que vamos ficar o tempo todo [com o endividamento] em três e meio [do Ebitda], mas vamos ter a possibilidade de ir até esse teto, especialmente nesse e no próximo ano", afirmou.
 

A empresa, controlada pela franco-belga GDF Suez no Brasil, é a principal acionista da hidrelétrica de Jirau, obra orçada em R$ 15,1 bilhões.
 

O executivo disse que as percepções de risco mudaram desde 2007, quando o teto de endividamento foi firmado para as debêntures. "A realidade do Brasil é outra hoje e nosso rating da empresa também melhorou."
 
 
No fim de abril, a Fitch elevou as classificações de risco da Tractebel em moeda estrangeira de BBB- para BBB, com perspectiva estável, para refletir, segundo a agência, "o sólido perfil financeiro consolidado da Tractebel".
 

A agência também elevou o rating em moeda nacional para o longo prazo da segunda emissão de debêntures, no montante de R$ 350 milhões com vencimento em 2014, para AAA de AA+.
 

Com a melhor percepção de risco por parte da agência de classificação, a Tractebel espera cortar em até 30 pontos básicos o custo médio do endividamento, adiantou Sattamini.
 

O custo médio anual da dívida da companhia fechou o primeiro trimestre em 9,1% para os compromissos em reais - que respondem por 94% do total; e de 3% ao ano para os empréstimos em dólar e em euros.
 

O executivo confirmou que a GDF Suez no Brasil, dona da Tractebel, continua negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um adicional de financiamento para a usina de Jirau, elevando a linha que está em R$ 7,2 bilhões. A GDF Suez pretende repassar a participação em Jirau para a subsidiária Tractebel Energia no fim deste ano, quando o grupo avalia que os principais riscos da obra estarão mitigados. Sattamini disse que o modelo de transferência será definido até dezembro, e a transferência de ativos, em meados de 2013.
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