Artigo

Crédito travado limita crescimento da indústria naval e geração de empregos, por Ariovaldo Rocha

Redação TN Petróleo/Assessoria Navalshore
08/08/2025 12:34
Crédito travado limita crescimento da indústria naval e geração de empregos, por Ariovaldo Rocha Imagem: Divulgação Sinaval Visualizações: 8917

Após uma década de severa retração, marcada pela diminuição de encomendas, fechamento de estaleiros e expressivas perdas de empregos, a indústria naval brasileira se encontra em um momento de inflexão. Temos uma janela de oportunidade real e rara para reconstruir uma cadeia produtiva estratégica para o Brasil. Contudo, essa retomada exige decisões estruturantes a serem tomadas imediatamente.

A observação do movimento de rearticulação do setor revela um impulso significativo, especialmente pela demanda da Petrobras por navios, embarcações de apoio e plataformas. Há um esforço coordenado entre estaleiros, entidades do setor e diferentes áreas do governo para recuperar a capacidade produtiva do país. Este é um momento de reconstrução que requer previsibilidade, estabilidade regulatória e, acima de tudo, acesso a financiamento em condições viáveis.

Um dos maiores entraves para o avanço dos novos projetos reside nas dificuldades enfrentadas pelas empresas em oferecer garantias para operações de crédito, mesmo na presença de recursos disponíveis no Fundo da Marinha Mercante (FMM). Isso resulta em frustrações de operações que poderiam gerar empregos, movimentar estaleiros e ativar toda a cadeia de fornecedores.

Como presidente do SINAVAL, tenho defendido a criação de um fundo garantidor específico para a construção naval. Essa iniciativa, que já teve uma experiência positiva no passado com o Fundo de Garantia à Construção Naval (FGCN), é urgente e deve ser modernizada para se adequar à realidade atual. Um fundo estruturado pode transformar riscos em oportunidades, desbloqueando bilhões de reais em investimentos, com um impacto direto na geração de empregos e no fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

Atualmente, o principal obstáculo está na contratação dos seguros necessários para liberação dos financiamentos. Estaleiros com capacidade técnica comprovada e histórico de entregas têm enfrentado recusas por parte de seguradoras, que impõem exigências severas e prêmios altos, muitas vezes inviáveis. Empresas em recuperação judicial enfrentam barreiras ainda maiores, mesmo com ativos prontos para produção.

Algumas empresas têm buscado alternativas, como fianças bancárias, mas essas soluções não são escaláveis para grandes projetos. Portanto, um novo fundo garantidor é não apenas necessário, mas estratégico. Enquanto isso, é fundamental discutir flexibilizações pontuais nas exigências de seguros, especialmente para estaleiros com histórico contratual positivo.

O diálogo com o governo tem sido contínuo e propositivo. Tenho participado de discussões com o Ministério dos Portos, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, BNDES, Casa Civil e Caixa Econômica Federal, propondo caminhos viáveis, incluindo garantias cruzadas e parcerias público-privadas. No entanto, ainda estamos distantes de uma solução definitiva. O desafio é grande, mas não insuperável.

Neste cenário, eventos como a Navalshore têm um papel importante ao proporcionar espaço para articulação entre os diversos stakeholders da indústria. A continuidade desses diálogos é de fundamental importância para sustentar o debate sobre a construção naval como uma política de Estado.

A reconstrução da indústria naval brasileira não será imediata, mas é viável com decisões corajosas, visão estratégica e instrumentos de financiamento adequados. É precisamente isso que buscamos construir.

Sobre o autor: Ariovaldo Rocha é presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore - Sinaval

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
PPSA
Petrochina arremata carga da União de Bacalhau em leilão...
17/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Indústria Naval
Fundo da Marinha Mercante aprova R$ 136,9 milhões para a...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Resultado
Porto do Açu garante R$ 237 milhões em royalties retroat...
07/04/26
PPSA
União recebe R$ 917,32 milhões por redeterminação de Tupi
07/04/26
BRANDED CONTENT
Intercabos® lança novo site e concretiza presença no mer...
06/04/26
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Logística
Dragagem marca ampliação das atividades no Terminal Marí...
26/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23