Saúde e Bem - Estar

Usar o celular na cama prejudica o coração. Entenda o risco

Redação TN / Assessoria Dr Roberto Yano
07/08/2026 10:11
Usar o celular na cama prejudica o coração. Entenda o risco Imagem: Pexels Visualizações: 88

 

Levar o celular para a cama e passar alguns minutos, ou até horas, navegando nas redes sociais antes de dormir se tornou um hábito para milhões de pessoas. De acordo com dados da pesquisa Digital 2023:Global Overview Report da DataReportal, considerando 45 nações, e concluiu que o Brasil é o segundo país com mais pessoas em frente a uma tela. 

 

Apesar de parecer inofensiva, essa rotina pode afetar muito mais do que apenas a qualidade do sono. Noites mal dormidas estão associadas a um maior risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A relação acontece porque o sono é um período essencial para que o organismo reduza a frequência cardíaca, controle a pressão arterial e realize diversos processos de recuperação. Quando esse descanso é interrompido ou prejudicado, o coração também sente os efeitos.

De acordo com o médico cardiologista Dr. Roberto Yano, a exposição à luz emitida por celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos antes de dormir interfere diretamente na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo do sono.

"O uso de celular e luzes artificiais em geral no quarto prejudica diretamente a qualidade do sono, que é um dos pilares da saúde cardiovascular. Quando a pessoa dorme mal de forma frequente, o organismo permanece em um estado de maior ativação, aumentando o estresse fisiológico e sobrecarregando o sistema cardiovascular", explica.

O que acontece com o coração durante o sono?
Durante uma noite de sono adequada, o organismo reduz naturalmente a pressão arterial, diminui a frequência cardíaca e promove um equilíbrio importante entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático. Esse processo funciona como um período diário de recuperação para o coração.

Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, essa recuperação deixa de ocorrer de forma adequada. Como consequência, aumentam os níveis de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol, favorecendo processos inflamatórios e elevando o risco cardiovascular ao longo do tempo.

"Não é apenas a quantidade de horas dormidas que importa, mas também a qualidade desse sono. Um descanso inadequado compromete diversos mecanismos de proteção do organismo e isso pode repercutir diretamente na saúde do coração", ressalta o Dr. Roberto Yano.

A luz do celular interfere no relógio biológico
Além do conteúdo consumido nas redes sociais, a própria luz emitida pelas telas representa um problema. A iluminação azul dos dispositivos eletrônicos reduz a liberação de melatonina, o que atrasa o início do sono e torna o descanso bem mais superficial. Isso faz com que muitas pessoas durmam mais tarde, acordem cansadas e acumulem uma privação de sono que pode persistir por semanas ou até mesmo meses.

"Muitos acreditam que alguns minutos no celular antes de dormir não fazem diferença. Porém, quando esse comportamento se torna diário, ele pode comprometer o ritmo natural do organismo e afetar diferentes aspectos da saúde, inclusive a cardiovascular", afirma.

Pequenas mudanças fazem diferença
Por isso, a principal recomendação é evitar o uso de celulares, computadores e tablets pelo menos uma hora antes de dormir. Também é importante reduzir a intensidade das luzes do ambiente durante a noite e criar uma rotina regular de horários para deitar e acordar. Outros hábitos, como praticar atividade física regularmente, evitar excesso de cafeína no período noturno e manter o quarto silencioso e escuro, também contribuem para melhorar a qualidade do sono.

"Assim como alimentação equilibrada e atividade física, dormir bem é um investimento diário na saúde do coração. Pequenas mudanças de hábito podem trazer benefícios importantes para a qualidade de vida e para a prevenção de doenças ao longo dos anos", conclui.

 

Sobre Dr. Roberto Yano

Dr. Roberto Yano é médico cardiologista e especialista em Estimulação Cardíaca Artificial pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e AMB.

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