Artigo

Crise hídrica e comunicação falha

Redação/Assessoria
04/09/2015 11:36
Crise hídrica e comunicação falha Imagem: Paulo Afonso Visualizações: 920

 

Aparentemente, as autoridades brasileiras em todos os níveis da Administração Pública não estão compreendendo a gravidade da situação hídrica e climática que viveremos nos próximos meses. Isso porque as comunicações ao público carecem de conteúdo, reiterando repetidamente que a situação está sob controle, que os reservatórios estão num padrão aceitável e que os recursos hídricos suportarão o aumento da demanda, diminuindo a possibilidade de racionamento. Apontam, de modo geral, para chuvas que virão amenizar o problema.
A realidade é outra. Os rios estão secando, a vazão diminuindo a cada dia, tornando a situação pior do que no mesmo período do ano passado. Grandes reservatórios não recuperaram sua capacidade anterior, operando ainda com volume morto, portanto, abaixo do nível normal. Não há previsão de chuva significativa. Previsões de inúmeros órgãos internacionais apontam para ondas de calor de longa duração que agravarão a sensação térmica com temperaturas recordes neste ano.
As ondas de calor que atingiram a América do Norte, Europa, e diversos países asiáticos, embora normais, foram bastante incomuns, pois o aquecimento global que provoca as mudanças climáticas, fez com que sua frequência, intensidade e alcance aumentassem. Os resultados foram dezenas de milhares de pessoas hospitalizadas e muitas mortes. O Japão, que conta com um ótimo sistema de alarme e de enfrentamento de desastres desse tipo, registrou dezenas de milhares de pessoas hospitalizadas e muitas mortes somente no último mês de julho.
No início do mês de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgaram novas orientações para enfrentar as contínuas ondas de calor que atingem o planeta. Manifestam a preocupação com o agravamento das condições climáticas no mundo e, em particular, com as altas temperaturas, a frequência e a intensidade das ondas de calor. Um dos pontos destacados é a necessidade de informação sobre o clima e os serviços de apoio como o gerenciamento do calor como um risco e a necessidade de se criarem sistemas de alerta para que a população e os governos estejam preparados.
Os cientistas apontam que enfrentaremos as maiores temperaturas desde que se iniciaram as medições no século XIX. No Brasil, as diversas instâncias governamentais já deveriam estar preparadas e, principalmente, alertando a população com comunicações realistas e um amplo trabalho de educação ambiental que prepare crianças, jovens e adultos a enfrentarem essa nova situação.
A má gestão, aliada à elevação das temperaturas, forma um caldo de cultura com consequências gravíssimas para os cidadãos, e particularmente, para aqueles mais pobres, que não tem acesso a equipamentos que amenizem os efeitos do calor.
O calor excessivo pode causar hidratação, insolação, enjoo, acidentes vasculares e atingem principalmente as crianças, os idosos e os doentes. A criação de sistemas de enfrentamento da crise hídrica que se aproxima é urgente, com destaque para a informação correta da população, sem meias palavras ou inverdades. A máxima é utilizar as palavras corretas para situações concretas.
O racionamento já ocorre para boa parte da população em várias regiões brasileiras, em particular na cidade de São Paulo, exatamente nos bairros onde reside a população mais carente. Reconhecer a gravidade da situação é o primeiro passo para enfrentar com sucesso o problema e o seu agravamento.
Somente com o público informado, e com uma participação ativa no processo de uso racional da água, poderemos evitar uma catástrofe maior do que aquela que ocorreu no ano passado. O calor virá, a chuva será pouca, e para agravar a situação, o fenômeno El Niño, que ocorre devido ao aumento da temperatura nas águas do pacífico, e nos atinge diretamente, será um dos mais significativos e duradouros dos últimos anos. Ainda dá tempo de mobilizar a população para evitar o pior!
*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Campinas. Doutor em Ciências Sociais, mestre em Ciência Política pela Unicamp e especialista em Ciências Ambientais.

Aparentemente, as autoridades brasileiras em todos os níveis da Administração Pública não estão compreendendo a gravidade da situação hídrica e climática que viveremos nos próximos meses. Isso porque as comunicações ao público carecem de conteúdo, reiterando repetidamente que a situação está sob controle, que os reservatórios estão num padrão aceitável e que os recursos hídricos suportarão o aumento da demanda, diminuindo a possibilidade de racionamento. Apontam, de modo geral, para chuvas que virão amenizar o problema.

A realidade é outra. Os rios estão secando, a vazão diminuindo a cada dia, tornando a situação pior do que no mesmo período do ano passado. Grandes reservatórios não recuperaram sua capacidade anterior, operando ainda com volume morto, portanto, abaixo do nível normal. Não há previsão de chuva significativa. Previsões de inúmeros órgãos internacionais apontam para ondas de calor de longa duração que agravarão a sensação térmica com temperaturas recordes neste ano.

As ondas de calor que atingiram a América do Norte, Europa, e diversos países asiáticos, embora normais, foram bastante incomuns, pois o aquecimento global que provoca as mudanças climáticas, fez com que sua frequência, intensidade e alcance aumentassem. Os resultados foram dezenas de milhares de pessoas hospitalizadas e muitas mortes. O Japão, que conta com um ótimo sistema de alarme e de enfrentamento de desastres desse tipo, registrou dezenas de milhares de pessoas hospitalizadas e muitas mortes somente no último mês de julho.

No início do mês de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgaram novas orientações para enfrentar as contínuas ondas de calor que atingem o planeta. Manifestam a preocupação com o agravamento das condições climáticas no mundo e, em particular, com as altas temperaturas, a frequência e a intensidade das ondas de calor. Um dos pontos destacados é a necessidade de informação sobre o clima e os serviços de apoio como o gerenciamento do calor como um risco e a necessidade de se criarem sistemas de alerta para que a população e os governos estejam preparados.

Os cientistas apontam que enfrentaremos as maiores temperaturas desde que se iniciaram as medições no século XIX. No Brasil, as diversas instâncias governamentais já deveriam estar preparadas e, principalmente, alertando a população com comunicações realistas e um amplo trabalho de educação ambiental que prepare crianças, jovens e adultos a enfrentarem essa nova situação.

A má gestão, aliada à elevação das temperaturas, forma um caldo de cultura com consequências gravíssimas para os cidadãos, e particularmente, para aqueles mais pobres, que não tem acesso a equipamentos que amenizem os efeitos do calor.

O calor excessivo pode causar hidratação, insolação, enjoo, acidentes vasculares e atingem principalmente as crianças, os idosos e os doentes. A criação de sistemas de enfrentamento da crise hídrica que se aproxima é urgente, com destaque para a informação correta da população, sem meias palavras ou inverdades. A máxima é utilizar as palavras corretas para situações concretas.

O racionamento já ocorre para boa parte da população em várias regiões brasileiras, em particular na cidade de São Paulo, exatamente nos bairros onde reside a população mais carente. Reconhecer a gravidade da situação é o primeiro passo para enfrentar com sucesso o problema e o seu agravamento.

Somente com o público informado, e com uma participação ativa no processo de uso racional da água, poderemos evitar uma catástrofe maior do que aquela que ocorreu no ano passado. O calor virá, a chuva será pouca, e para agravar a situação, o fenômeno El Niño, que ocorre devido ao aumento da temperatura nas águas do pacífico, e nos atinge diretamente, será um dos mais significativos e duradouros dos últimos anos. Ainda dá tempo de mobilizar a população para evitar o pior!

*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Campinas. Doutor em Ciências Sociais, mestre em Ciência Política pela Unicamp e especialista em Ciências Ambientais.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
TBG lança consulta ao mercado para fornecimento de gás d...
10/09/26
Tecnologia e Inovação
Vallourec inicia obras de linha de produção no Brasil pa...
10/09/26
ExpoPostos & Conveniência
Segundo dia da ExpoPostos & Conveniência 2026 debate des...
10/09/26
PD&I
Projeto Heavy Oil Emulsions, liderado pela Unicamp, busc...
10/09/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Preços seguem em alta com clima chuvoso
10/09/26
Águas Profundas
Firjan promove Agrega+Indústria Especial SEAP II e SEAP I
09/09/26
Expopostos & Conveniência
Vibra integra tecnologia, qualidade e serviços para ampl...
09/09/26
Comunicado
ANP implementará o Gov.BR Nível Ouro para acesso aos sis...
09/09/26
ABPIP
STJ julga fracking amanhã e ABPIP defende análise técnic...
08/09/26
Investimento
Naturgy lança segunda Chamada Pública para aquisição de ...
08/09/26
ANP
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica: live amanhã (9/9) es...
08/09/26
ROG.e 2026
PRINER exibe na Rio Oil & Gas Energy o serviço de pintur...
05/09/26
ANP
Aprovada resolução que revisa norma sobre tratamento dif...
04/09/26
Margem Equatorial
Ibama autoriza Petrobras a perfurar três novos poços na ...
04/09/26
Apoio Offshore
OceanPact conclui a aquisição do Estaleiro Dock Brasil
04/09/26
Evento
ExpoPostos & Conveniência confirma Amyr Klink, Mark Wohl...
04/09/26
ESG
Petrobras lidera ranking ESG no segmento de Petróleo, Gá...
04/09/26
ANP
Aprovada a indicação de 24 blocos na Bacia Potiguar para...
04/09/26
Combustíveis
ANP realizará consulta e audiência públicas sobre novas ...
04/09/26
Rio de Janeiro
Firjan lança recorte Norte Fluminense do Anuário do Petr...
04/09/26
ANP
Revisão de regras do RenovaBio para novos distribuidores...
04/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25