Artigo

A democracia e a indústria do aço

Avaliação é do escritório Almeida Advogados.

Redação TN
27/03/2013 11:29
Visualizações: 902

 

A democracia e a indústria do aço
André de Almeida e Murilo Meneghetti Nassif 
 
            É inegável o avanço do Brasil na construção da democracia, especialmente depois da promulgação da Constituição Federal de 1988. A desarticulação do regime ditatorial com a transição para o poder civil, o impeachment do primeiro presidente eleito sob a égide da redemocratização, a estabilização da moeda e a popularização política são marcos da construção democrática que edifica os objetivos fundamentais da Constituição.
            Apesar do avanço democrático, ainda se perpetua no cenário nacional uma antiga concepção de gestão pública concentrada em pessoas que almejam o poder com o fim de obter vantagem própria e a terceiros, em detrimento da sociedade. Basta acompanhar leis propostas por determinados eleitos, verificar os recentes escândalos políticos, os nomes dos principais doadores de campanha eleitoral e as coligações de partidos de concepções díspares para se concluir que, com assiduidade, valores contrários à plena democracia e ao desenvolvimento nacional são defendidos na gestão do País.
            Ocorre que quando a gestão pública deixa de integrar o basilar papel da sustentabilidade e da transparência no processo de desenvolvimento do País, acaba por criar uma realidade maquiavélica que resvala na obscuridade da corrupção e do clientelismo a que lamentavelmente assiste com passividade a sociedade.
            Veja, pois, a indústria do aço no Brasil. Ciosa de sua força política, recentemente pleiteou ao governo federal a criação de imposto de exportação sobre a sucata ferrosa. Contudo, apesar do grande poderio econômico e político do segmento do aço, a sociedade brasileira provou tecnicamente ao governo brasileiro que o falso alarde criado pela siderurgia produziria o fechamento do mercado de sucata ferrosa, fazendo com que o concentrado setor do aço passasse a deter fornecedores cativos e escravocratas. 
            No entanto, a comprovação acima citada, que culminou na retirada do insensato pleito da pauta de deliberação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), foi possível pela união de esforços de centenas de pessoas, pequenas e médias empresas do comércio atacadista de sucata. Pessoas que agiram em defesa da transparência do processo de desenvolvimento contra uma medida antirrepublicana e antidemocrática que aniquilaria setor do comércio nacional.
            O que se vê é que apenas a união de esforços será capaz de combater a gestão concentrada em pessoas que buscam o poder em detrimento da sociedade. Só assim será possível seguir na edificação da democracia e dos objetivos fundamentais da Constituição, dando um fim à incapacidade do Brasil de transformar nosso patrimônio em estratégia de crescimento e desenvolvimento.
 
* André de Almeida e Murilo Meneghetti Nassif são, respectivamente, sócio e advogado do escritório Almeida Advogados

É inegável o avanço do Brasil na construção da democracia, especialmente depois da promulgação da Constituição Federal de 1988. A desarticulação do regime ditatorial com a transição para o poder civil, o impeachment do primeiro presidente eleito sob a égide da redemocratização, a estabilização da moeda e a popularização política são marcos da construção democrática que edifica os objetivos fundamentais da Constituição.


Apesar do avanço democrático, ainda se perpetua no cenário nacional uma antiga concepção de gestão pública concentrada em pessoas que almejam o poder com o fim de obter vantagem própria e a terceiros, em detrimento da sociedade. Basta acompanhar leis propostas por determinados eleitos, verificar os recentes escândalos políticos, os nomes dos principais doadores de campanha eleitoral e as coligações de partidos de concepções díspares para se concluir que, com assiduidade, valores contrários à plena democracia e ao desenvolvimento nacional são defendidos na gestão do País.


Ocorre que quando a gestão pública deixa de integrar o basilar papel da sustentabilidade e da transparência no processo de desenvolvimento do País, acaba por criar uma realidade maquiavélica que resvala na obscuridade da corrupção e do clientelismo a que lamentavelmente assiste com passividade a sociedade.


Veja, pois, a indústria do aço no Brasil. Ciosa de sua força política, recentemente pleiteou ao governo federal a criação de imposto de exportação sobre a sucata ferrosa. Contudo, apesar do grande poderio econômico e político do segmento do aço, a sociedade brasileira provou tecnicamente ao governo brasileiro que o falso alarde criado pela siderurgia produziria o fechamento do mercado de sucata ferrosa, fazendo com que o concentrado setor do aço passasse a deter fornecedores cativos e escravocratas. 


No entanto, a comprovação acima citada, que culminou na retirada do insensato pleito da pauta de deliberação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), foi possível pela união de esforços de centenas de pessoas, pequenas e médias empresas do comércio atacadista de sucata. Pessoas que agiram em defesa da transparência do processo de desenvolvimento contra uma medida antirrepublicana e antidemocrática que aniquilaria setor do comércio nacional.

 

O que se vê é que apenas a união de esforços será capaz de combater a gestão concentrada em pessoas que buscam o poder em detrimento da sociedade. Só assim será possível seguir na edificação da democracia e dos objetivos fundamentais da Constituição, dando um fim à incapacidade do Brasil de transformar nosso patrimônio em estratégia de crescimento e desenvolvimento.


 
* André de Almeida e Murilo Meneghetti Nassif são, respectivamente, sócio e advogado do escritório Almeida Advogados.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BRANDED CONTENT
ROG.e 2026 começa na próxima segunda-feira (21) com a pr...
19/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI SESI apresenta na ROG.e novas tecnologias d...
18/09/26
ROG.e 2026
Camorim investe R$ 250 milhões em 2026 para ampliar frot...
18/09/26
ROG.e 2026
Repsol Sinopec Brasil participa da ROG.e 2026 com agenda...
18/09/26
ROG.e 2026
PPSA inicia série de palestras na ROG.e com temas sobre ...
18/09/26
ROG.e 2026
ABESPetro promove fórum sobre cadeia de suprimentos de ó...
18/09/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 começa na próxima segunda-feira (21) com a pr...
18/09/26
ROG.e 2026
Constellation leva à ROG.e 2026 liderança operacional, i...
18/09/26
ROG.e 2026
Avanços em Wahoo e eficiência operacional integram agend...
18/09/26
ROG.e 2026
Vallourec apresenta novas tecnologias para operações off...
18/09/26
Brasil
CoreMarine dá um passo decisivo para expandir sua presen...
18/09/26
ROG.e 2026
SLB celebra 80 anos no Brasil na ROG.e 2026 e destaca av...
17/09/26
ROG.e 2026
ANP participará de evento que reúne o setor de energia
17/09/26
ROG.e 2026
BRAVA Energia consolida presença na ROG.e 2026 com desta...
17/09/26
ROG.e 2026
IATI leva dez tecnologias desenvolvidas em Pernambuco à ...
17/09/26
ANP
Oferta Permanente: divulgadas as sequências das ofertas ...
17/09/26
Petroquímica
Braskem registra recorde histórico de produção de propen...
17/09/26
ROG.e 2026
Eficiência energética com redução de consumo de diesel é...
17/09/26
ROG.e 2026
M&O e Belga Marine apresentam soluções globais para ener...
17/09/26
ROG.e 2026
IBP e OPITO promovem experiência imersiva e gamificada p...
17/09/26
ROG.e 2026
Amapá leva estratégia de atração de investimentos para a...
17/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25