Negócios

Transpetro retoma contratos de 12 navios por R$ 4,2 bi com EAS

Depois de negociações que se estenderam por um ano, a Transpetro chegou a um acordo com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). A empresa, subsidiária de logística da Petrobras, aceitou retomar a construção de doze navios com o EAS, suspensa desde maio de 201

Valor Econômico
23/05/2013 08:34
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Depois de negociações que se estenderam por um ano, a Transpetro chegou a um acordo com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). A empresa, subsidiária de logística da Petrobras, aceitou retomar a construção de doze navios com o EAS, suspensa desde maio de 2012. Na quarta-feira (22), o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, assinou os contratos que permitem ao estaleiro pernambucano recuperar a encomenda cujo valor total alcança R$ 4,2 bilhões. Os navios fazem parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro.

Machado disse que o EAS cumpriu três exigências indispensáveis para a retomada dos contratos: contar com parceiro tecnológico, apresentar um novo cronograma e dar garantia de projeto para a construção dos navios. O EAS vai contar com assistência técnica da japonesa IHI Marine United, divisão de construção naval e offshore da Ishikawajima-Harima Heavy Industries (IHI). A IHI se comprometeu a fornecer os projetos dos doze navios. "A gestão no EAS está no rumo correto", disse Machado.

O estaleiro enfrentou sérios problemas de gestão que se traduziram em baixa produtividade, mas o quadro vem mudando. Em 2011, o EAS teve prejuízo de R$ 1,47 bilhão. No ano passado, o prejuízo do estaleiro caiu para R$ 138 milhões. Em nota, o EAS afirmou que os números refletem o choque de gestão e a reestruturação pela qual o estaleiro vem passando. A aposta é equilibrar o caixa e começar a gerar lucro.

No total, a Transpetro encomendou 22 navios ao EAS por R$ 7 bilhões. Em maio de 2012, a empresa suspendeu os contratos de 16 dos 22 navios depois que o estaleiro ficou sem a assistência técnica da coreana Samsung. Os coreanos eram sócios do estaleiro, mas se retiraram da sociedade em março de 2012. Apesar disso, garantiram os projetos para a construção do primeiro ao sexto navio da Transpetro. As negociações entre a empresa estatal e o EAS se estenderam por todo o segundo semestre e, em novembro, a Transpetro retomou quatro embarcações que faziam parte do pacote cujos contratos haviam sido suspensos. Esses quatro navios também contarão com projeto Samsung. Assim, o EAS manteve em carteira, desde o fim de 2012, dez navios Suezmax com projetos coreanos que serão entregues até o fim de 2016.

O acerto firmado ontem entre Transpetro e EAS vai fazer com que o 22º navio seja entregue três anos e oito meses depois do previsto no cronograma original acertado entre as duas empresas. Os contratos previam a entrega do 22º navio da Transpetro em abril de 2016. Agora a previsão é de que o último navio seja entregue em dezembro de 2019. Machado afirmou que não é possível considerar como atraso o período de um ano ao longo do qual os contratos dos doze navios ficaram suspensos. Ele reconheceu, porém, que o atraso de 21 meses na entrega do primeiro navio construído pelo EAS, o João Cândido, foi determinante para que o cronograma das demais embarcações também atrasasse.

Também pesou para o estabelecimento do novo cronograma o fato de o EAS ter recebido outras encomendas. Machado citou as plataformas P-55 e P-62 e as sondas da empresa Sete Brasil, que terão de ser construídas pelo EAS de forma paralela aos navios. No novo cronograma, será possível construir os navios e as sondas de forma simultânea.

No total, o programa de construção de navios da Transpetro contratou até o momento 46 embarcações. A Transpetro também contratou a construção de 20 empurradores e 80 barcaças fluviais, cujas entregas começam no segundo semestre. A soma dos petroleiros com os conjuntos hidroviários representa investimentos de R$ 11,3 bilhões. Machado disse que até o fim do ano será lançada licitação para construir três navios para transporte de bunker (combustível usado pelos navios). Essas embarcações haviam sido contratadas com a Superpesa, do Rio, mas o contrato terminou cancelado.

Machado disse que graças à estrutura de garantias montada pela Transpetro foi possível receber de forma rápida, via carta de fiança bancária, os adiantamentos que haviam sido feitos para construção dos três navios de bunker que agora voltarão a ser licitados. O Promef completa dez anos em 2014 e até agora foram entregues cinco navios (dois pelo EAS e três pelo Mauá, do Rio). Os próximos navios a serem entregues em 2013 são o José Alencar (Mauá) e o Dragão dos Mares (EAS). Esse é um dos três navios em construção pelo EAS (os outros dois ainda não têm nome). Em 2014, o Mauá vai entregar o navio Anita Garibaldi.

O presidente da Transpetro afirmou ainda que o Promef continua a perseguir a meta de tornar a indústria naval brasileira competitiva, em termos internacionais, em qualidade e preço. Outros dois pilares do programa foram atingidos, segundo ele: construir navios no Brasil e fazê-lo garantindo índices de nacionalização médios de 65%.
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