Com a expectativa de que a licença prévia ambiental (LP) de Belo Monte (PA) saia dentro das próximas semanas, os possíveis interessados no projeto já se movimentam para a formação de consórcios visando a disputa do leilão. Diante da ofensiva da Odebrecht e da Camargo Corrêa, que se uniram para participar da licitação, a Andrade Gutierrez está articulando a formação de um grupo de empresas que inclui autoprodutores de energia (grandes consumidores) e operadores do setor elétrico, de acordo com uma importante fonte do setor que não quis ser identificada.
Segundo a fonte, o consórcio formado pela Andrade Gutierrez contém a participação da estatal mineira Cemig, a Neoenergia, a produtora de alumínio Alcoa e a mineradora Vale. A constituição desse forte grupo deve diminuir a preocupação do mercado em torno do sucesso do leilão de Belo Monte, já que havia o temor de que houvesse um desequilíbrio na disputa com a parceria envolvendo a Odebrecht e a Camargo Corrêa, as duas maiores construtoras do País.
O grupo também deve representar o fim do que foi apelidado pelo mercado de "consórcio Previ", integrado pela Neoenergia, Vale e CPFL Energia, empresas nas quais o fundo de pensão tem participação. "A grande dúvida é aonde a CPFL Energia irá se posicionar", afirmou a fonte. O provável é que a maior holding privada do setor elétrico brasileiro ingresse no consórcio da Camargo. Isso porque o grupo de origem na construção civil é sócio controlador da CPFL, o que provocaria um conflito de interesse se a elétrica estivesse no grupo da Andrade Gutierrez. Porém, com o fim do "consórcio Previ", deverá ocorrer um confronto entre a Neoenergia e a CPFL Energia, algo que o fundo de pensão pretendia impedir para evitar uma situação de conflito de interesse.
Na prática, Belo Monte representa mais um capítulo na delicada relação societária envolvendo a Previ, a CPFL Energia, a Neoenergia e a Camargo Corrêa. Por ter participação acionária relevante nas duas elétricas, o representante do fundo de pensão na CPFL é obrigado, hoje, a se retirar das reuniões do conselho de administração da empresa quando a Camargo e a Bonaire discutem assuntos estratégicos. A medida visa evitar conflitos de interesse por conta da participação na Neoenergia, que também tem planos de expandir no setor elétrico via aquisições de ativos.