Artigo

Crédito travado limita crescimento da indústria naval e geração de empregos, por Ariovaldo Rocha

Redação TN Petróleo/Assessoria Navalshore
08/08/2025 12:34
Crédito travado limita crescimento da indústria naval e geração de empregos, por Ariovaldo Rocha Imagem: Divulgação Sinaval Visualizações: 8746

Após uma década de severa retração, marcada pela diminuição de encomendas, fechamento de estaleiros e expressivas perdas de empregos, a indústria naval brasileira se encontra em um momento de inflexão. Temos uma janela de oportunidade real e rara para reconstruir uma cadeia produtiva estratégica para o Brasil. Contudo, essa retomada exige decisões estruturantes a serem tomadas imediatamente.

A observação do movimento de rearticulação do setor revela um impulso significativo, especialmente pela demanda da Petrobras por navios, embarcações de apoio e plataformas. Há um esforço coordenado entre estaleiros, entidades do setor e diferentes áreas do governo para recuperar a capacidade produtiva do país. Este é um momento de reconstrução que requer previsibilidade, estabilidade regulatória e, acima de tudo, acesso a financiamento em condições viáveis.

Um dos maiores entraves para o avanço dos novos projetos reside nas dificuldades enfrentadas pelas empresas em oferecer garantias para operações de crédito, mesmo na presença de recursos disponíveis no Fundo da Marinha Mercante (FMM). Isso resulta em frustrações de operações que poderiam gerar empregos, movimentar estaleiros e ativar toda a cadeia de fornecedores.

Como presidente do SINAVAL, tenho defendido a criação de um fundo garantidor específico para a construção naval. Essa iniciativa, que já teve uma experiência positiva no passado com o Fundo de Garantia à Construção Naval (FGCN), é urgente e deve ser modernizada para se adequar à realidade atual. Um fundo estruturado pode transformar riscos em oportunidades, desbloqueando bilhões de reais em investimentos, com um impacto direto na geração de empregos e no fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

Atualmente, o principal obstáculo está na contratação dos seguros necessários para liberação dos financiamentos. Estaleiros com capacidade técnica comprovada e histórico de entregas têm enfrentado recusas por parte de seguradoras, que impõem exigências severas e prêmios altos, muitas vezes inviáveis. Empresas em recuperação judicial enfrentam barreiras ainda maiores, mesmo com ativos prontos para produção.

Algumas empresas têm buscado alternativas, como fianças bancárias, mas essas soluções não são escaláveis para grandes projetos. Portanto, um novo fundo garantidor é não apenas necessário, mas estratégico. Enquanto isso, é fundamental discutir flexibilizações pontuais nas exigências de seguros, especialmente para estaleiros com histórico contratual positivo.

O diálogo com o governo tem sido contínuo e propositivo. Tenho participado de discussões com o Ministério dos Portos, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, BNDES, Casa Civil e Caixa Econômica Federal, propondo caminhos viáveis, incluindo garantias cruzadas e parcerias público-privadas. No entanto, ainda estamos distantes de uma solução definitiva. O desafio é grande, mas não insuperável.

Neste cenário, eventos como a Navalshore têm um papel importante ao proporcionar espaço para articulação entre os diversos stakeholders da indústria. A continuidade desses diálogos é de fundamental importância para sustentar o debate sobre a construção naval como uma política de Estado.

A reconstrução da indústria naval brasileira não será imediata, mas é viável com decisões corajosas, visão estratégica e instrumentos de financiamento adequados. É precisamente isso que buscamos construir.

Sobre o autor: Ariovaldo Rocha é presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore - Sinaval

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Granel sólido e contêineres impulsionam alta de 26% na m...
19/01/26
Bacia de Campos
Brava Energia anuncia aquisição de 50% de participação n...
17/01/26
Resultado
Porto de Santos movimenta 186,4 milhões de toneladas em ...
16/01/26
Resultado
Ministério de Portos e Aeroportos realizou 21 leilões em...
14/01/26
Pré-Sal
Campo de Tupi/Iracema volta a atingir produção de 1 milh...
13/01/26
Indústria Naval
Marinha do Brasil inicia a construção do 4º navio da Cla...
12/01/26
Navegação
Shell obtém licença inédita como Empresa Brasileira de N...
09/01/26
Resultado
Petróleo é o principal produto da exportação brasileira ...
09/01/26
Investimento
Fundo da Marinha Mercante prioriza R$ 4,6 bilhões para p...
07/01/26
Resultado
Com eficiência portuária, Brasil consolida o melhor triê...
07/01/26
Bacia de Pelotas
TGS disponibiliza aplicativo de segurança marítima para ...
06/01/26
Resultado
Movimentação de cargas nos portos privados do Brasil cre...
06/01/26
ANP
Em novembro o Brasil produziu 4,921 milhões de barris boe/d
05/01/26
Pré-Sal
Seatrium conquista primeiro marco do escopo completo da ...
02/01/26
Pré-Sal
Com a FPSO P-78, Petrobras inicia produção de Búzios 6
02/01/26
Portos
Governo Federal aprova estudos finais para arrendamento ...
30/12/25
Leilão
Petrobras coloca em leilão online as plataformas P-26 e P-19
29/12/25
Royalties
Valores referentes à produção de outubro para contratos ...
24/12/25
Meio ambiente
PortosRio realiza mutirões de limpeza e conscientização ...
23/12/25
Apoio Offshore
OceanPact firma contrato de cerca de meio bilhão de reai...
23/12/25
Pré-Sal
ANP autoriza início das operações do FPSO P-78 no campo ...
22/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.