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Equidade de gênero: imperativo estratégico para o offshore, por Hygo Souza

Assessoria Foresea
11/05/2026 13:14
Equidade de gênero: imperativo estratégico para o offshore, por Hygo Souza Imagem: Divulgação Foresea Visualizações: 1724

Há uma contradição silenciosa no setor de óleo e gás. Enquanto operamos alguns dos sistemas mais sofisticados do mundo — combinando engenharia de ponta, inteligência de dados e gestão de risco em ambientes extremos — seguimos, em muitos casos, ancorados em modelos organizacionais que já não refletem a complexidade dos desafios contemporâneos. A equidade de gênero, especialmente no ambiente offshore, é um desses pontos de inflexão.

Historicamente, o setor offshore foi estruturado sob condições que dificultaram a participação feminina: regimes de embarque prolongados, ambientes desenhados para o público masculino e predomínio de cultura organizacional pouco inclusiva. Contribuiu também a baixa presença feminina nos cursos que mais atendem o setor, como engenharia mecânica e de petróleo, o que, por décadas, impactou diretamente a oferta de profissionais para as demandas do offshore.

Apesar de alguns avanços, globalmente, as mulheres representam cerca de 22% da força de trabalho no setor de óleo e gás, percentual que permanece praticamente estagnado nos últimos anos, de acordo com pesquisas de organizações internacionais1. Nas funções operacionais e offshore, esse número é ainda mais reduzido: menos de 4% da força de trabalho offshore é composta por mulheres.

No Brasil, mulheres representam cerca de 17,7% da força de trabalho no setor de petróleo e gás, com variações marginais nos últimos anos, segundo o Dieese2. Isso revela que, em uma indústria que depende intensamente de inovação, seguimos limitando o acesso a uma parcela significativa de talentos. Essa assimetria estrutural impacta diretamente a capacidade do setor de inovar e de se adaptar às transformações sociais.

A questão é mais sensível no offshore. Um navio-sonda não é apenas um local de trabalho. É uma cidade. E, como tal, deveria reproduzir o perfil populacional das cidades, de modo a minimizar a sensação de isolamento a seus ocupantes. Um navio-sonda representa, ainda, um ecossistema, de convivência intensiva, de interdependência operacional, onde são tomadas decisões de máxima importância. Comunicação, confiança e diversidade de conhecimentos, experiências, percepções se fazem essenciais nesses ambientes.

A distância física, o confinamento e a criticidade das operações tornam a cultura organizacional não um tema abstrato, mas um fator que influencia diretamente no risco ou na assertividade. Uma cultura pouco diversa tende a criar organizações mais frágeis, menos adaptáveis a imprevistos e mais lentas na incorporação de novas soluções.

Nesse contexto, temos voltado cada vez mais a nossa atenção a melhorias físicas, estruturais e culturais, buscando equidade de gênero em nossos ativos. Estamos cientes de que não basta abrir vagas; é preciso atrair, capacitar, garantir bem-estar, permanência e progressão de carreira.

No ano passado, junto à Petrobras, participamos do projeto Mulheres na Área, voltado à capacitação de auxiliares de plataforma, função de entrada no offshore. Uma vez integradas à Foresea, as mulheres encontram acolhimento. Por vezes, são iniciativas simples, que fazem a diferença, como um macacão com corte feminino ou horários exclusivos na academia da sonda.

Mas é um conjunto amplo de comportamentos cotidianos que, de forma sutil, garante o bem-estar.  O programa de diversidade da Foresea – que inclui grupos de afinidade – foi premiado pela Organização das Nações Unidas, e a empresa é signatária do Movimento Elas Lideram 2030, do Pacto Global da ONU. Já chegamos a 34% de mulheres em cargos de liderança – um aumento de 10% no último ano.

As mulheres incentivam umas às outras, quando encontram espaço, respeito, valorização. Não por acaso, a primeira mulher no Brasil a comandar um navio-sonda hoje está cercada por outras na liderança desse ativo, que é a nossa Norbe IX - motivo de orgulho para toda a companhia. Estamos no caminho certo e com olhar para o futuro.

Para além do propósito primordial de justiça social e redução de desigualdades históricas, a equidade de gênero também passou a constar como meta para a produtividade das equipes e o sucesso das nossas operações. Ampliar a presença feminina é para a Foresea um imperativo que nos garantirá manter os níveis de segurança e eficiência que tanto têm nos diferenciado no mercado.

Sobre o autor: Hygo Souza é Vice-Presidente de Pessoas e Gestão da Foresea, empresa líder em perfuração offshore no Brasil

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1 Boston Consulting Group (BCG) e World Petroleum Council (WPC)

https://wpcenergy.org/index.php/component/content/article/diversity?catid=45:news&Itemid=101

 

2 DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e e Sindipetro NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense)

https://sindipetronf.org.br/no-dia-da-mulher-nf-mostra-que-percentual-de-petroleiras-na-industria-do-petroleo-esta-estagnado-ha-10-anos/

 

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