Energia Solar

Transição energética é aposta de grandes indústrias para reduzir impactos ambientais

Oportunidades para crescimento de ações sustentáveis são amplas; 42% dos empresários têm como principal foco investir em fontes renováveis, segundo a CNI.

Redação TN Petróleo/Assessoria
05/06/2024 07:31
Transição energética é aposta de grandes indústrias para reduzir impactos ambientais Imagem: Divulgação Visualizações: 2233

Os crescentes cenários de catástrofes naturais, decorrentes das crises climáticas, têm intensificado a urgência de uma responsabilidade coletiva por parte de indivíduos e empresas. Entre as ações prioritárias estão a descarbonização e a migração para fontes de energia que emitem menos carbono. O Brasil, beneficiado por sua rica diversidade de recursos naturais e por ter uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, mantém uma posição de vantagem em relação a outros países. 

Entre as indústrias, um dos principais focos de investimentos nos próximos dois anos será nas fontes renováveis de energia. Segundo uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 42% dos empresários do setor no Brasil indicaram essa direção. Além disso, o estudo mostra que 53% das plantas industriais já possuem projetos voltados para energias renováveis, com a energia solar predominando em 91% dessas iniciativas. 

No Brasil, a capacidade de produção de energia solar já ultrapassou 42 gigawatts (GW) de potência instalada, o que equivale à capacidade de três usinas de Itaipu, a segunda maior usina hidrelétrica do mundo. Esses dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Atualmente, essa alternativa mais sustentável ocupa o 2º lugar entre as opções energéticas do país e representa 18% da matriz elétrica brasileira. 

Investimento e retorno

Grande parte desse avanço ocorreu na chamada Geração Distribuída, que consiste na produção de energia elétrica no local de consumo ou nas proximidades, com sistemas instalados em casas, edifícios, fachadas e telhados. Estas iniciativas, que aliam sustentabilidade e economia, tornam-se cada vez mais atraentes para grandes indústrias de diversos setores. No Paraná, especificamente na Cidade Industrial de Curitiba, uma das fábricas da Neodent, líder em implantes dentários no Brasil, instalou 2,2 mil m² de placas solares. Esta estrutura tem capacidade para gerar 440 MWh por ano, o suficiente para abastecer até 180 residências. 

Ao todo, o investimento na implementação do sistema foi de aproximadamente R$ 1 milhão. Em contrapartida, ele tem potencial para gerar uma economia de até R$ 300 mil ao ano. Com a geração de energia, as contas de luz dos prédios administrativos de Curitiba e Maringá registraram uma redução de 33% nos gastos com energia elétrica em 2023, e essa economia pode alcançar até 90% nos próximos anos. “A energia sustentável é um investimento vantajoso em todas as frentes. Mesmo com o alto investimento inicial, a economia e o retorno para o meio ambiente comprovam o valor sustentável agregado”, explica o CEO da Neodent, Matthias Schupp. 

Fábrica sustentável

Durante o ano de 2023, a iniciativa resultou em uma redução nas emissões de gás carbônico de seis toneladas. Além da instalação de placas solares, desde 2019, a empresa também compra energia 100% renovável por meio do Mercado Livre de Energia, incluindo fontes como Pequenas Centrais Hidrelétricas, biomassa, eólica e solar. “As placas solares são apenas parte de uma estratégia muito mais abrangente. Nosso objetivo é expandir a noção de sustentabilidade para além do meio ambiente, tratando-a como uma busca contínua por equilíbrio. A sustentabilidade deve ser vista como a segurança: tem que ser cultural e estar intrínseca a cada colaborador. Não é responsabilidade de uma pessoa ou departamento isoladamente, mas de todo o ecossistema da empresa”, finaliza Matthias. 

Como parte de suas ações sustentáveis, a indústria também implementou um sistema de captação e reuso de água da chuva. Além disso, conta com uma estrutura de tratamento de efluentes interna, que permite a reutilização da água tratada nas instalações sanitárias, resultando em uma redução de até 30% no consumo de água potável nas unidades.

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