Energia

Vale deve entrar na disputa por Belo Monte

Jornal do Commercio
23/02/2010 10:09
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A Vale deverá participar do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no Pará e que terá capacidade de geração de 11 mil megawatts (MW) de energia, em consórcio formado com as empresas Andrade Gutierrez Participações, Neoenergia Investimentos e Votorantim Energia. A informação foi divulgada ontem, por meio de nota. Os percentuais de participação de cada empresa no consórcio não estão definidos.


"A Vale e suas parceiras se comprometem a desenvolver estudos para determinar a atratividade do empreendimento, avaliar as condições de participação no processo e, após estas etapas, formalizar instrumentos jurídicos definitivos que permitam sua entrada conjunta no leilão", explica a companhia em comunicado.


A estratégia da Vale é no futuro ser autossuficiente em geração de energia. Segundo a companhia, a autossuficiência é a maneira de reduzir os custos de energia e minimizar o risco de problemas de abastecimento. Hoje, a Vale é sócia de sete empreendimentos de geração hidrelétrica em operação no Brasil e de um em fase de construção - a Usina de Estreito (1,08 mil MW), na divisa do Tocantins com o Maranhão, prevista para iniciar a operação no segundo semestre deste ano.


Em 2009, a empresa investiu US$ 688 milhões na área, que inclui hidrelétricas no exterior (Canadá e Indonésia) e participações minoritárias em 16 consórcios para explorar gás natural em 26 blocos em bacias no Espírito Santo, Pará-Maranhão, Parnaíba e Santos.


A capacidade energética da Vale, em 2008, foi de 4,152 gigawatts (GW). "A Vale, por ser uma empresa eletrointensiva, precisa muito de energia e entrar neste consórcio, é bastante interessante para ela", disse Pedro Galdi, analista de siderurgia da SLW.



INTENÇÃO. De acordo com Galdi, a intenção da Vale em Belo Monte é garantir o suprimento de energia de suas unidades no Pará. O estado abriga a maioria das plantas de alumínio, entre minas de bauxita e refinarias de alumina. Das seis unidades que a empresa é sócia, cinco estão localizadas no estado e uma ainda está em fase de instalação.


Galdi explica que para se fazer alumínio é preciso que a bauxita passe por um processo de beneficiamento até ser transformada em alumina. Com o derretimento da alumina, se chega ao alumínio. "Alumínio é energia pura", disse Galdi.


Em 2009, a empresa comercializou 495 mil toneladas de alumínio primário (produto final), queda de 9,3% em relação ao ano anterior. A comercialização de alumina atingiu 5,2 milhões de toneladas, representando avanço de 23% ante 2008. As vendas de bauxita, por sua vez, caíram 29%, e ficaram em 3,1 milhões de toneladas.



BELO MONTE. A analista de energia elétrica da SLW, Rosangela Ribeiro, disse acreditar que a pulverização verificada no consórcio a ser formado por Vale, Odebrecht, Neoenergia e Votorantim Energia, poderá ser benéfica para um possível desenvolvimento do projeto da usina de Belo Monte, que será a maior hidrelétrica do Brasil depois de Itaipu. De acordo com Rosângela, o consórcio abriga empresas de caraterísticas distintas, mas complementares.


"Haverá uma grande consumidora de energia no mercado livre, uma construtura com experiência em grandes projetos e duas empresas com expertise em operação de unidades de geração elétrica. É um grupo competitivo", avaliou Rosângela.



LEILÃO. No último dia 10, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que somente dois consórcios iriam participar da disputa pela usina: um liderado pela Odebrecht e outro pela Andrade Gutierrez. Rosângela lembrou, no entanto, que o grupo GDF Suez também tem manifestado o interesse em participar da concorrência.


O leilão, cujo edital está previsto para "depois do carnaval", deverá ser realizado ainda no mês de março. A hidrelétrica terá capacidade para gerar cerca de 11 mil megawatts e os investimentos estão estimados em R$ 20 bilhões. A estimativa do Ministério das Minas e Energia é de que a usina comece a gerar energia a partir de 2015. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já acenou que está preparado para financiar o vencedor do leilão de concessão para a construção da usina.
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