Economia

Venda de gás ao Brasil puxa alta de 6,78% do PIB da Bolívia em 2013

Expansão foi a maior em 25 anos.

Valor Econômico
25/04/2014 11:48
Visualizações: 928

 

A economia da Bolívia teve em 2013 a sua maior expansão em 25 anos. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,78% no ano passado, informou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE) do país. A alta foi puxada pelo gás, com forte contribuição brasileira.
O Brasil é o maior comprador do gás boliviano, principal produto de exportação do país e que vem puxando nos últimos anos o crescimento da economia e da arrecadação no governo Evo Morales. Essa tendência que deve se acentuar neste ano, com o aumento do envio de gás por conta da crise energética brasileira.
O setor de hidrocarbonetos foi justamente o que mais cresceu na Bolívia em 2013, com alta de 13,97%. Nesse período, o país exportou US$ 6,11 bilhões em gás natural, dos quais 70% para o Brasil, por meio do gasoduto Brasil-Bolívia. O restante foi para a Argentina. Esse valor corresponde à metade das exportações totais do país, de US$ 12,043 bilhões, e deve subir neste ano. Os valores são significativos diante do tamanho da economia boliviana, que tem um PIB de apenas US$ 27 bilhões.
No ano passado, o Brasil utilizou quase que totalmente a quota máxima de 30,08 milhões de metros cúbicos diários de gás, acordada com o país vizinho. Neste ano, diante do baixo volume nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, os dois países assinaram um contrato para o fornecimento extra de 2,2 milhões de m3 /dia para abastecer uma usina termelétrica em Cuiabá. O acordo vigorará até agosto e pode ser interrompido a qualquer momento por qualquer uma das partes. Mas, segundo fontes do governo brasileiro, isso dificilmente ocorrerá, diante da situação do sistema elétrico brasileiro.
Analistas ouvidos pelo Valor preveem que, com isso, o PIB boliviano volte a crescer mais de 6% neste ano, configurando um dos maiores crescimentos da região.
A origem do bom desempenho atual da economia boliviana mescla o aumento das exportações e da arrecadação do governo, após a estatização do gás, em 2006, com o bom manejo desses recursos feito pelo governo desde então. No período entre 1999 e 2005, o valor médio das exportações de gás da Bolívia foi de US$ 1,74 o milhão de BTU. Já durante o governo Morales, de 2006 para cá, esse valor médio subiu para US$ 6,04. Pelos atuais contratos com Brasil e Argentina, cujo preço é fixado por uma cesta de produtos, o milhão de BTU está sendo exportado por um valor entre US$ 9 e US$ 10.
O aumento das receitas permitiu ao governo Morales ampliar o investimento social e em infraestrutura. Ao mesmo tempo, um manejo macroeconômico ortodoxo permitiu manter a inflação, o câmbio e as contas públicas sob controle. O país tem hoje um superávit fiscal em torno de 1%.
Analistas, porém, apontam para fragilidades na economia. O economista boliviano Gonzalo Chávez afirma que uma delas é o baixo nível de produtividade e o alto nível de informalidade. "Cerca de 80% da população economicamente ativa está hoje no setor informal", diz ele. "A Bolívia tem hoje uma economia de baixíssima produtividade, pouca diversificação e subsídios enormes."
Para ele, "estamos vivendo uma miragem, uma bolha de consumo, construção e gastos do governo" financiada pelo gás.
Iván Velásquez, coordenador da Fundação Konrad-Adenauer no país, diz que a Bolívia não está aproveitando o boom do gás para fazer mudanças estruturais em sua economia, principalmente para reduzir sua dependência de uma só commodity. Para analistas, no entanto, a conta dessa política não deve aparecer durante a era Morales, que é favorito para se reeleger este ano para um novo mandato.

A economia da Bolívia teve em 2013 a sua maior expansão em 25 anos. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,78% no ano passado, informou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE) do país. A alta foi puxada pelo gás, com forte contribuição brasileira.

O Brasil é o maior comprador do gás boliviano, principal produto de exportação do país e que vem puxando nos últimos anos o crescimento da economia e da arrecadação no governo Evo Morales. Essa tendência que deve se acentuar neste ano, com o aumento do envio de gás por conta da crise energética brasileira.

O setor de hidrocarbonetos foi justamente o que mais cresceu na Bolívia em 2013, com alta de 13,97%. Nesse período, o país exportou US$ 6,11 bilhões em gás natural, dos quais 70% para o Brasil, por meio do gasoduto Brasil-Bolívia. O restante foi para a Argentina. Esse valor corresponde à metade das exportações totais do país, de US$ 12,043 bilhões, e deve subir neste ano. Os valores são significativos diante do tamanho da economia boliviana, que tem um PIB de apenas US$ 27 bilhões.

No ano passado, o Brasil utilizou quase que totalmente a quota máxima de 30,08 milhões de metros cúbicos diários de gás, acordada com o país vizinho. Neste ano, diante do baixo volume nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, os dois países assinaram um contrato para o fornecimento extra de 2,2 milhões de m3 /dia para abastecer uma usina termelétrica em Cuiabá. O acordo vigorará até agosto e pode ser interrompido a qualquer momento por qualquer uma das partes. Mas, segundo fontes do governo brasileiro, isso dificilmente ocorrerá, diante da situação do sistema elétrico brasileiro.

Analistas ouvidos pelo Valor preveem que, com isso, o PIB boliviano volte a crescer mais de 6% neste ano, configurando um dos maiores crescimentos da região.

A origem do bom desempenho atual da economia boliviana mescla o aumento das exportações e da arrecadação do governo, após a estatização do gás, em 2006, com o bom manejo desses recursos feito pelo governo desde então. No período entre 1999 e 2005, o valor médio das exportações de gás da Bolívia foi de US$ 1,74 o milhão de BTU. Já durante o governo Morales, de 2006 para cá, esse valor médio subiu para US$ 6,04. Pelos atuais contratos com Brasil e Argentina, cujo preço é fixado por uma cesta de produtos, o milhão de BTU está sendo exportado por um valor entre US$ 9 e US$ 10.

O aumento das receitas permitiu ao governo Morales ampliar o investimento social e em infraestrutura. Ao mesmo tempo, um manejo macroeconômico ortodoxo permitiu manter a inflação, o câmbio e as contas públicas sob controle. O país tem hoje um superávit fiscal em torno de 1%.

Analistas, porém, apontam para fragilidades na economia. O economista boliviano Gonzalo Chávez afirma que uma delas é o baixo nível de produtividade e o alto nível de informalidade. "Cerca de 80% da população economicamente ativa está hoje no setor informal", diz ele. "A Bolívia tem hoje uma economia de baixíssima produtividade, pouca diversificação e subsídios enormes."

Para ele, "estamos vivendo uma miragem, uma bolha de consumo, construção e gastos do governo" financiada pelo gás.

Iván Velásquez, coordenador da Fundação Konrad-Adenauer no país, diz que a Bolívia não está aproveitando o boom do gás para fazer mudanças estruturais em sua economia, principalmente para reduzir sua dependência de uma só commodity. Para analistas, no entanto, a conta dessa política não deve aparecer durante a era Morales, que é favorito para se reeleger este ano para um novo mandato.

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